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CALENDÁRIO NEGRO – AGOSTO

1 – Nasce o instrumentista e compositor Bucy Moreira, neto de Tia Ciata (1909)

1 – Nasce em Recife (PE) o cantor José Adauto Micheles - Orlando Dias (1923)
1 – Independência do Benin (ex Daomé) (1975)
1 – O líder sul-africano Nelson Mandela inicia visita ao Brasil de seis dias (1991)
2 – O Deputado Federal cearense Silva Guimarães, apresenta lei acabando com a escravidão no Brasil (1859)
2 – Nasce no Recife (PE) o compositor e percussionista Juvenal de Holanda Vasconcelos - Naná Vasconcelos (1944)
2 – O atleta olímpico José Telles da Conceição recebe medalha de bronze no salto a altura (1952)
2 – Nasce no Morro da Mangueira (RJ), o compositor Carlos Moreira de Castro - Carlos Cachaça (1902)
3 – Independência do Níger (1960)
3 – Nasce na Cidade do Rio de Janeiro, a atriz Isabel Cristina Teodoro Filardis - Isabel Filardis (1973)
4 – Nasce o compositor Francisco José Freire Júnior. (1881)
4 – Nasce em New Orleans (EUA), o músico de jazz, trompetista e cantor Louis Daniel Armstrong, Louis Armstrong, tido como o mais importante de sua época. Seu estilo característico e voz rouca apareceram inclusive em inúmeros filmes de Hollywood. (1900)
4 – Foi tombado o primeiro terreiro de candomblé do Brasil, o Casa Branca - Ilê Axé Ia Nassô Oká pela Prefeitura de Salvador (BA). (1982)
5 – Parte de Cuiabá (MT) uma força, sob o comando do capitão Luciano Pereira de Souza, composta por oitenta homens tendo como intuito de destruir o Quilombo do Rio Manso (1871)
5 – Quando voltava a Joanesburgo, após uma viagem pelo interior, Nelson Mandela, é capturado pela polícia sul-africana. Mandela é considerado culpado e condenado a dez anos de trabalhos forçados (1962)

5 – Nasce em Salvador Oscar da Penha, o Batatinha, famoso cantor e compositor de sambas brasileiro (1924-1997)
5 – Os atletas americanos Evelyn Ashford e Edwin Moses (EUA) ganham medalhas de ouro nos Jogos Olímpicos em Los Angeles (EUA) (1984)
6 – Nasce em Varre-e-Sai (RJ), um dos maiores instrumentistas e compositores brasileiros, Baden Powell de Aquino, autor de composições consagradas como: "Samba Triste", "Canção de Ninar Meu Bem", "Samba em Prelúdio", "Deixa", "Berimbau", entre outras (1937)
6 – Independência da Jamaica (1962)
6 – Aprovada nos Estados Unidos pelo Presidente Johnson a Lei dos Direitos ao Voto, permitindo aos negros o direito de votar (1965)
6 – O velocista Joaquim Cruz, ganha medalha de ouro durante as Olimpíadas de Atlanta, nos Estados Unidos (1984)
7 – Nasce Abebe Bikila, atleta etíope, o primeiro homem a ganhar por duas vezes a Maratona Olímpica (1932)
7 – Começa a integração racial nas escolas de Washington e Baltimore (EUA) (1954)
7 – Independência da Costa do Marfim (1960)
8 – Registrado o primeiro ato de escravidão de negros em Lagos por Portugal. 235 pessoas entre homens, mulheres e crianças (1444)
8 – O parlamento inglês aprova o "Bill Aberdeen" pelo qual toma a si a tarefa de aplicar as normas do tratado de 1826. Navios ingleses passaram a incursionar em portos brasileiros, apresar navios e prender súditos brasileiros. Em vista da difícil situação que então se criou, e sem poder fazer e respeitar sua soberania pela força, o governo decidiu empreender a repressão e extinção do tráfico negreiro por lei internacional. Isso se deu com a chamada Lei Eusébio de Queiroz (1845)
8 – A polícia do Império dissolve ato abolicionista na Rua do Ouvidos no Rio de Janeiro (1887)
8 – Nasce em Nova Iorque (EUA), o músico Bennett Lester Carter, Benny Carter, um dos grandes saxofonistas do jazz (1907)
9 – Após inúmeros protestos de várias instituições civis, o Brasil corta relações esportivas e culturais com a África do Sul (1985)

9 – Nasce no Rio de Janeiro (RJ) Jurema Batista, ativista dos movimentos de mulheres e negro (1957)
10 – Nasce em Maragopipe (BA), o jurista, parlamentar e político, Antônio Pereira Rebouças (1798)
10 – Nasce no Sítio de Boa Vista, Caxias (MA), o poeta Gonçalves Dias (1823)
10 – O atleta olímpico Carl Lewis repetindo o feito de Jesse Owens, conquista quatro medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Los Angeles (1984)

10 – Nasce no Rio de Janeiro/RJ, Antônio Gilson Porfírio, o Agepê, cantor e compositor (1942)
11 – Nasce na Rua Frei Caneca, bairro do Estácio, Rio de Janeiro, Saturnino Gonçalves, primeiro presidente da Estação Primeira de Mangueira (1897)
11 – Nasce nos Estados Unidos, o escritor Alex Haley, autor de "A Autobiografia de Malcolm X" e do clássico americano, "Negras Raízes" (1921)
11 – Independência do Chade (1960)
12 – É publicado o manifesto dos conjurados baianos da Revolta dos Alfaiates (Revolta dos Búzios ou Conjuração Baiana), protestando contra os impostos, a escravidão dos negros e exigindo independência e liberdade (1798)

12 – Nasce em Porto Alegre (RS), Vera Lopes, atriz e ativista negra (1955)
13 – Nasce nos Estados Unidos, Ernest E. Just, proeminente biólogo (1883)

13 – Lançando o primeiro longa metragem dirigido por uma cineasta negra, Amor Maldito, de Adélia Sampaio (1984)

13 – Dia dedicado às irmãs falecidas da Irmandade da Boa Morte, de Cachoeira/BA
14 – Nasce no Rio de Janeiro a cantora Eliana Leite da Silva - Eliana Pittman (1945)
14 – Nasce em Lansing, Michigan (EUA), o jogador de basquete Earvin Magic Johnson (1959)
15 – Nasce no bairro da Tijuca (RJ), o cantor e compositor Darcy Fernandes Monteiro - Darcy da Mangueira, autor entre tantos sucessos de "Quero Sim", "Memória do Compositor", "Santos Dumont", "Ao Poeta Cartola" e o antológico "Mundo Encantado de Monteiro Lobato". (1932)
15 – Independência do Congo (1960)
16 – Dia consagrado ao Orixá Obaluaê
17 – Nasce em Sant'ana, Jamaica, Marcus Mobiah Garvey - Marcus Garvey (1887)
17 – Nasce no bairro de Cavalcante (RJ), o compositor, integrante da Velha Guarda da Portela, Ildemar Diniz - Monarco, autor de sambas de sucesso como: "Tudo Menos Amor", "Amor de Malandro", entre outros (1933)
17 – Nasce na Rua João Vicente, subúrbio de Oswaldo Cruz (RJ), Antônio Candeia Filho - Candeia, cantor, compositor, um dos fundadores do GRANES Quilombo (1935)
17 – Independência do Gabão (1960)
18 – Nasce no Morro da Serrinha, em Madureira, (RJ), Eva Emely Monteiro, sambista, integrante da Escola de Samba Império Serrano, compositora, uma das principais integrantes do grupo de Jongo da Serrinha (1938)
19 – Nasce no Rio de Janeiro, Licínia da Costa Jumbeba - Tia Lili, neta mais velha de Tia Ciata, antiga porta-estandarte do Recreio das Flores (1885)
19 – Nasce no Rio de Janeiro a cantora Araci Teles de Almeida, Araci de Almeida (1914)

19 – Fundado em Belém/PA, o CEDENPA – Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará (1980)
20 – Fundação no Rio de Janeiro da Companhia de Dança Rubens & Barbot. (1990)
21 – Nasce nos Estados Unidos, o músico Willian "Count" Basie (1904)
21 – Ocorre no Condado de Southampton, Virgínia (EUA) a Insurreição de Nat Turner (1831)
22 – Fundação no Rio de Janeiro, do Comitê Brasileiro de Solidariedade aos Povos da África do Sul e Namíbia - COMÁFRICA (1985)
22 – A Lei n. 7.668 cria a Fundação Cultural Palmares, instituição pública vinculada ao Ministério da Cultura (1988)
23 – Nascimento de José Correia Leite, fundador do jornal O Clarim da Alvorada (1900)
23 – Nasce no Recife (PE), o harpista e professor de música, Felipe Benício Barboza (1722)
23 – É preso na Praça da Piedade em Salvador (BA), um dos líderes da Revolução dos Alfaiates ou Conjuração Baiana, o soldado Luís Gonzaga das Virgens (1798)
23 – Nasce em São Paulo (SP), o ativista da imprensa negra paulista, José Benedito Correia Leite (1900)
24 – Primeiro Congresso de Cultura Negra das Américas, na Colômbia (1977)
24 – Nasce no bairro da Saúde (RJ), o compositor e ritmista Raul Gonçalves Marques - Raul Marques, que teve sua fase áurea como compositor nos anos 40 (1913)
24 – Dia consagrado ao Orixá Oxumarê
24 – Realiza-se em Cali, Colômbia, o I Congresso de Culturas Negras das Américas (1963)
24 – Nasce em São Bernardo do Campo (SP), o atacante da Seleção Brasileira de Futebol Denílson de Oliveira (1977)

25 – Nasce em Santo Amaro (BA), Ana Célia da Silva, educadora e ativista do Movimento Negro (1940)

25 – Nasce em Salvador (BA), Luiz Orlando, um dos pioneiros do cineclubismo no Brasil. Dono de um dos maiores acervos de filmes negros do Brasil,

prestou assessoria na área, participou e organizou encontros e festivais de cinema, fundou cineclubes (1945)
26 – Nasce o compositor e integrante da Velha Guarda da Portela, Manacéa, autor, entre tantos sambas de sucesso, de "Quantas Lágrimas" (1922)
26 – Surge em São Paulo, o Jornal Mundo Novo (1950)
26 – Realiza-se em Alagoas o I Encontro Nacional do Parque Histórico de Zumbi, no terreiro onde Palmares existiu (1980)
26 – O atleta americano Frederick Carleton Lewis - Carl Lewis, cognominado "O filho do vento", ganhador de nove medalhas de ouro e uma de prata nas Olimpíadas e oito de ouro, uma de prata e uma de bronze em mundiais despede-se das pistas de atletismo, vencendo os 4x100m do Meeting de Berlim, Alemanha (1997)
27 – Nasce no Rio de Janeiro, a cantora Sandra Cristina Frederico de Sá - Sandra de Sá (1955)
28 – Realiza-se no teatro São Joaquim, em Goiás o Festival Abolicionista (1887)
28 – Nasce em Santa Cruz do Rio Pardo (SP) a atriz Jacira de Almeida Sampaio - Jacira Sampaio, famosa por interpretar a Tia Anastácia, do Sítio do Pica Pau Amarelo (1928)
28 – Realiza-se nos Estados Unidos a "Marcha sobre Washington" onde mais de 250 mil norte-americanos de diferentes formações religiosas e étnicas realizam a maior manifestação da história da capital da Nação a favor da integração racial (1963)
29 – Durante a batalha de Rhode Island nos Estados Unidos, uma companhia formada por soldados inteiramente negros sob o comando do Coronel Greene "se distinguiu por feitos de alto valor". (1778)
29 – Nasce em Vila Rica, hoje Ouro Preto (MG), o famoso escultor, Antônio Francisco Lisboa - Aleijadinho. (1730)
29 – Abolição dos escravos na ilha de São Domingos, atual Haiti. (1793)
29 – Nasce em Kansas City, Missúri (EUA), o músico Charlie "Bird" Parker. (1920)
29 – Nasce em Gary, Indiana (EUA) Michael Joe Jackson, o compositor e astro do Pop Michael Jackson (1958)
30 – Na Virgínia (EUA), mais de mil escravos chefiados por Gabriel Prosser e Jack Bowler marcham sobre a cidade de Richmond. Pela ação da milícia do Estado, dezenas foram presos e 35 executados (1800)
30 – O jangadeiro Francisco José do Nascimento, o "Chico da Matilde" e cognominado "O Dragão do Mar", lidera o movimento de jangadeiros no Ceará, impedindo o transporte de escravizados nas jangadas (1881)
30 – Nasce o cantor norte-americano Johnny Mathis (1935)
30 – Durante o III Encontro de Religiosos Negros, é solicitado à Santa Sé, através do cardeal ecumenista Willes Brands, a instituição do rito católico afro-brasileiro (1986)
31 – Nasce em Alagoa Grande (PB) o cantor e compositor José Gomes Filho - Jackson do Pandeiro (1919)
31 – Independência de Trindade e Tobago (1962)




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segunda-feira, 5 de março de 2018

Seminário "Panorama da implementação da Lei 10.639/03" - BA

FÓRUM SOCIAL MUNDIAL 2018
14 de março , às 19 h
16 de março, das 8:30 às 18 h

Durante os dias 14 e 16 de março de 2018, no Fórum Social Mundial (FSM), a “Campanha Fazer Valer as Leis 10.639/03 e 11.645/08” convida todos/as para debatermos, avaliarmos e construirmos ações educativas que contribuam para a efetivação da Lei nº 10.638/03. Apesar do evento ser voltado à Lei nº 10.639/03, será indispensável a presença de irmãs e irmãos indígenas para construirmos ações que também garantam a aplicação da Lei. 11.645/08.
Faça parte da Campanha e fortaleça esta rede de debates e trocas de experiências!


segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Curso de Inglês para Afro-brasileiros - BA


quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

domingo, 5 de novembro de 2017

O enterro do pai de santo (Rodney William)

Esta história introduz uma questão importante: a morte no Candomblé, sobretudo o direito aos ritos, nem sempre respeitado pelos familiares.

Ela tinha apenas nove anos quando foi tomada pela força de Iansã. Franzina ainda, corpo de menina. Tornava-se mulher ao som dos atabaques, dançando lindamente, flutuando com as mãos ao vento, espantando as forças nefastas, limpando o terreiro com seus brados de axé. Seu pai, o babalorixá, tinha mais de 40 anos quando a mãe a entregou antes de sair pelo mundo.
Era a filha, a herdeira. Era seu maior orgulho. E cresceu feliz com todas as outras crianças do terreiro. Sob o cuidado das velhas, suas tias, a quem dedicava respeito e obediência. O pai a preparava, era rígido, às vezes até exagerava. Era um amor, um dengo, mas não era fácil, não. E ela não contestava, era uma boa filha, era seu maior orgulho.
Na lida do candomblé ela cresceu. Estudou, se formou, foi trabalhar. O terrebem estruturado e exercer uma profissão lhe dava um grau de liberdade que a rigidez do ritual nem sempre permitia. Como o pai estava envelhecendo, passou a casa para o nome da filha, que nessa altura andava de namoro com um rapaz da vizinhança.
Um dia ela chega para o pai e conta que está grávida. O pai resistiu à ideia de casamento: “Cuido de você e do meu neto”. Mas ela estava apaixonada. Foi uma linda festa, com a certidão do cartório e a bênção dos orixás. Nasceu o neto e vieram os problemas: o marido não queria ouvir falar de candomblé, afastando a esposa e o filho do terreiro.
Para desgosto do velho pai de santo, com quase 70 anos, a família se converteu. A filha tão querida, sua herdeira, regida por Iansã, tornara-se evangélica. Um desgosto. Mesmo com todo o apoio da comunidade, com o carinho dos filhos e filhas de santo e da velha tia, a única que sobrara forte apesar dos mais de 80 anos, o pai de santo não conseguiu suportar. Entregou-se à tristeza, à dor e sucumbiu com um tumor no estômago.
A morte era esperada, mas o terreiro estava em choque. Quando a primeira quartinha foi emborcada, um misto de angústia e dúvida pairou como névoa: “O que será de tudo isso? O que será de nós?” Preocupações necessárias. Com a herdeira e única filha afastada, a continuidade do terreiro estava em xeque.
A velha tia tomou a frente. Reteve o choro, escondeu a dor e delegou a função de cada um: “Vai chorando e vai fazendo”. O corpo chegou e antes mesmo que fosse tirado do carro funerário, a filha cruzou o portão feito um raio, dura, irascível. “Pode parar”, gritou secamente. “Aqui não vai ter velório nenhum”. Os filhos de santo se revoltaram, os orixás se manifestaram, a vizinhança parou. A velha tia se manteve calma, não moveu os olhos, não franziu uma ruga.
A filha não vinha só, trazia o marido, o filho, o advogado, o pastor e os irmãos da igreja. Nem eram tantos, o pessoal do terreiro até podia resistir, mas ela tinha a escritura e a lei a seu favor. O velho pai morreu dizendo: “Você pode conhecer sua filha, mas você não sabe com quem ela vai casar”.
Discutiram, negociaram e chegaram a um acordo: a filha não tocaria no corpo e o povo do terreiro entregaria a chave e consentiria o velório no cemitério. Não era o que recomendava a tradição, em se tratando de um babalorixá daquela estatura, mas os atos religiosos estavam feitos e seria uma vergonha ver a filha colocar aquele terno preto no pai que viveu e morreu aos pés do orixá. A velha tia ponderou: “É melhor assim”. Seguiram para o cemitério municipal.
A filha prostrou-se ao lado do féretro e recebia com frieza e certo desdém os cumprimentos do povo do axé. Até os pais e mães de santo que a viram crescer, gente que veio da Bahia, do Rio de Janeiro, para se despedir daquele homem tão querido. Os vizinhos que conheciam bem aquela história e lamentavam a morte de um grande líder que sempre ajudou a todos.
A morte era triste, mas não era nada comparada àquela situação. Um velho amigo tentou fazer uma homenagem. “Aqui não vai ter cantoria”, repreendeu a filha. Meia hora antes do enterro, o padre passou para oferecer seus préstimos, ela o escorraçou. Mesmo depois de horas ao lado do caixão, continuava incólume, sem derramar uma lágrima.
Inconformados, os filhos de santo não acreditavam que depois de tanto esforço e luta para manter uma comunidade, tudo acabaria daquela forma. A velha tia seguia estática, num transe triste, introspectivo.
Chegou a hora do enterro. A filha chamou os irmãos da igreja, mas antes que pudessem pegar nas alças do caixão, as mãos fortes de seis ogans do terreiro o fizeram. A filha pensou em gritar, mas quando a voz da velha tia entoou o cântico, os ogans entenderam seu olhar e ergueram o caixão aos ombros. Um vento se desprendeu do vácuo, a filha rodopiou num giro abrupto e sentiu a força de Iansã. Em um segundo, uma multidão toda de branco tomou cada espaço.
Vieram todos os orixás, mas Iansã seguiu na frente. Sacudindo os braços, tremendo os ombros e abrindo caminho para o cortejo com sua rama de folhas de peregun. As tias da Bahia comentaram entre si:
– Oxê, mas ela não se converteu?
– Ela se converteu, mas Iansã não.
E aquele povo de branco, aquele tapete de paz e consolo, tomou conta das alamedas. Iansã se pôs na beira da sepultura, e quando o caixão bateu na terra, soltou seu brado estridente: “Hei...”, e também suas lágrimas, as lágrimas que sua filha tanto segurou.
O corpo retornou à terra, a multidão deu as costas e a vida seguiu. A filha despertou do transe, mas não conteve a tristeza. A velha tia juntou-se a ela. Choraram juntas.
– Bênção, minha mãe.
– Ô, minha filha, que pai Oxóssi te abençoe.
– Aqui tá a chave e a escritura. Vou em casa me trocar e já lhe vejo no terreiro.
– Vai, minha filha, vai que tem muito trabalho pela frente.
O marido tentou intervir, mas depois daquele olhar só teve coragem para dizer: “Vai, bem, deixa que eu tomo conta do pequeno”.

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Mesa Redonda na UFBA aborda a aplicação das leis 10.639/03 e 11.645/08


O evento acontecerá na Faculdade de Educação da UFBA, localizada no Vale do Canela, e faz parte da IX Semana de Integração do Curso de Pedagogia da UFBA (antiga calourada).
Essa mesa será nesta terça-feira, dia 03 de outubro de 2017, nos horários: 9h e 19h. 

CONVIDADOS:
Mesa de Abertura (9h):
- Profª. Drª. Ana Kátia Alves (FACED-UFBA);
- Prof. Me. Eduardo Miranda (FACED-UFBA);
- Taquari Pataxó (Liderança Indígena).

Mesa da Noite (19h):
- Prof. Dr. Gabriel Swahili (FACED-UFBA);
- Profª. Lorena Cerqueira (Educadora Social do Quilombo do Orobu);
- Profª. Tricia Calmon (Coordenadora Político-Pedagógica do Programa Corra pro Abraço).

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Lançamento do ebook "Da senzala ao palco: canções escravas e racismo nas Américas", de Martha Abreu - SP

As expressões musicais criadas por descendentes de africanos escravizados no Brasil e nos Estados Unidos, entre o final do século XIX e o início do século XX, são o tema do ebook Da senzala ao palco: canções escravas e racismo nas Américas, 1870-1930, de Martha Abreu. O livro é o terceiro volume da coleção Históri@ Illustrada, vinculada ao Centro de Pesquisa em História Social da Cultura (Cecult) e publicada pela Editora da Unicamp. O lançamento do ebook será no dia 18 de outubro (quarta-feira) na Livraria do Instituto de Estudos da Linguagem (IEL), às 16h30, na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Assista ao vídeo de apresentação do livro Da senzala ao palco.
No livro, a historiadora coloca em evidência a variedade da produção desses músicos negros, bem como o protagonismo alcançado por alguns deles ao participarem nos circuitos musicais e artísticos do período, em meio à construção de estereótipos racistas. Ao mesmo tempo em que a chegada das canções dos descendentes de africanos a esses ambientes musicais acarretava a reprodução de estereótipos sobre a população negra e os descendentes de africanos nas Américas, a presença e a visibilidade alcançada por certos músicos negros à cena musical e artística possibilitava a transformação dessas marcas racistas.
Ao mostrar a circulação dessa produção musical e, em especial, a trajetória de dois músicos, Eduardo das Neves (1874-1919) e Bert Williams (1874-1922), o livro contribui para a compreensão da história do racismo no campo musical.
História em livros digitais
A coleção Históri@ Illustrada tem como objetivo divulgar, em formato ebook, pesquisas nas áreas da História Social e da Cultura que utilizam documentos textuais, iconográficos e sonoros. O volume inaugural da coleção é Não tá sopa: sambas e sambistas no Rio de Janeiro, de 1890 a 1930, de Maria Clementina Pereira Cunha, e Estilo moderno: humor, literatura e publicidade em Bastos Tigre, de Marcelo Balaban.
Os livros da coleção são apresentados em dois formatos, adaptados a diferentes tipos de leitores de livros digitais – epub3 (om links internos para acesso a imagens, áudio e vídeo) ou e-pub2 (com links internos para acesso a imagens e externos para áudio e vídeo).
Diferentemente dos livros convencionais, os ebooks possibilitam a combinação de texto, imagem e som na análise historiográfica, assegurando ao leitor acesso direto, livre de mediações ou interferências, a fontes não textuais (como músicas, obras de arte, fotografias etc.), essenciais para esta área de estudos. A leitura, enriquecida com ilustrações capazes de dialogar com a narrativa, aumenta o envolvimento do leitor e torna-se mais acessível para o público não especializado.
Uma nova maneira de ler, ensinar e aprender
Cada livro da coleção Históri@ Illustrada é acompanhado por um vídeo disponível no YouTube, que condensa aspecto importante da obra e que pode ser utilizado por professores em sala de aula e outras ocasiões de discussão sobre o tema. Já estão disponíveis os vídeos dos livros Não tá sopa, intitulado Sambas e sambistas, e Estilo Moderno, cujo título éHumor, literatura e publicidade.

domingo, 3 de setembro de 2017

sábado, 5 de agosto de 2017

Fundação Joaquim Nabuco inscreve para cursos de História da África


A Fundação Joaquim Nabuco abriu inscrições para novas turmas de 3 novos cursos com a temática da história africana. Os cursos são História da África Contemporânea I: a África Negra do final do século XIX às primeiras décadas do século XX; História da África Contemporânea II: da crise do colonialismo aos dias atuais e História da África Contemporânea e Educação. 

Confira outras informações sobre cada um deles:http://ow.ly/LpNA30eaukU

FONTE: Fundação Joaquim Nabuco

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

segunda-feira, 31 de julho de 2017

UFU promove Curso de Formação "A Cor da Cultura" - MG

O Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros da Universidade Federal de Uberlândia(NEAB/UFU) considerando a aprovação no EDITAL 90 PROEXC/UFU/COMFOR/REDEUFU torna pública, pelo presente Edital, a realizaçãodo processo seletivo de profissionais da educação pública e membros do movimento negro para o Curso de Formação A Cor da Cultura, observadas as disposições contidas neste Edital e em seus Anexos.
4. DAS INSCRIÇÕES

4.1 Poderão se inscrever para o Curso de Formação a Cor da Cultura:
a) Educadores/as, profissionais da rede pública de educação básica, incluídos/as os/as
professores/as, educadores/as infantis, coordenadores/as pedagógicos, orientadores/as e
supervisores/as educacionais e diretores/as de escola;
b) Demais profissionais de apoio a educação das escolas, ativistas do movimento negro
e da luta anti-racista.

4.2 As inscrições ocorrerão do dia 26 de julho a 08 de agosto de 2017 com entrega
presencial dos documentos abaixo, em envelope lacrado, no Núcleo de Estudos AfroBrasileiros
da Universidade Federal de Uberlândia (NEAB), localizado no Campus
Santa Mônica (Bloco B - Sala 101) desegunda a quarta-feira das 08:00 às 11:00 horas,
segunda e quarta-feira das 14:00 às 17:00 horas, na sexta-feira das 08:00 às 11:00 horas
e das 14:00 às 17:00 horas.

1 - Formulário de inscrição. (Anexo 01);
2 - Cópia do RG;
3 - Cópia do CPF;
4 – Carta de motivação. (Conforme detalhado no item 2.4 deste Edital);
5 – Comprovação de vínculo com a escola da rede pública. (Conforme detalhado no
item 2.4, alínea b, deste Edital) – Anexo 02.

5º Seminário de Religiões Afro-brasileiras, Cultura, Arte e Saúde - BA


Inscrições abertas, mande mensagem solicitando a confirmação da inscrição.
Se for apresentar trabalho de pesquisa ou extensão mande um Resumo de 1 lauda e confirme.
Não percam!



domingo, 9 de julho de 2017

25 de julho: Marcha pela Vida das Mulheres Negras em Salvador - BA



Chegamos ao “Julho das Pretas”! Continuamos firmes em nosso propósito de nos fortalecermos cada vez mais para lutarmos contra o racismo, o machismo e a misoginia. 

Reverenciando o 25 de Julho - Dia da Mulher Afro-latino-americana e Caribenha, a Marcha das Mulheres Negras 2017 traz como tema “Pela Vida das Mulheres Negras”, destacando a necessidade de mais ações coletivas e políticas públicas que visem ao enfrentamento da violência recorrente e sistemática contra mulheres e meninas negras. 


Esta data, estabelecida durante o I Encontro de Mulheres Afro-Latino-Americanas e Afro-caribenhas, realizado em 1992, em Santo Domingo (República Dominicana), celebra as contribuições políticas, intelectuais, econômicas e socioculturais das mulheres negras para o desenvolvimento histórico do continente e reafirma a nossa luta contra a violação de direitos. Ao mesmo tempo, essa conexão entre mulheres negras dá força às vozes femininas na luta pela garantia de direitos.



Segundo o Mapa da Violência - 2015, em apenas 10(dez) anos, o número de casos de feminicídios envolvendo mulheres negras aumentou 54%, o que mostra o quadro dramático vivido por nós, mulheres negras, no Brasil. Essa situação de violência racista e misógina que se expressa de múltiplas formas: via extermínio, epistemicídio, racismo institucional, lesbofobia, etc. Dia 25 é dia de marcharmos, e é PELA VIDA DAS MULHERES NEGRAS que iremos às ruas.



Juntem-se a nós!



eBook Brincadeiras Africanas disponível para download

O e-book Brincadeiras Africanas para a Educação Cultural é uma obra vinculada ao Projeto de extensão LAAB, da UFPA.Qualquer parte desta obra poderá ser reproduzida desde que citada a fonte.
É proibida a venda por terceiros.

Clique AQUI para fazer o download

sábado, 8 de julho de 2017