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CALENDÁRIO NEGRO - JUNHO

1 – Inauguração no município de Volta Redonda (RJ) do Memorial Zumbi dos Palmares (1990)
2 – O pugilista Joe Louis conquista em Chicago (EUA) o título de Campeão Mundial de Boxe na categoria peso-pesado, ao nocautear James J. Bradock (1937)

3 – Nasce em Saint Louis, Missouri/EUA, Freda Josephine McDonald, a cantora e dançarina Josephine Backer (1906)

3 – Nasce em Campos dos Goytacazes (RJ), Ana Cláudia Protásio Monteiro, a Cacau Protásio, atriz e humorista (1975)
4 – Nasce no Rio de Janeiro (RJ), o compositor Anescar Pereira Filho - Anescarzinho do Salgueiro, autor do clássico samba-enredo "Chica da Silva" (1929)
5 – Dia Internacional de Solidariedade ao Povo Moçambicano
6 – Nasce na cidade de Salvador (BA), o ator, diretor cinematográfico e vereador Antonio Luiz Sampaio, Antonio Pitanga (1939)
7 – Publicação da Lei n. 420, Cap. III, Art. 2, proibindo escravos de aprender ofícios
7 – Nasce em Campos do Rio Real (SE), o filósofo, poeta e jurista Tobias Barreto de Menezes. Entre suas obras destacam-se: "Ensaios e Estudos de Filosofia e Crítica", "Dias e Noites", "Um discurso em mangas de camisa", "Introdução ao Estudo do Direito" (1839)
7 – Nasce no bairro da Saúde, Rio de Janeiro (RJ) a cantora e compositora Adiléia Silva da Rocha - Dolores Duran (1930)
7 – Nasce em São Paulo (SP), lateral-direito da Seleção Brasileira de Futebol, Marcos Evangelista de Moraes, Cafu (1970)
8 – Nasce no Alabama (EUA),
William "Willie" D. Davenport, atleta estadunidense, especialista em 110 metros com barreiras (1943)

8 – Nasce em Belford Roxo (RJ), Jorge Mário da Silva, o Seu Jorge, cantor, compositor e multi-instrumentista brasileiro (1970)

8 – Nasce em Atlanta (EUA), Kanye Omari West, o Kanye West, produtor musical, estilista e rapper que mais ganhou Grammy, 21 ao todo (1977)

9 – O centro-médio da seleção uruguaia de futebol José Leandro Andrade é o primeiro negro a conquistar uma medalha olímpica, ao derrotar a Seleção Suíça na final dos Jogos de Paris (1924)
10 – Aprovada a Lei Penal do Escravo, de 1835, instituindo: -
Art. 1º Serão punidos com a pena de morte os escravos ou escravas, que matarem por qualquer maneira que seja, propinarem veneno, ferirem gravemente ou fizerem outra qualquer grave offensa physica a seu senhor, a sua mulher, a descendentes ou ascendentes, que em sua companhia morarem, a administrador, feitor e ás suas mulheres, que com elles viverem.

11 – Nelson Mandela, Walter Sisulo, Elias Motsoaledi, Govan Mbeki, Raymond Mhlaba, Achmat Kathrada, Dennis Goldberg, Elias Motsoaledi são condenados a prisão perpétua (1964)
11 – Atendendo as reivindicações feitas pelo Centro de Estudos Afro – Orientais, em 1983, e das entidades negras em 1984, o então Secretário de Educação da Bahia, Prof. Edivaldo Boaventura assina a portaria n. 6068 incluindo nos currículos de 1º e 2º Graus a disciplina Introdução aos Estudos Africanos (1985)
12 – Nasce na Rua Santa Luzia (RJ), o compositor Paulo Benjamin de Oliveira, Paulo da Portela, o primeiro sambista a desempenhar as funções de relações - públicas de escola de samba, um dos fundadores da Escola de Samba Portela. Compôs : "Roleta", "Cidade Mulher", "Desprezo" (1901)
13 – Dia consagrado ao orixá Exu, no Rio de Janeiro, e Ogum, na Bahia. - Orixá mensageiro entre os homens e os deuses, seu elemento é o fogo. É associado à fertilização e a força transformadora das coisas. Espírito justo, porém, vingativo, nada executa sem obter algo em troca e não esquece de cobrar as promessas feitas a ele; a primeira oferenda é sempre sua. Seu dia é a segunda-feira. Cores: preto e vermelho e a saudação é Laroiê!
13 – Nasce em Porto Alegre (RS) Luciana Lealdina de Araújo - Mãe Preta (1870)
13 – Tem início o Congresso Internacional "Escravidão e Abolição" (UFRJ,UFF), em Niterói e no Rio de Janeiro (1988)
14 – Nasce no Rio de Janeiro o instrumentista e compositor Wilson das Neves (1936)
14 – Nasce no bairro de Triagem, Rio de Janeiro, o cantor e percussionista Carlos Negreiros (1942)

14 – Nasce em São Paulo Sueli Carneiro, feminista negra (1950)

14 – Nasce no Rio de Janeiro (RJ), Camila Manhães Sampaio, a Camila Pitanga, atriz e ex-modelo (1977)
15 – Henry O Flipper torna-se o primeiro negro graduado pela Academia Militar de West Point (1877)
15 – Nilo Peçanha assume a Presidência da República, no Brasil (1909)
16 – Dia Internacional de Solidariedade a Luta do Povo da África do Sul
16 – Massacre de Soweto (1976)
16 – Surge em Campinas (SP) o jornal Correio de Ébano (1963)

16 – Nasce em Nova Iorque (EUA), Tupac Amaru Shakur, também conhecido como 2Pac, Makaveli ou Pac, considerado o maior rapper de todos os tempos (1971)
16 – Criação no Rio de Janeiro, do NZINGA - Coletivo de Mulheres Negras (1983)
17 – Chega ao Rio de Janeiro, o pernambucano Hilário Jovino Ferreira - Lalau de Ouro, fundador do Rancho Rei de Ouro, o mais fecundo fundador de ranchos e sujos do carnaval carioca (1872)
17 – O Brasil reconhece a independência da Guiné – Bissau, primeiro país da chamada "África portuguesa" a se tornar independente (1974)
18 – Coreta Scott e Martin Luther King Jr. casam-se no Alabama (EUA) (1953)
18 – Nasce em Atibaia, o jogador de futebol Onofre de Souza, Sabará (1931)
19 – Nasce em
Hertfordshire (Inglaterra), Olajidi Olatunji, o KSI, comentador de games, dono do segundo canal mais acessado do Reino Unido, o KSIOlajideBT (1993)

20 – O líder, sul-africano, Nelson Mandela é aclamado por cerca de 800 mil pessoas nas ruas de Manhattan, Nova Iorque (EUA) (1990)
21 – Nasce na cidade de Salvador (BA), Luiz Gonzaga Pinto da Gama - Luiz Gama, escritor, fundador da imprensa humorística em São Paulo, advogado autodidata, conseguiu libertar nos tribunais, mais de quinhentos escravos fugidos (1830)
21 – Nasce no Morro do Livramento, Rio de Janeiro, Joaquim Maria Machado de Assis, poeta, romancista, crítico, contista e cronista, primeiro presidente da Academia Brasileira de Letras, autor de "A Mão e a Luva", "Memórias Póstumas de Brás Cubas", "Quincas Borba", "Dom Casmurro", entre outras obras (1839)
21 – É inaugurado no Largo do Aroche (SP), um busto em homenagem a Luís Gama, em homenagem ao seu centenário de nascimento (1930)
22 – Nasce em São Pedro, Caxias do Maranhão (MA), o ator, escritor, bailarino e diretor teatral Ubirajara Fidalgo da Silva - Ubirajara Fidalgo(1949)
23 – Nasce no Rio de Janeiro, a cantora Elza da Conceição Gomes - Elza Soares (1937)
23 – Realiza-se em Quibdó, Colômbia, o V Encontro da Pastoral Afro-americana (1991)
24 – Nasce na Vila São José, Encruzilhada do Sul, distrito de Rio Pardo (RS), João Cândido Felisberto, o "Almirante Negro", líder da Revolta da Chibata". (1880)
24 – Nasce o poeta Lino Guedes (1897)
24 – Nasce na cidade do Rio de Janeiro, o Marechal João Baptista de Mattos (1900)
24 – Nasce na Fazenda da Saudade, Marquês de Valença (RJ), Maria Joanna Monteiro, Vovó Maria Joana Rezadeira (1902)
25 – O presidente dos Estados Unidos Franklin D. Roosevelt assina o Decreto Executivo nº 8.802, em que reafirma a política de plena participação, no Programa de Defesa, de todas as pessoas, independentemente de raça, credo, cor ou origem nacional (1941)
25 – Fundação da FRELIMO - Frente de Libertação de Moçambique (1962)
25 – Independência de Moçambique (1975)
26 – Onze jovens moradores na Favela de Acari, subúrbio do Rio de Janeiro saem de casa e não mais retornam, nascendo então o movimento denominado Mães de Acari (1990)
26 – Independência da Somália (1960)
27 – Independência de Djibuti (1976)
27 – Nasce em Usina Barcelos, município de Campos (RJ), a atriz e cantora Maria José Motta - Zezé Motta (1944)
28 – Nasce em Santo Amaro (BA), Manuel Querino, estudioso das questões etnográficas e sociológicas relativas ao negro no Brasil (1851)
28 – Decreto sobre imigração determina que os asiáticos e africanos somente mediante autorização do Congresso Nacional poderiam ser admitidos nos portos da República (1890)
28 – Uma jovem negra é eleita pela primeira vez Miss Guanabara: Vera Lúcia Couto (1964)
29 – Independência de Sychelles (1976)
29 – Nasce em Salvador (BA) Gilberto Passos Gil Moreira, Gilberto Gil, cantor, compositor, integrante do movimento tropical Tropicália, autor de "Procissão", "Domingo no Parque", "Aquele Abraço", "Refavela", "Super Homem", entre outras músicas de sucesso(1942)
30 – Independência do Zaire (1960)
30 – Estreia no Teatro Rialto (RJ) com o espetáculo "Tudo Preto", a Companhia Negra de Revista (1926)
30 – Nasce nos Estados Unidos, o campeão mundial de boxe, Michael Gerald Tyson - Mike Tyson (1966)

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sábado, 30 de janeiro de 2010

Estudio sobre racismo y discriminación en el sistema de Justicia Penal Adolescente

CONVOCATORIA

La  Oficina  Regional  para  América  Latina  y  el Caribe del Fondo de  las Naciones  Unidas  para la Infancia (UNICEF) declara abierto el periodo para  presentar   propuestas  técnicas  y  financieras  para  la  realización del  Estudio  sobre  racismo  y  discriminación racial en el sistema de Justicia  Penal de Adolescentes

La  base  para  presentar  las  propuestas  se encuentra en los Términos de  Referencia adjuntos  a  esta convocatoria. El plazo para presentar ofertas  técnicas  y  financieras  es  el  10  de febrero de 2010.  La aplicación se realizará vía correo electrónico a la dirección  tacroproposal@unicef.org

En  el  asunto  señala  que  se  trata  de  la "propuesta justicia  penal de  adolescentes".

Cualquier pregunta sobre la convocatoria puede ser enviada a ajenkins@unicef.org

Agradecemos de antemano su interés por participar,

___________________________________
Alma Jenkins Acosta
Oficial de Programas Multipaís e
Iniciativas con Pueblos Indígenas y Afrodescendientes

UNICEF TACRO
Oficina Regional para América Latina y el Caribe
Tel:(507) 301-7488
Fax: (507) 317-0258
ajenkins@unicef.org
www.unicef.org

Juventude e Políticas Sociais no Brasil

A publicação, organizada pela Diretoria de Estudos e Políticas Sociais (Disoc) do Instituto de Pesquisa Econômica aplica da (Ipea), amplia e aprofunda a discussão de temas e questões cruciais para a compreensão da temática juvenil no âmbito da ação pública no Brasil.
 
Em 12 capítulos, a obra destaca o tema "juventude" associado a dimensões e problemas típicos do relacionamento entre o universo juvenil e a sociedade mais ampla: trabalho; desigualdade e discriminação; situações de fragilização social; oportunidades; papéis sociais; e práticas de consumo, entre outros.
 
O objetivo foi fornecer uma leitura da inserção desses temas na agenda das políticas públicas de corte social e contribuir para a compreensão do espaço que as políticas setoriais destinam aos temas e aos problemas da juventude. Com a identificação das lacunas e dos desafios na área, o livro contribui com subsídios para novos debates sobre os jovens brasileiros.
 
O livro pode ser acessado e baixado nesse site:
<http://www.ipea.gov.br/082/08201004.jsp?ttCD_CHAVE=3150>

Lançado do Rio dossiê sobre intolerância religiosa - RJ

As ações da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR) no Rio de Janeiro tiveram como consequência os registros de 17 casos em delegaciais de polícia em 2008 e 2009. Segundo o pesquisador Fabio Reis Mota, do Núcleo Fluminense de Estudos e Pesquisas ligado à Universidade Federal Fluminense (UFF), foi observada a existência de uma relação de proximidade entre vítima e agressor, que podem ser vizinhos, familiares ou colegas de trabalho.

Com o auxílio da sua colega Ana Paula Miranda, também da UFF, ambos pesquisaram inquéritos e processos, cujos agressores além das três classificações citadas pertencem a grupos religiosos denominados neopentecostais. Também ocorrem casos de intolerância religiosa em espaços públicos como escolas, destacou Reis Mota. Para ele, a atuação da CCIR tem sido muito importante para incentivar o registro na polícia, como também melhor caracterizar este tipo de delito, a fim de que possa ser precisamente registrado como intolerância religiosa e não como outro tipo de crime.

No âmbito do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, estão sendo acompanhados atualmente 35 casos relacionados à intolerância religiosa, informou o promotor de Justiça, Marcos Koc, que participa da CCIR. Koc ressaltou que a subrepresentação de registros encontrada pela pesquisa não significa que o número de casos seja pequeno. Lembrou que outros tipos de delito como roubo e furto também sofrem do mesmo problema, pois em muitos casos as vítimas acabam não registrando a ocorrência em delegacia policial.

A mesa de lançamento do dossiê foi coordenada pelo pedagogo Ivanir dos Santos (CEAP-RJ), também coordenador da CCIR e também a compuseram o delegado Henrique Pessoa, chefe do núcleo que na polícia civil fluminense cuida dos casos de intolerância religiosa e o advogado da CCIR, Carlos Nicodemos. Santos destacou o relevante papel desempenhado pela imprensa na divulgação não apenas das atividades da CCIR como também na veiculação de matérias sobre intolerância religiosa.

O evento de lançamento do dossiê aconteceu no auditório do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro que prestou o seu apoio através de sua Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial (Cojira). Durante toda esta quinta-feira (21/01/10) a CCIR realizou diversas atividades na Cinelândia motivadas pelo Dia Nacional contra Intolerância Religiosa instituído há cerca de três anos por lei federal.
(Miro Nunes-Cojira-17h30m).

Coordenação Cojira-Rio: Angélica Basthi, Miro Nunes e Sandra Martins.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Instituto Steve Biko abre inscrições para cursinho pré-vestibular - BA

PERIODO DAS INSCRIÇÕES -  de 26 de janeiro a 24 de fevereiro de 2010
LOCAL DAS INSCRIÇÕES – Sede do Instituto Cultural Steve Biko
ENDEREÇO – Rua do Paço, nº 04 – Largo do Carmo – Pelourinho
HORÁRIO PARA AS INSCRIÇÕES – 2ª a 6ª feira das 14:00 às 18:00as
VALOR DA INSCRIÇÃO – R$ 20,00 (vinte reais) (valor referente ao processo de seleção inicial, entrevista e prova)
DOCUMENTOS NECESSÁRIOS PARA A INSCRIÇÃO:
RG. e CPF – documentos originais;
Comprovante de residência ( recibo de água, luz, telefone recente);
Comprovante de conclusão do Ensino Médio ou comprovante de matricula caso esteja cursando o último ano do Nível Médio;
01 foto 3X4 atual.
VAGAS – Inicialmente serão oferecidas 70 vagas para o turno NOTURNO.
SELEÇÃO – O processo seletivo acontecerá em 02 etapas sendo:
1ª etapa uma entrevista classificatória;
2ª etapa uma prova classificatória com assuntos de: Português (15 questões), Matemática (15 questões), Conhecimentos Gerais (15 questões) e Redação ( com no mínimo 20 linhas). DATA - 28 de fevereiro a partir das 08:30hs com local a confirmar.
DATAS DAS ENTREVISTAS
Entrevistas – de 23 a 27 de fevereiro no horário das 18:30 e 20:00hs.
RESULTAO FINAL DO PROCESS0 -  03 de março de 2010 às 14:00hs
PERIODO DA MATRICULA -  de 03 a 12 de março de 2010 das 08:00 às 12:00 e das 14:00 às 18:00hs, segunda a sexta-feira.
INÍCIO DAS AULAS – 15 de março de 2010,  horário noturno – 19:00 às 22:00hs de 2ª a 6ª feira e aos sábados das 13:30 às 17:30 horas.
VALOR DO CURSO:
O valor total do curso para o período  março a novembro é de R$ 500,00 (quinhentos reais)
MODALIDADES DE PAGAMENTO:
No ato da matricula R$ 100,00 (cem reais) mais 08 parcelas de R$ 50,00 (cinqüenta reais) , ou
Entrada de 100,00 (ato da matricula) mais parcela ÙNICA de R$ 300,00 (trezentos reais) desconto de 20% do valor total.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Brasil é tema do último episódio da série censo e afrodescendentes


Reportagem explora a importância do censo para levantamento das condições de vida dos afro-brasileiros, produção de indicadores socioeconômicos e definição de políticas de enfrentamento ao racismo
 
Clique aqui para conferir os horários de exibição da série

Ações afirmativas nas universidades brasileiras, violência contra a juventude negra e políticas de igualdade racial. Esses são os assuntos da última reportagem da série “As Américas têm cor: Afrodescendentes nos Censos do Século XXI”. A produção é da TV Brasil/Canal Integración e vai ao ar amanhã (29/1) na TV NBr, Tv Senado e TV Câmara, no Brasil, e para emissoras de 14 países das Américas. Entrevistas de estudantes universitários que entraram pelo sistema de cotas, ativistas do movimento negro, governo brasileiro e Nações Unidas revelam a importância do censo para a obtenção de dados raciais e definição de políticas de enfrentamento ao racismo.
 
Tema de grande evidência na sociedade brasileira, as políticas de ação afirmativa são apontadas como um dos vetores para a reversão da desigualdade racial. Desde 2004, cerca de 40 universidades federais e estaduais adotaram o sistema de cotas raciais para negros e indígenas. A reserva de vagas para negros nas universidades foi uma das propostas apresentadas pelo governo brasileiro na III Conferência Mundial de Combate ao Racismo, promovida pela ONU (Organização das Nações das Unidas), em 2001.
 
A classificação racial nos censos brasileiros e a autodeclaração etnicorracial também são abordadas na reportagem. Pesquisadores do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia Estatística) e do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) falam sobre indicadores socioeconômicos, projeções sobre a redução da desigualdade racial no Brasil e impactos das políticas públicas na vida da população negra. Este é um dos pontos explorados pela reportagem na entrevista com o ministro Edson Santos, da Seppir (Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial).
 
Violência racial
A vulnerabilidade da juventude negra à violência é o terceiro aspecto da reportagem. A ausência de políticas específicas expõe em quase três vezes mais um jovem negro a ser assassinado no Brasil em relação ao jovem branco, como verificou, em 2009, estudo do Observatório de Favelas, da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República e do UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância). 
 
Em março do ano passado, análise do IPEA com base em informações do sistema de dados do Sistema Único de Saúde apontou que os jovens negros são as maiores vítimas da violência urbana no país. Em cada 100 mil habitantes vítimas de homicídio, 74,8 são jovens negros. O fenômeno da violência racial é comentado pela realidade de Salvador em entrevista de Vovô do Ilê Aiyê.
 
Afrocenso na TV
A série “As Américas têm cor: Afrodescendentes nos Censos do Século XXI” estreou em 8 de janeiro de 2010. Retratou a expectativa dos afro-uruguaios para o censo, a participação no mercado de trabalho e as políticas públicas de combate ao racismo. Abordou a preparação dos afro-equatorianos para o censo e os efeitos do plano plurinacional para eliminar a discriminação racial, e as condições de vida dos afro-panamenhos e os preparativos para o censo deste ano.
 
Idealizada pelo Grupo de Trabalho Afrodescendentes das Américas Censos de 2010, em junho de 2009, a série de reportagens atende o objetivo de informar a população das Américas sobre a rodada dos censos 2010-2012. As reportagens são veiculadas pelo sistema público de televisão brasileiro – NBr, TV Brasil, TV Câmara e TV Senado -, e uma rede de emissoras associadas de televisões públicas e privadas de 14 países americanos: Argentina, Brasil,Chile, Colômbia, Costa Rica, El Salvador, Equador, Estados Unidos, Guatemala, Honduras, México, Peru, Uruguai e Venezuela.
 
A série “As Américas têm cor: Afrodescendentes nos Censos do Século XXI" é resultado da parceria entre Canal Integración/Empresa Brasil de Comunicação, Grupo de Trabalho Afrodescendentes das Américas Censos de 2010 e UNIFEM Brasil e Cone Sul, por meio do Programa Regional de Gênero, Raça e Etnia desenvolvido no Brasil, Bolívia, Guatemala e Paraguai.
 
Confira aqui a grade de programação do telejornal América do Sul Hoje do Canal Integración

CANAL INTEGRACIÓN
Clique aqui para ver a lista de operadoras a Cabo que distribuem o sinal do Canal Integración
VERSÃO PORTUGUÊS:
SEXTA – 20:30 (Estreia)
SABADO – 02:00 – 08:00 – 14:00 – 20:00
DOMINGO – 01:00 – 07:00 - 13:00 – 19:00
VERSÃO ESPANHOL:
SEXTA – 23:00
SÁBADO – 05:00 – 11:00 – 17:00
DOMINGO – 03:30 – 09:30 – 15:30 – 21:30
SEGUNDA – 04:00 – 10:00 – 16:00 – 22:00

TV SENADO (Clique ao lado para ver a cobertura por Estado: TV a Cabo, Parabólica, UHF, Internet, TV por Assinatura)
DOMINGO - 7:00

 TV CÂMARA (Clique ao lado para ver a cobertura por Estado)
SEXTA - 22:30
DOMINGO - 11:00
SEGUNDA - 12:30

TV NBR (Clique ao lado para ver cobertura por Estado:)
SEXTA - 22:00h
SÁBADO - 08:30 – 12:30 – 00:00
DOMINGO - 11:00 – 19:30
SEGUNDA – 08:30 - 16:30

TV COMUNITÁRIA DE BELO HORIZONTE
(24 horas pela Internet, Canal 6 - Net e Canal 13 - Way)
SEGUNDA: 21:00
* HORÁRIO DE BRASÍLIA

  
UNIFEM Brasil e Cone Sul 
http://twitter.com/unifemconesul

Exposição Impressões Afro-brasileiras - BA



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quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Roda de diálogo sobre intolerância religiosa - BA




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terça-feira, 26 de janeiro de 2010

XIII Curso Avançado em Estudos Étnicos e Raciais "Fábrica de Idéias 2010" - BA

Patrimônio, memória e identidade é o tema da 13ª edição do Curso  Internacional Fábrica de Idéias. Em 2010, o nosso objetivo será refletir sobre os processos de patrimonialização da cultural material e imaterial de minorias étnico-raciais, sobretudo no Sul do mundo - um lugar caracterizado pelo relativo pequeno número de museus e arquivos, considerando as dinâmicas, os impactos e as conseqüências desse processo na construção e no fortalecimento das identidades étnico-raciais e na política da diversidade. Interessa-nos debater o tema, especialmente, a partir de uma perspectiva comparativa Sul-Sul, assim como nos interessa refletir criticamente sobre as políticas de arquivo existente nos países do hemisfério norte. Focalizaremos a relação estabelecida entre os museus, os arquivos e as memórias relacionadas aos processos identitários num contexto determinado por transformações tecnológicas.

Onde: Centro de Estudos Afro-orientais/UFBA
Quando: 5 a 23 de julho de 2010
Inscrições: 15/01 a 10/03/2010
Vide Informações: www.fabricadeideias.ufba.br

Campanha de ajuda aos haitianos - BA



Em solidariedade às vítimas do terremoto do Haiti e atendendo a uma solicitação do IBRAM (Instituto Brasileiro de Museus), o Museu Afro-Brasileiro da UFBA está recebendo donativos de alimentos não perecíveis que serão recolhidos e encaminhados pela Cruz Vermelha.
As pessoas interessadas em contribuir com as doações deverão entregá-las na portaria do Museu, no endereço abaixo:

 Faculdade de Medicina – Terreiro de Jesus
 Centro Histórico
 Tel: 3283 5540 / 5541
 Horário de funcionamento do Museu: de segunda a sexta das 9:00 às 18h

 Agradecendo a colaboração de todos,
 Coordenação do MAFRO

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Aulão de Dana Afro na Escola de Dança da FUNCEB - BA

No próximo dia 28/01, das 16 às 18h, na sala 01, da Escola de Dança da Fundação Cultural do Estado-Pelourinho. Acontecerá mais uma “Aulão de Afro”, promovido pelas Professoras Tatiana Campelo e Vânia Oliveira. O evento contará com a participação de outros profissionais da área e será mais um momento de trocas de experiências e representação de parte da diversidade que forma o universo das Danças Afros Baianas.

Serviço
O que? “Aulão de Afro”.
Onde? Na sala 01 da Escola de Dança da Fundação Cultural do Estado- Rua da Oração, Terreiro de Jesus/Pelourinho.
Quando? Dia 28/01 (quinta-feira).
Que horas: das 16h às 18h.
Investimento? R$ 5,00 para estudantes da casa e R$10,00 para estudantes visitantes.

Obs: Solicitamos que cheguem com 30min de antecedência, para realizar a inscrição e evitarmos superlotação na sala.
  

sábado, 23 de janeiro de 2010

Haiti: O Terremoto como uma Evidência da Hipocrisia da Desfaçatez Mundial

Márcio Luis Paim (1)
Janeiro de 2010

O terremoto que atingiu o Haiti no último dia 12 de Janeiro, até o momento, apresenta-se como a “grande tragédia” do início do ano de 2010. Este acontecimento está servindo para demonstrar a hipocrisia e a desfaçatez de muitos daqueles – países e indivíduos - que agora procuraram desencarregar suas consciências enviando “ajuda humanitária” para as vítimas haitianas.

Assim como muitas das atuais repúblicas latino-americanas, a escravidão não foi uma exceção da antiga São Domingos, posteriormente, denominada Haiti (2). Centro de disputas que envolveram Espanha, Inglaterra, Holanda e França (3) durante a transição do período escravista para o período republicano na América Latina, a república de São Domingos foi o principal produtor e fornecedor de açúcar para o ocidente, após a decadência da produtividade brasileira. Sob colonização francesa, São Domingos representou interesses estratégicos que envolveram, por exemplo, a disputa pela liderança no Velho continente entre a França e a Inglaterra, as duas principais potências daquele período.

Sabemos da relação intrínseca entre escravidão e violência e que o próprio sistema escravista em si, apresentou-se como uma das principais formas de violência, ou talvez, a principal violência da época moderna. Nesse sentido não podemos esquecer as violências que a Espanha, uma das potências ocidentais que primeiro ocupou o território de São Domingos, - bastião da civilidade – perpetrou, primeiro sobre as populações indígenas nativas, e posteriormente sobre as populações africanas escravizadas. Assim:

* Os espanhóis, o povo mais adiantado da Europa daqueles dias, anexaram a ilha, à qual chamaram de Hispaniola, e tomaram os seus primitivos habitantes sob sua proteção. Introduziram o cristianismo, o trabalho forçado nas minas, o assassinato, o estupro, os cães de guarda, doenças desconhecidas e a fome forjada ( pela destruição dos cultivos para matar os rebeldes de fome). Esses e outros atributos das civilizações desenvolvidas reduziram a população nativa de estimadamente meio milhão, ou talvez um milhão, para sessenta mil em quinze anos. (JAMES, 2000, p19).

No caso dos africanos escravizados:

* Os escravos recebiam o chicote com mais regularidade e certeza do que recebiam comida. Era o incentivo para o trabalho zelador da disciplina. Mas não havia engenho que o medo ou a imaginação depravada não pudesse conceber para romper o ânimo dos escravos e satisfazer a luxúria e o ressentimento de seus proprietários e guardiães: ferro nas mãos e nos pés; blocos de madeira, que os escravos tinham que arrastar por onde fossem; a máscara de folha de lata para evitar que eles comessem a cana-de-açúcar, e o colar de ferro. O açoite era interrompido para esfregar um pedaço de madeira em brasa no traseiro da vítima; sal, pimenta, cidra, carvão, aloé e cinzas quentes eram deitadas nas feridas abertas. As mutilações eram comuns: membros, orelhas e, algumas vezes, as partes pudendas para despojá-los dos prazeres aos quais eles poderiam se entregar sem custos. Seus senhores derramavam cera quente em seus braços, mãos e ombros; despejavam o caldo fervente da cana nas suas cabeças; queimavam-nos vivos: assavam-nos em fogo brando; enchiam-nos de pólvora e os explodiam com uma mecha; enterravam-nos até o pescoço e lambuzavam as suas cabeças com açúcar para que as mocas as devorassem; amarravam-nos nas proximidades de ninhos de formigas ou de vespas; faziam-no comer seus próprios excrementos, beber a própria urina e lamber a saliva dos outros escravos. Um senhor ficou conhecido por, em momentos de raiva, lançar-se sobre seus escravos e cravar os dentes em suas carnes. (JAMES, 2000, p.27).

A oposição dos africanos escravizados, sob a liderança de Toussain L’Ouverture, Dessalines e Christophe a essas formas - e outras não citadas devido a questão do espaço - sistematizadas de violência fez de São Domingos não apenas a primeira independência da América Latina, mas principalmente, o que é mais importante, a primeira independência dirigida por indivíduos de cor em nível planetário, naquele momento. Duas observações importantes devem ser feitas: a primeira delas está relacionada com o período cronológico da independência de São Domingos, 1803, segundo Ciryl Lion James.


Ao analisarmos detidamente esta data, percebemos que o ano de 1803 está separado por apenas dois anos do início do século XIX que se inicia em 1801 e se finda em 1900. Ao seguir a historiografia ocidental, as evidências apontam para o século XIX como o século da biologização das idéias, ou seja, o momento onde a biologia através da construção do conceito de raça (4), explicava – ou tentava – as diferenças entre os grupos humanos. Essa tentativa de explicar a diversidade intergrupal planetária foi responsável pela construção de uma pirâmide hierárquica onde as populações de cor e suas correlatas tinham seu espaço condicionado à base. Logo, não é difícil imaginar o impacto e os receios que a revolução do Haiti trouxe para um universo “supostamente dominado pela raça branca”.

A segunda observação, é que parte significativa da violência perpetrada no Haiti sobre os africanos escravizados e que desembocou na revolução de Toussain foi levada a cabo pelo “exemplo” de civilização do século 18, a França. Inspiradora dos princípios da “LIBERDADE, IGUALDADE E FRATERNIDADE” entre os povos do ocidente, a França sob a governança de Napoleão Bonaparte, retardou ao máximo o fim da escravidão em São Domingos, futuro Haiti, na intenção de preservar seus interesses geoestratégicos na disputa pela liderança européia com a Inglaterra. O papel e o espaço que Napoleão ocupa na historiografia ocidental devem ser repensados, principalmente se considerarmos as atrocidades cometidas em São Domingos para a preservação dos interesses franceses. Logo, Napoleão dever ser visto como um criminoso e não apenas como o herói difusor dos princípios da revolução.

* Napoleão criminoso? Imagine só! A idéia é tão chocante quanto a palavra. Dizem que o número de livros escritos a respeito dele é igual a o número de dias que se passaram depois de sua morte. Será que nenhum desses livros trata de seus crimes? Muitas dessas obras se destinam às crianças. Seria possível que o criminoso lhe servisse de exemplo? E os tratados de história nada diriam a respeito disso? E todos esses institutos, fundações e associações que se apegam ruidosamente à perpetuação da memória do imperador: seria possível imaginar que os eminentes acadêmicos que os sustentam teriam coragem de louvar um culpado? E que dizer dos filmes, no cinema, na televisão, realizados com altas somas de dinheiro público proveniente dos impostos ou de adiantamento sobre a receita, que fazem de Napoleão um herói sem defeitos, um modelo para os franceses? (...) (RIBBE, 2008, p.9).

E ainda

* O crime de que falo é precisamente o que foi cometido a partir de 1802 contra os africanos e as populações de origem africana deportados, escravizados e massacrados nas colônias francesas. Nelas, Napoleão restaurou a escravidão e o tráfico que a revolução havia colocado fora da lei oito anos antes. E como a resistência dos haitianos, após a luta heróica dos guadalupenses, tornou impossível a aplicação do seu programa na principal daquelas colônias, a de Saint-Domingue, ele perpetrou massacres (...) (RIBBE, 2008, p.10)

Após a sua independência e o advento dos séculos posteriores a ex-colônia de São Domingos pagaria o preço de ter sido não somente a primeira independência da América Latina, mas por ter sido a primeira independência comandada por populações africanas escravizadas.

O século XX no Haiti

Após a revolução haitiana e a abolição da escravidão a relação indissociável à cultura da cana-de-açúcar apresentou-se como sério obstáculo o desenvolvimento da nação haitiana. Enquanto parte significativa das nações independentes do continente procurava diversificar suas produções na tentativa de acompanhar o avanço industrial, a economia do Haiti permanecia insustentável. Após a independência, durante 150 anos aproximadamente, os haitianos levaram a cabo os planos de Toussain tentando construir uma réplica da nação francesa nas índias ocidentais encontrando um profundo obstáculo. A economia haitiana sem qualquer tipo de ajuda financeira tornou-se condicionada à subsistência.

Este condicionamento, além de resultar em um declínio econômico, abriu brechas às futuras desestabilizações políticas que levaram a intervenções militares no país, só que naquele momento – 1913 – não foram mais os militares franceses que tentavam restabelecer a escravidão e colocar em ordem a colônia de São Domingo e sim as baionetas dos fuzileiros navais norte-americanos que através da emenda Platt (5), consolidavam a idéias da doutrina Moroe (6). Após a primeira guerra mundial e durante o período entre guerras a república independente do Haiti foi sacudida por diversas intervenções militares norte americanas.

É imprescindível destacar que essas intervenções foram responsáveis pela formação de uma elite militar subserviente aos interesses norte-americanos que por sua vez não hesitaram em apoiar – para a preservação dos seus interesses – uma das mais cruéis e sanguinárias ditaduras latina americanas. Um exemplo ilustrativo para a existência e atuação da referida elite militar foram as ditaduras de François Duvallier (Papa Doc) e Jean Claude Duvallier (Baby Doc) que se constituiu como um dos governos mais corrupto, sanguinário, clepitomanos, locupletadores, não apenas do Haiti, mas de toda América Latina e do mundo.

Toda essa sórdida orgia política, naqueles anos de ditadura familiar, teve apoio incondicional do governo estadunidense, evidenciado posteriormente na concessão de asilo político aos responsáveis pelo estabelecimento de tais ditaduras. É importante frisar que com o fim da escravidão no Haiti, a república recém independente foi condicionada a uma monocultura de subsistência de cana-de-açúcar num momento em que parte considerável do continente americano lançava as bases para uma industrialização que evidenciaria sua eficiência nas décadas de 1950 e 1960. Com a drástica redução do espaço ocupado pela cana-de-açúcar no mercado internacional e a concorrência dos produtos industrializados, a situação do Haiti agrava-se profundamente no decorrer do século XX.

O imenso êxodo rural, associado à falta de planejamento urbanístico, dificultado pelo condicionamento haitiano a monocultura, resultou em um país sem as condições mínimas de saneamento básico e infra-estrutura necessária a uma convivência social mínima. Escolas, hospitais, Universidades, são apenas alguns dos principais itens de uma estrutura ausente. Lixo nas cidades, deficiência de segurança alimentar em primeiro lugar seguido de uma segurança pública inexistente, fizeram do Haiti um país impossível de se viver. Com tantas deficiências, a sorte da primeira república negra das Américas e do mundo não podia ser outra, senão, a do país mais pobre da América Latina e um dos mais pobres do mundo compartilhando suas estatísticas com algum dos países africanos, considerados os mais pobres do mundo.

O mais interessante disso tudo é que desde o estabelecimento do condicionamento do Haiti a situação de pobreza a qual o país se encontra – considerando o período anterior ao terremoto - o Haiti permaneceu “algemado, extorquido e assassinado”, sem que nenhum tipo de humanidade fosse demonstrado – como agora se tenta demonstrar - por qualquer indivíduo ou governo que fosse. A população haitiana permaneceu sem infra-estrutura, saneamento básico, vivendo como bicho em meio a ratos, lixo, esgoto, fome, doenças, conservando altos índices de analfabetismo e desnutrição sem que nenhuma campanha de “ajuda humanitária” fosse organizada por quem quer que seja, governos, instituições dentre outros dotados destas possibilidades.

Os indivíduos desinformados, por conveniência ou não, sobre a história e a situação do Haiti, nunca procuraram saber sobre esta geografia. Recentemente ouvi de uma pessoa – estudada – que o Haiti ficava na África, assim como, se localiza também a Jamaica para muitos! Isso é só para se ter uma idéia do espaço que a história do Haiti ocupa em um país onde 45% de seu contingente populacional é afro-descendente (7). O que se pode esperar de um terremoto que atinge sete pontos na escala Richter em um país nas condições citadas no parágrafo anterior? Não podemos nos esquecer que muitas instituições e indivíduos que neste momento estão a enviar “ajuda humanitária” ao povo haitiano são os responsáveis pela lastimável situação do país.

Segundo a Folha de São Paulo, versão on-line, do dia 13/1/2010, “chefe da ONU libera US$ 10 milhões de dólares e diz temer centenas de mortos”. Engraçada a preocupação do chefe da ONU, só após o terremoto ele teme pelas centenas de mortos! E os milhares de mortos do Haiti que a escravidão vitimou no seu período de vigor? E os milhares de mortos haitianos vítimas da falta de infra-estrutura durante todo o tempo que o Haiti esteve na miséria, será que causa ou causou algum temor em alguém? Esses homens conhecem a história, eles sabem do passado desses países, não podemos ser ingênuos em achar que estas pessoas não conhecem a história! Também no dia 13/1/2010 outra manchete hipócrita. “Após tremor banco mundial enviará US$ 175 milhões em ajuda ao Haiti”. Durante todo esse tempo de miséria e caos o banco mundial, sob a ordem estadunidense, sempre proibiu e condicionou empréstimos ao povo haitiano com os “ajustes fiscais” que todos nós sabemos como funciona. Que belo exemplo de humanidade do banco mundial neste momento, não acham?

Os exemplos de solidariedade humana com o Haiti não param por aqui! A união européia, bloco econômico o qual estão inseridos Espanha, Inglaterra, França e Holanda, diga-se de passagem, as antigas potências coloniais que durante séculos disputaram o controle de São Domingos, diante de toda a calamidade haitiana a União européia estudou durante alguns dias quais seriam os prós e contras em enviar a tão necessária “ajuda humanitária”. Segundo a Folha de São Paulo, versão on-line, em 17/1/2010: “União européia estuda ajuda de 100 milhões de euros ao Haiti”. Porém o exemplo mais ilustrativo da hipocrisia e desfaçatez mundial veio na manchete publicada no dia 14/1/2010: “Sarkozy quer reunir Obama e Lula para coordenar ação no Haiti”.

Imaginem só, o presidente da França – logo a França! – que durante o período colonial através do medo e do terror de Napoleão e seu código negro (8), prolongou o máximo de tempo que pôde a preservação da escravidão no Haiti! A França que nos dias correntes apresenta-se como um dos países europeus onde as leis de emigração são as mais radicais de todo o continente europeu, inclusive com os haitianos e africanos e árabes! A França onde o “outro”, ou seja, o pertencente a outra cultura, sempre pareceu uma “ameaça”. Finalmente, a França, um país onde, segundo o Jornal A Tarde do dia 22/3/2001: “Maioria dos franceses se declara racista”.

Finalizando os exemplos ilustrativos da “humanidade” e o do “humanitarismo” ocidental a matéria do dia 17/1/2010 constitui-se como uma aberração: “Bill Clinton e George Bush unem força para salvar o Haiti”. Como comentado anteriormente, desde as primeiras intervenções militares estadunidense no Haiti, o governo americano foi conivente com o fortalecimento de uma elite militar subserviente aos seus interesses geoestratégicos. Estes militares monopolizaram o poder praticamente durante todo o século XX, sem esquecer as ditaduras de François Duvallier (Papa Doc) e Jean Claude Duvallier (Baby Doc) que possuíram um forte apoio americano. A possibilidade de uma posterior “quebra” do monopólio dos militares apresenta-se na proposta levantada pelo partido lavalas (9) e pelo teólogo Jean-Bertrand Aristide nos anos 90, proposta derrubada pelo governo de George Bush (pai), o mesmo que agora une-se a Bill Clinton para “ajudar” o Haiti.

Moral da História: Sarkozy, Bush, França, ONU, Banco Mundial, muitas dessas instituições, governos e indivíduos, sempre souberam da situação calamitosa da sociedade haitiana, porém, nenhum deles jamais moveu uma palha se quer para reverter o sofrimento do povo, muito pelo contrário, sempre exigiram do Haiti aquilo que eles sempre souberam que o país não poderia dar. A conclusão que as evidências apontam com o terremoto do Haiti é que: mais do que uma ajuda humanitária, a tragédia haitiana tem servido para o desencargo de consciência de todos os citados, mais ainda, tem servido para mascarar as intenções políticas por trás de tais ajudas humanitárias. Mais doloroso ainda é que muitos de nós – desinformados – ficamos emocionados ao ver personalidades, instituições, governos e indivíduos fazendo caridade (10) a um povo que eles próprios condicionaram à miséria. Não nos enganemos com as falsas “ajudas humanitárias” às vítimas haitianas!

Devemos também, penso, antes de nos emocionarmos ter a certeza de quanto desse imenso recurso financeiro que tem sido anunciado para “ajudar” o Haiti chegará realmente, pois, pela situação do Haiti e quantidade de dinheiro que tem sido anunciado na mídia, daria não apenas para reconstruir o Haiti, mas tirar a primeira nação negra das Américas do caos. Não percamos tempo para refletir sobre essas questões, temos que fazê-lo rápido, pois, em algumas semanas o Haiti sairá da mídia. Afinal de contas o carnaval está chegando e para os senhores da informação – e muitos de nós – não há motivos para sofrer tanto - se a vida já é um sofrimento! - principalmente se for para sofrer – em um momento tão feliz como o carnaval - junto com aqueles que, fenotipicamente são tão diferentes da elite nacional!
____________________

1 - MÁRCIO LUIS PAIM é aluno do Programa Multidisciplinar em Estudos Étnicos e Africanos do Centro de Estudos Afro-Orientais da Universidade Federal da Bahia.
2 - De acordo com a enciclopédia Mirador “Haiti” significa “terra entre montanhas” devido a sua geografia ser cercada por grandes cadeias montanhosas.
3 - JAMES, C.L.R. Os jacobinos negros: Toussaint L’Ouverture e a revolução de São Domingos. São Paulo: Boitempo editorial, 2000.
4 - BANTON, Michael. A idéia de raça. Lisboa: edições 70, 1977; BAMSHAD, Michael J e OLSON, Steve. E. Ambigüidades que limitam uma definição de raça. Scientific American, Brasil, nº16, pp.68-75, edição especial genoma o código da vida, 2006.
5 - BANDEIRA, Luiz Alberto Muniz. A formação do império americano: da guerra contra a Espanha à guerra contra o Iraque. Rio de Janeiro: civilização brasileira, 2006.
6 - Idem.
7 - Ver http://www.ibge.gov.br/home/
8 - RIBBE, Claude. Os crimes de Napoleão: atrocidades que influenciaram Hitler. Rio de Janeiro: Record, 2008.
9 - ARISTIDE, Jean-Bertrand. Todo homem é um homem. Rio de Janeiro: Paz e terra, 1995.
10 - GOODY, Jack. O roubo da história: como os europeus se apropriaram das idéias e invenções do oriente. São Paulo: Editora contexto, 2007

SEMUR promove Roda de Diálogo sobre intolerância religiosa - BA

No dia 21 de janeiro, comemora-se o Dia Municipal de Combate à Intolerância Religiosa, instituído através da Lei Municipal nº 6.464 de 2004. A Secretaria Municipal da Reparação e o Conselho Municipal das Comunidades Negras convidam para participar da Roda de Diálogo sobre a Intolerância Religiosa. Este ato terá como tema: “Por qual caminho você vai ao Pai?

    
DATA: 29 de janeiro de 2010(sexta-feira)
HORÁRIO: 13 às 18 h.
LOCAL: Auditório da Faculdade Olga Mettig – Rua da Mangueira, nº 33 - Nazaré
Contatos: Tel 4009-2604/2605

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Especialização gratuita em Relações Étnico-raciais e Educação - RJ

Prezadas e prezados,
 
Com muita satisfação, o Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (CEFET/RJ) publica o edital de seleção de candidatos à segunda turma do curso de pós-graduação lato sensu "RELAÇÕES ETNICORRACIAIS E EDUCAÇÃO: UMA PROPOSTA DE (RE)CONSTRUÇÃO DO IMAGINÁRIO SOCIAL.
 
O Edital pode ser encontrado no sítio do CEFET/RJ (http://www.cefet-rj.br/ ), na página da Diretoria de Pós-Graduação (http://dippg.cefet-rj.br/  ;    http://dippg.cefet-rj.br/index.php?option=com_content&view=article&id=94%3Acursospgls&catid=23%3Acolat&Itemid=70&lang=br ).
 
Lembramos que o curso é TOTALMENTE GRATUITO.
 
Por gentileza, ajudem-nos com a divulgação.
 
Seguem as informações que constam no Edital:

PROCESSO SELETIVO PARA PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU:
RELAÇÕES ETNICORRACIAIS E EDUCAÇÃO: UMA PROPOSTA
DE (RE)CONSTRUÇÃO DO IMAGINÁRIO SOCIAL
 
O Diretor-Geral do Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca –
CEFET/RJ, no uso de suas atribuições, torna público o presente Edital, contendo as normas
referentes ao processo seletivo para o Curso de Pós-graduação Lato SensuRelações Étnico-
Raciais e Educação: Uma Proposta de (Re)Construção do Imaginário Social, a ser
oferecido no CEFET/RJ – Avenida Maracanã, 229 – MARACANÃ – RIO DE JANEIRO
 
TÍTULO 1 – DO PROCESSO SELETIVO

1.1  O processo de seleção estará aberto para portadores de diploma de curso superior completo, das mais diversas áreas, reconhecido por órgão competente.
1.2 O processo seletivo compreenderá três etapas distintas:
A. Análise da validade dos documentos – de caráter eliminatório;
B. Análise do Curriculum Vitae comprovado – de caráter classificatório;
C. Prova escrita: Produção de texto argumentativo, de caráter classificatório.
Bibliografia básica para a prova escrita:
b) Diretrizes Curriculares Nacionais para Educação das Relações Etnicorraciais e para o
Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana
7D_AFRO-BRASILEIRA.pdf );
c) "Que negro é esse na cultura negra?". In: HALL, Stuart. Da diáspora – Identidades
e mediações culturais. BH: Editora UFMG, 2006. p. 317-330
1.3 O exame de seleção acontecerá no dia 04/03/2010, às 18h 30min, nas dependências do
CEFET/RJ, em sala(s) a ser(em) informada(s) no site da COLAT (Coordenadoria de Pós-
Graduação Lato Sensu), http://dippg.cefetrj.
br/index.php?option=com_content&view=article&id=68&Itemid=70&lang=br, após o
dia 01/03/2010 ou na Secretaria da DIPPG, exclusivamente no dia do exame.
1.4 O exame terá duração máxima de 2h (duas horas).
1.5 O candidato deverá apresentar-se no local da prova às 18h, munido do seu Cartão de
Inscrição e documento de identidade.
1.6 Após o início do exame de seleção não será permitida a entrada de nenhum candidato ao
local em que o mesmo será realizado.
1.7 O candidato só terá acesso ao(s) tema(s) a ser(em) desenvolvido(s) no momento da
produção do texto.
1.8 Não será permitido consultar nenhum tipo de material no momento do exame.
1.9 A seleção dos candidatos será realizada por uma Banca Examinadora, especialmente
designada para tal fim e constituída de servidores pertencentes ao quadro permanente de
docentes do CEFET/RJ e/ou profissionais que atuarão no curso proposto.
1.10 A análise do Curriculum Vitae e do texto argumentativo será realizada,
respectivamente, com base nos documentos apresentados, comprovados, e na capacidade de
produção de texto expressa pelo candidato. A avaliação dos candidatos obedecerá a critérios
que constam no Anexo 1 deste edital.
1.11 Não será permitida a permanência de crianças no espaço em que a prova escrita será
aplicada. A candidata que tiver necessidade de amamentar durante a realização das provas
deverá levar acompanhante que ficará em sala reservada para essa finalidade e será
responsável pela guarda da criança. A candidata que não levar acompanhante não realizará
as provas.
 
 
 
 
TÍTULO 2 – DAS VAGAS OFERECIDAS
 
2.1 Serão oferecidas 35(trinta e cinco) vagas.
2.2 O preenchimento das vagas do curso obedecerá rigorosamente à classificação final, até se
completar o número total das vagas oferecidas.
2.3 O CEFET/RJ se reserva o direito de não preencher todas as vagas previstas neste edital.
 
TÍTULO 3 – DAS INSCRIÇÕES
 
3.1 As inscrições serão realizadas na secretaria da DIPPG/CEFET/RJ, no período de 01/02/2010
a 11/02/2010, de segunda-feira a sexta-feira, na primeira semana, e de segunda-feira a quintafeira,
na segunda semana, entre 8h e 16h. Avenida Maracanã, 229 – Bloco E-506 – Telefones
(021) 2566-3179 (Secretaria da Pós-Graduação).
3.2 No ato da inscrição, o candidato (ou seu representante legal) deverá apresentar:
• Ficha de inscrição devidamente preenchida, a ser obtida no endereço eletrônico
• Original e cópia da carteira de identidade;
• Original e cópia do CPF;
• Original e cópia do título de eleitor e comprovantes de votação na última eleição;
• Duas fotos de tamanho 3x4, recentes, em bom estado, não digitalizadas;
• Original e cópia do diploma de graduação (frente e verso) ou, em caráter provisório, da
declaração de conclusão do curso, se o diploma ainda estiver em processo de expedição
(no caso de apresentação de declaração, a cópia deverá, obrigatoriamente, ser
autenticada em cartório);
• Original e cópia do histórico escolar do curso de graduação;
• Curriculum Vitae, com cópias de documentos comprobatórios da formação e/ou
experiência anexados, elaborado de acordo com o modelo a ser obtido no endereço
eletrônico http://www.cefet-rj.br; (documentos comprobatórios de Títulos, Atividades
de Magistério, Atividades Profissionais não Docentes e Produção acadêmica
relacionada à área do Concurso deverão ser entregues em envelope separado em que
conste claramente o nome do candidato. Os documentos comprobatórios devem ser
dispostos na mesma ordem em que aparecem no Curriculum Vitae).
 
TÍTULO 4 - DAS INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES
 
4.1 Os candidatos não selecionados deverão retirar seus documentos no mesmo lugar onde
efetuaram a inscrição, no prazo máximo de 60 (sessenta) dias, contados a partir da divulgação
dos resultados. Após este prazo, o CEFET/RJ não mais se responsabiliza pelos documentos
entregues.
4.2 A lista de classificados será divulgada pela internet, em http://www.cefet-rj.brno dia 08 de
março de 2010. Nesta mesma data, iniciam-se as matrículas para o curso. As matrículas serão
realizadas na secretaria da DIPPG, entre os dias 08/03/2010 e 12/03/2010, entre 8h e 16h.
4.3 Caso haja algum tipo de problema técnico ou imprevisto, o resultado será afixado na
secretaria de pós-graduação do CEFET/RJ.
4.4 Resultados e informações NÃO serão fornecidos por telefone. Todas as informações
inerentes à matrícula serão oferecidas no dia 08/03/2010 no sítio do CEFET/RJ ou na Secretaria
da DIPPG.
4.5 Serão considerados desistentes os candidatos classificados que não efetivarem a matrícula
no prazo estabelecido e, para ocuparem suas vagas, serão convocados os candidatos
imediatamente subsequentes da lista de classificados.
 
TÍTULO 5 – DAS DISPOSIÇÕES GERAIS
 
5.1 A inscrição do candidato implica conhecimento e aceitação das normas e condições
estabelecidas neste Edital e em seus anexos, não sendo aceita alegação de
desconhecimento.
5.2 O exame de seleção só terá validade para o curso que será iniciado em 2010.
5.3 Os casos omissos neste Edital serão resolvidos pelo Diretor-Geral do CEFET/RJ,
ouvida a Comissão de Seleção.
 
Rio de Janeiro, 19 de janeiro de 2010
 
Miguel Badenes Prades Filho
Diretor-Geral do CEFET/RJ

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Seminário: “A cultura HIP HOP – Políticas públicas para a juventude e produção cultural - BA


(Clique na imagem para ampliá-la)

Nesta sexta-feira 22 de janeiro de 2010
Local: Forte de Santo Antonio Além de Carmo – forte da Capoeira
14h - “Políticas públicas e o universo hip hop”
Palestrante: Márcia Guena (Jornalista, mestre em América Latina, pesquisadora de temas ligados ao ativismo negro e fundadora do Jornal do Beiru)
15h - “Produção cultural em Salvador”
Palestrante: Nelson Maca, professor do curso de Letras da UCSal, coordenador do coletivo Blackitude
16h – Experiências da Rapaziada da Baixa Fria e os elementos do hip hop
Participação dos grupos Independente de Rua, Opanijé, Os Agentes; os grafiteiros Zezé e Marcos Costa; o MC Markão II, do grupo paulista DMN, e DJ Q.A.P.

Debate "O Levante Malê e os reflexos na conjuntura atual" - BA


 (Clique na imagem para ampliá-la)

Debatedores:
Ubiratan Castro de Araújo
Gilberto Leal
Yedo Ferreira
SheiK Ahmad

Dia: 25/01/2010, segunda-feira
Horário: 17:30
Local: CEAO

Workshop sobre elaboração de projetos culturais - BA

A Fundação Pedro Calmon capacita interessados em  participar dos editais de Literatura, Leitura, Cultura Negra e LGBT
 
A Secretaria de Cultura através da Fundação Pedro Calmon (FPC) promove, no dia 26 (terça-feira), das 8:30h às 11h, Workshop sobre elaboração de projetos culturais para os Editais da FPC, no auditório da Biblioteca Pública do Estado da Bahia, nos Barris. Para participar, os interessados devem fazer a inscrição preferencialmente através do telefone (71) 3116-6844, ou enviando e-mail para editais.fpc@fpc.ba.gov.br,  informando nome completo, e-mail, telefone e edital de interesse.
A oficina pretende capacitar escritores, artistas, produtores, gestores culturais e demais interessados na elaboração dos editais da área de Literatura e Leitura, que são: Apoio a edição de livros de literatura de autores baianos; apoio a edição de coleção de livros de autores baianos; apoio a criação literária e de incentivo a leitura. Estes Editais estão com inscrições abertas até o dia 18 de fevereiro. Já para os da área de Culturas Identitárias: cultura negra e culturas LGBT, o prazo para inscrição vai até o dia 8 de fevereiro.
A FPC disponibiliza um link com as perguntas mais freqüentes para tirar as dúvidas sobre os editais, além de informações que podem ser obtidas na própria sede, por telefone ou e-mail. O workshop é mais um canal de comunicação criado para facilitar a participação do público interessado nos editais. “Vamos explicar o preenchimento dos formulários do inicio ao fim e mostrar quais são os principais motivos que inabilita o projeto”, diz Iramaia Rosa, coordenadora da área de editais da Fundação Pedro Calmon. Rosa adianta que, dentre as principais causas que prejudicam os participantes podendo resultar em eliminação, estão: modificar os formulários originais, não entregar todos os documentos solicitados, preencher incorretamente o Orçamento Físico-Financeiro e passar de 20% o custo com divulgação.
Os editais, com o regulamento e os respectivos formulários para inscrição dos projetos, bem como as instruções para preenchimento e o modelo de relatório para prestação de contas, estão disponíveis no site www.fpc.ba.gov.br
 
Serviço
O que: Workshop sobre elaboração de projetos culturais – Editais da FPC
Quando: Dia 26 de janeiro (terça-feira), das 8h30 às 11h
Onde: Biblioteca Pública do Estado da Bahia. (Rua General Labatut, nº 27, Barris, 3º andar,  Salvador-Bahia)
 
Mais informações:
ASCOM Fundação Pedro Calmon:  (71) 3116-6918/6919
 

Haiti, que ajuda?

OMAR RIBEIRO THOMAZ
OTÁVIO CALEGARI JORGE
ESPECIAL PARA A FOLHA, EM PORTO PRÍNCIPE


O TERREMOTO no Haiti, que afetou de forma particularmente arrasadora sua capital, foi há cerca de uma semana. O pouco de um Estado já frágil foi destruído, a missão das Nações Unidas foi incapaz de ir além de resgatar seus próprios mortos e feridos, a ajuda internacional tarda, e o que vemos são haitianos ajudando haitianos.
Entre quarta-feira e sábado, caminhar pelas ruas do centro de Porto Príncipe e de Pétionville era observar o civismo dos haitianos que, muitas vezes, e como nós, sem entender claramente o que havia acontecido, procuravam cuidar dos feridos, resgatar aqueles que ainda estavam vivos sob os escombros, e dispor de seus mortos. O que vimos foi, de um lado, solidariedade, de outro a ausência quase que total e absoluta das forças da ONU e da ajuda internacional.
Por quê? Afinal, a Minustah não estava no Haiti há cerca de seis anos e não dizia estar agindo no sentido de estabilizar o país e reconstruir o Estado haitiano? Quando nos perguntávamos do porquê da demora de disponibilizar comida e remédios já no aeroporto de Porto Príncipe para as centenas de milhares de pessoas que se aglomeravam nos campos de refugiados improvisados por todos os lados, a resposta era que não existiam canais locais capazes de serem mobilizados para a tarefa.
Homens e mulheres que tinham vindo para ajudar, e as coisas que traziam, se aglomeravam num aeroporto controlado por forças militares americanas, como se de uma operação de guerra se tratasse.
Após seis anos no Haiti, aqueles que diziam que estavam ali para reconstruir o país, não tinham entendido nada, ou muito pouca coisa. Quando fomos às praças e campos de futebol transformados em campos de refugiados, eram as "dame sara", mulheres que controlam as redes comerciais existentes no país, que garantiam o acesso dos haitianos a produtos; eram aquelas que cozinham na rua, "chein jambe", que ofereciam galinha, espaguete, arroz, feijão e verduras aos haitianos e haitianas aglomerados; eram caminhões pertencentes a empresários locais que distribuíam água potável. Haitianos ajudando haitianos.
Por que não aproveitar esta energia e estas redes existentes para fazer chegar a ajuda? Por desconhecimento, talvez, ou talvez por duvidar de sua eficácia, ou da possibilidade de uma vítima ser mais do que uma vítima passiva à espera de ajuda.
O desconhecimento, no entanto, é duvidável. Em nossa visita ao batalhão brasileiro da Minustah, horas antes do terremoto, pudemos ver na apresentação do coronel João Bernardes um extremo conhecimento do funcionamento da sociedade haitiana. Infelizmente, a falta de ajuda parece estar mais ligada às disputas internacionais pelo controle do futuro do povo haitiano do que à emergência da situação.
Sim, os haitianos são vítimas, mas estão longe da passividade: pra cima e pra baixo, entre as "dame sara" e o "chein jambe", vimos jovens escoteiros removendo entulho, jovens pedido ajuda com alto-falantes, médicos haitianos dando atendimento aos feridos nas ruas, freira haitianas prestando os primeiros socorros quando possível. Paralelamente, o aparato da Minustah, cerca de 5.500 militares de diferentes nacionalidades, ou estava parado, ou mobilizado na atenção dos próprios quadros da ONU.
Os haitianos ajudam haitianos, a ONU ajuda a ONU.

Culpas internacionais
Duas reações foram recorrentes nos dias que se seguiram aos terremotos. Uma, talvez a mais primária, era a de responsabilizar a natureza. A outra, a de responsabilizar os próprios haitianos pelo caos que sucedeu ao cataclismo. Afinal, foram incapazes de construir um Estado e, por isso, são incapazes de reagir.
Ambas as reações são perversas. Não estamos só diante de um cataclismo natural, mas também de uma catástrofe social. E o desmantelamento do Estado haitiano não é responsabilidade exclusiva dos haitianos, muito pelo contrário. País com pouca margem de manobra no contexto caribenho ao longo das décadas de Guerra Fria, viu as grandes potências apoiarem uma ditadura regressiva e particularmente violenta; concomitantemente, e especialmente a partir do fim dos anos 1970 e ao longo dos anos 1980, o Haiti, como tantos outros países, foi vítima de profissionais engravatados que aplicavam a mesma receita em qualquer lugar: desregulamentação, estado mínimo, livre comércio.
Foram as pressões do FMI e do Banco Mundial que obrigaram o Haiti a desproteger a produção de arroz no início dos anos 1980. O Haiti era, até então, autossuficiente em arroz.
Em pouco tempo não só se viu obrigado a importar este produto, como massas de camponeses foram expulsas do campo para a capital do país, aglomerando-se em habitações precárias, as mesmas que foram abaixo com o terremoto. Tal como ocorreu com o arroz, o cimento também foi afetado. Antes era produzido no país, e desde finais de 1980 foi importado dos EUA, o que obrigou os haitianos a fazerem uso de tijolos pobremente produzidos com areia. Tais tijolos são frágeis e acabam afetando a própria condição das construções. E podemos seguir adiante para demonstrar que o desmantelamento do Estado haitiano foi obra da "comunidade internacional".
Somente uma crítica sistemática ao próprio caráter da ajuda internacional nas últimas décadas poderá ajudar o Haiti a sair de um atoleiro que não foi construído apenas por ele. O que pudemos observar, além da passividade da própria comunidade internacional, capaz de mobilizar mundos e fundos, mas incapaz de conversar com as "dame sara" para imaginar uma saída criativa para a distribuição da ajuda, foi um movimento mais do que preocupante.
Milhares de soldados americanos ocupam, mais uma vez, o país, como se houvesse uma situação de guerra civil, e o Brasil, já imerso há seis anos em toda essa lama, entra no circo das potências que querem "ajudar" o Haiti.
Sem termos presente o fato de que o Haiti é um país soberano, e que os haitianos não são vítimas passivas de catástrofes naturais, dificilmente sairemos do circulo de pobreza e miséria criada pela própria "comunidade internacional", no qual o Brasil ocupa um trágico lugar central.

OMAR RIBEIRO THOMAZ, 44, é professor de antropologia da Unicamp; OTÁVIO CALEGARI JORGE , 21, é estudante de ciências sociais na mesma universidade.