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CALENDÁRIO NEGRO – JULHO

1 – Nasce em São José do Rio Pardo (SP), o militante político, Geraldo Rodrigues dos Santos - Geraldão (1923)
1 – Fundação em São Paulo do Clube Negro de Cultura Social (1932)
1 – Independência da Somália (1960)
1 – Independência da Ruanda (1960)
1 – Independência do Burundi (1962)
1 – Nasce no Estado do Alabama (EUA),
Willian Frederick Carlton 'Carl' Lewis, o atleta Carl Lewis, tetracampeão olímpico de uma prova individual em quatro edições consecutivas (1961)
2 – Independência da Bahia (1823)

2 – Nasce na província de Kasai, Congo "Belga", República Popular do Congo, Patrice Lumumba (1925). Lutou pela independência e pela unidade do território. Em 1960, com a independência tornou-se primeiro - ministro
2 – As mulheres negras denunciam no Congresso das Mulheres Brasileiras realizado no Rio de Janeiro, a degradação de serem consideradas objetos de prazer (1975)
2 – Nasce em Campos (RJ), o cantor e compositor Wilson Batista de Oliveira, autor entre outros sucessos de "Casinha Pequenina", "Louco", "Nega Luzia", "Acertei no Milhar" (1913)
3 – Nasce no Rio de Janeiro, o poeta, repentista, Laurindo José da Silva Rabelo - Laurindo Rabelo, autor entre outras obras de "O meu segredo", "A linguagem dos tristes", "Adeus ao mundo" (1826)
3 – Aprovada a Lei Afonso Arinos, que inclui entre as contravenções penais a prática de atos resultantes de preconceito de raça ou de cor (1951)
3 – Independência da Argélia, África (1962)
4 – O tenista norte-americano Arthur Ashe vence em Wimbledon (1975)
5 – Nasce no Recife (PE), o músico Manoel de Almeida Botelho. (1721)
5 – Nasce na Fazenda da Agulha, Trajano de Morais, (RJ), a cantora e compositora Carmelita Madriaga - Carmem Costa (1920)
5 – Independência de Cabo Verde (1975)

6 – Nasce Alzira Rufino, ativista do Movimento Negro e no Movimento de Mulheres Negras (1949)
6 – Nasce em Jacarepaguá (RJ), José Luiz de Moraes - Caninha, que dividiu com "Sinhô" a honra de ser autor dos maiores sucessos populares da década de 1920. Compôs: "Vou me vingar", "Condor Brasileiro", "Batucada", entre outros . (1881 ou 1883 - data imprecisa)
7 – Lançamento público do Movimento Unificado Contra a Discriminação Racial nas escadarias do Teatro Municipal (SP) Foi lida a Carta Aberta à Nação contra o Racismo . Mais tarde, passou a ser chamado de Movimento Negro Unificado/MNU (1978)
7 – Nasce no Rio de Janeiro, Marcelino José Claudino, o Tio Maçu, um dos fundadores da Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira e seu primeiro mestre-sala. (1889 ou 1899 - data imprecisa).
7 – Independência de Malawi. (1965)
7 – Nasce em São Paulo (SP), o lateral-esquerdo da Seleção Brasileira de Futebol, José Roberto da Silva, Zé Roberto. (1974)
7 – Dia Nacional de Luta contra o Racismo.
8 – O americano Willian De Hart Hubbard competindo no salto a distância nos Jogos de Paris, torna-se o primeiro negro a conquistar uma medalha de ouro olímpica individual (1924)
8 – Fundação do Instituto de Pesquisas da Cultura Negra (IPCN), Rio de Janeiro (1975)
9 – Na formulação de uma política geral para o serviço militar, pouco depois que o General Washington assume o comando, fica decidido que não era necessário o serviço dos negros. É emitida uma ordem aos oficiais de recrutamento para que não alistassem "qualquer desertor das fileiras do clero, vadio, negro, ou vagabundo ou qualquer pessoa suspeita de ser inimiga da liberdade da América e nem qualquer um com menos de 18 anos de idade." (EUA) (1775)
10 – Abolição da escravatura negra na província do Amazonas. (1884)
10 – Nasce na Praça Mauá, Rio de Janeiro, o ator e diretor Ivan de Almeida. (1938)
10 – Nasce no Rio de Janeiro o cantor, compositor e integrante do grupo Golden Boys, Renato Corrêa, autor de "Casaco Marrom", "Canção de Esperar" (Renato Corrêa e Rossini Pinto), entre outros sucessos. (1944)
10 – Independência das Bahamas (1973)
11 – Nasce em Campinas (SP), o compositor Antônio Carlos Gomes (1834)
11 – Nasce em Florianópolis (SC), Antonieta de Barros, escritora, educadora, deputada constituinte por Santa Catarina em 1935 (1901)
11 – No estádio de Wembley, em Londres, Inglaterra, foi realizado o Freedom Festival, grande espetáculo musical, dedicado a Nelson Mandela, além de representar mais um protesto contra o "apartheid' (1988)
12 – Nasce no Rio de Janeiro(RJ) o compositor Nilton Bastos (1899)

12 – Nasce em Aracaju (SE), Maria Beatriz Nascimento, a historiadora, professora, roteirista, poeta e ativista pelos direitos humanos de negros e mulheres Beatriz Nascimento (1942)
12 – Independência de São Tomé e Príncipe (1975)
12 – O jogador de futebol Edson Arantes do Nascimento, Pelé é eleito por indicação de jornalistas de 19 países, atleta do século (1980)

12 – Nasce no Rio de Janeiro (RJ) José Bispo Clementino dos Santos, o cantor Jamelão, famoso intérprete dos sambas-enredo da Mangueira (1913)
13 – Abolição da escravatura no território de Northwest (EUA) (1787)
13 – Nasce em Paquetá (RJ), o compositor, músico, organizador e regente de várias bandas do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro, Anacleto Augusto de Medeiros. Compôs quadrilhas, valsas, choros, além de músicas sacras (1866)
14 – Sai o primeiro número do Jornal "A Liberdade" em São Paulo (1919)
14 – Nasce em Juiz de Fora (MG), Décio Antônio Carlos - Mano Décio da Viola, um dos maiores compositores de samba do Rio de Janeiro, autor de "Apoteose do Samba", "Heróis da Liberdade", "Exaltação a Tiradentes", entre outros sambas de sucesso (1909)
14 – Fundação no Rio de Janeiro do Grupo Afro-Brasileiro Alaafin Aiyê (1987)
14 – Criado o Conselho Consultivo do Programa Nacional do Centenário da Abolição da Escravatura, com a finalidade de acompanhar as atividades da Comissão do Programa Nacional do Centenário da Abolição, formado por intelectuais e artistas ligados à luta pela questão do negro em todo o país. Portaria Ministerial 314 de 14/07/87, Diário Oficial 16/07/87 (1987)

14 – Nasce no Rio de Janeiro (RJ) Aizita Nascimento, primeira miss negra do Brasil. Sua participação no Miss Guanabara, concurso em que ficou em 6º lugar, abriu um precedente para a exaltação e valorização da beleza e auto-estima da mulher negra (1939)
15 – Nasce em Duala, Camarões, o guitarrista Francis Bebey (1929)
15 – Nasce em São José do Rio Preto (SP) o maestro, compositor e instrumentista Paulo Gonçalves de Moura - Paulo Moura (1932)
15 – Tem início em Esmeralda, Equador, a I Conferência sobre a Mulher Negra nas Américas (1984)
16 – Nasce na antiga Rua Ceará, atual Marechal Rondon, bairro de São Francisco Xavier, (RJ), a cantora Elisete Moreira Cardoso - a "Divina" Elizeth Cardoso (1920)
16 – O Papa Pio XI declara Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil (1930)
16 – Nasce na Bahia, o quarto-zagueiro Zózimo Alves Calazans, campeão do Mundo nas Copas de 1958 e 1962 (1932)

16 – Nasce no Rio de Janeiro/RJ, Djalma de Andrade, o instrumentista e cantos Bola Sete (1923)
17 – O Presidente dos Estados Unidos Abrahan Lincoln torna lei uma medida que dava liberdade a todos os escravos vindos de senhores rebeldes em territórios ocupados pela União (1862)
17 – Nasce no Rio de Janeiro o jogador e técnico de futebol Carlos Alberto Torres (1944)
17 – Na Cidade do Cabo, África do Sul, grupos policiais invadem o campus da universidade e impedem a realização de um concerto de rock e jazz em homenagem a Nelson Mandela. (1988)
17 – O ator Grande Otelo recebe o título de Cidadão Paulistano (1978)
18 – Nasce perto de Umtata, capital da reserva de Transkei, África do Sul, Nelson Mandela, um dos maiores nomes do nosso século. (1918)
18 – O jogador de futebol Edson Arantes do Nascimento, Pelé, faz seu jogo de despedida da Seleção Brasileira de Futebol. (1971)
19 – A cantora americana Josephine Baker alcança enorme sucesso em sua apresentação em Paris. (1925)
19 – Nasce no Rio de Janeiro, o ensaísta, historiador, escritor, Joel Rufino dos Santos (1941)
20 – Nasce em Fort-de-France, Martinica, o médico, escritor Frantz Fanon (1921)
20 – Nasce em Campos (RJ) o cantor e compositor Dermeval Miranda Maciel - Roberto Ribeiro. (1940)
20 – Nasce no Morro do Salgueiro, o compositor Geraldo Soares de Carvalho - Geraldo Babão.
20 – Fundação em Porto Alegre (RS), do Grupo Palmares (1971)
21 – Nasce no bairro de Botafogo (RJ) Jovelina Faria Belfort, a cantora e compositora Jovelina Pérola Negra (1944)
21 – Nasce, no Rio de Janeiro (RJ), o compositor Luiz Carlos Batista - Luiz Carlos da Vila, autor, entre outras obras, de "Kizomba, a festa da raça", samba - enredo campeão do carnaval do Centenário da Abolição, em 1988 (1949)
21 – Albert J. Luthuli, líder político africano, recebe o Prêmio Nobel da Paz (1967)
21 – Tem início em Argel, o Festival Cultural Pan-Africano (1969)

22 – Nasce no Rio de Janeiro, o músico, cantor e compositor, ritmista, administrador de empresa e sambista, Elton Antônio Medeiros - Elton Medeiros, autor de "O Sol Nascerá", "Recomeçar", "Vida", "Onde a dor não tem razão" (Elton Medeiros e Paulinho da Viola) entre outros sucessos (1930)
23 – O atleta olímpico brasileiro, Adhemar Ferreira da Silva, conquista em Helsinque, Finlândia, a medalha de ouro no salto triplo com a marca de 16,22m superando o recorde mundial da prova (1952)
24 – Nasce em Villers-Cotterets, França, o escritor Alexandre Dumas, autor de "Os Três Mosqueteiros", "O Conde de Monte Cristo", "Os Irmãos Corsos", entre outras obras. (1802)
25 – Nasce em Recife(PE), Solano Trindade, poeta, pintor, teatrólogo, ator e folclorista, fundador da Frente Negra Pernambucana, do Centro de Cultura Afro-Brasileiro, para divulgação de artistas negros, e do Teatro Popular Brasileiro (1908)
25 – É organizada em Silver Bluff (EUA), por oito escravos, a I Igreja Batista Negra da América (1778)
25 – Realiza-se no Teatro São Luiz, no Rio de Janeiro a primeira conferência abolicionista contando com a presença do Maestro Carlos Gomes (1880)
25 – Nasce em Niterói (RJ), o compositor e instrumentista, Alcebíades Barcelos, o Bide (1902)
25 – Nasce no Rio de Janeiro (RJ), o cantor, compositor e artista plástico, Nelson Matos - Nelson Sargento (1924)
25 – Dia da Mulher Afro-latino-americana e Caribenha
26 – Dia consagrado ao Orixá Nanã. - é considerada "Mãe de todos os Orixás" para alguns, e a mais velha deusa das águas. É considerada ainda mãe de Omulu e Oxumarê e às vezes também de Exu. Está associada à água e à lama que a liga à agricultura, à fertilidade, aos grãos. Suas cores são o branco e o branco ou o preto e o roxo. Seu elemento é a água. Saudação: Salubá!
26 – Nasce Marta Ferreira da Silva, Tia Marta do Império, mãe de santo conceituada do Morro da Serrinha, incentivadora do jongo, e integrante da Ala das Baianas do Império Serrano desde 1947.
26 – O Presidente dos Estados Unidos Harry S. Truman ordena que haja doravante "...igualdade de tratamento e de oportunidade para todas as pessoas nas Forças Armadas, sem distinção de raça, cor, religião ou origem nacional. (1948)
26 – Independência da Libéria, África/ 1846

27 – O atleta João Carlos de Oliveira, João do Pulo, conquista a medalha de bronze no salto triplo, durante as Olimpíadas de Montreal (1979)
28 – Os deputados Andrade Bezerra e Cincinato Braga apresentam Projeto de Lei n. 291 pretendendo proibir a entrada de "indivíduos humanos das raças de cor preta" no Brasil (1921)

28 – Nasce João Henrique dos Reis, o João Paulo, cantor sertanejo da dupla João Paulo & Daniel (1960).
29 – Nasce Carmem Teixeira da Conceição, Tia Carmem do Xibuca, irmã de santo da famosa Tia Ciata (1878)
29 – Nasce em São José dos Campos (SP), o poeta, crítico, historiador e jornalista, Cassiano Ricardo Leite - Cassiano Ricardo (1895)
29 – Ialorixás da Bahia divulgam documento condenando o sincretismo religioso (1986)
29 – Nasce na Bahia o cantor Anísio Silva (1920)
30 – Nasce em Augusta (EUA),
Laurence John Fishburne III, o ator Laurence Fishburne (1961)
31 – Nasce em Queluz (SP), Natalino José do Nascimento - Natal da Portela, um dos fundadores e da Escola de Samba Portela. (1905)




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quinta-feira, 31 de março de 2011

Colóquio Milton Santos - BA

AS INSCRIÇÕES ESTÃO ABERTAS ATÉ O DIA 05 de maio de 2011

Abertura na Reitoria da UFBA, dia 06 de junho, às 19h.

Seqüência: dia 07 de junho, no auditório do Instituto Anísio Teixeira - IAT (manhã) e no auditório da Faculdade de Comunicação - Facom/UFBA (tarde).

Envie a sua proposta de trabalho (com até 16 mil caracteres, com espaço) com nome completo, instituição, formação escolar e os motivos pelos quais deseja participar para o e-mail: mestremiltongrupo@gmail.com

Indique um dos grupos de trabalho listados abaixo para enquadrar a sua proposta.

Grupos de Trabalho:

1. Políticas públicas orientadas à Cultura;
2. Transformações do espaço geográfico;
3. Novas tecnologias e sociabilidade;
4. Sou camelô, sou do mercado informal.


Após a realização dos debates, os participantes terão um novo prazo para conclusão dos seus artigos.

Para participar como ouvinte envie mensagem até o dia 05 de maio de 2011, para o email: mestremiltongrupo@gmail.com, com nome completo, instituição, formação escolar e os motivos pelos quais deseja participar.

Mais informações:

SERVIÇO:
O quê: Colóquio Milton Santos
Quando: 06 e 07 de junho de 2011;
Onde: Reitoria da Ufba (abertura), auditório do Instituto Anísio Teixeira (mesa de debates) e auditório da Faculdade de Comunicação da Ufba (grupos de trabalho).

Att.
Permanecer Milton Santos - Etnomídia
Faculdade de Comunicação - UFBA

Hoje, em Salvador: ato de apoio ao estudante negro vítima de racismo no RS

Helder dos Santos,  jovem estudante negro da Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA), sofreu agressões feitas por membros da Corporação Brigada Militar de Jaguarão - RS, fato esse que pode ser identificado como racismo institucional. Ao procurar reivindicar seus direitos recebeu ameaças anônimas, inclusive de morte, sendo dessa forma obrigado a abandonar a cidade, onde planejou concluir o seus estudos.  Esse acontecimento é mais uma demonstração da prática racista e truculenta da polícia e sua ação orquestrada pelo extermínio de jovens negros. Helder, que é baiano, estará chegando (contrariamente aos seus planos e sonho) hoje, quinta - feira (31 de Março), às 20h30, no Aeroporto de Salvador.

Nós, militância negra, Campanha Reaja ou será mort@Instituto Educacional Steve Biko, Instituto Mídia étnica, Instituto Pedra de Raio, Fórum de Juventude Negra, Mandato do Vereador de Salvador Moisés Rocha, Mandato do Deputado Estadual Luiz Alberto, Secretária de Combate ao racismo da CUT, Movimento Negro Unificado – MNU, Choque Cultural, estamos nos organizando para uma grande concentração no Aeroporto de Salvador à partir das 20h, e contamos com a presença de tod@s, irmãs e irmão para um grande ato de apoio e solidariedade a Helder.

Fonte:  Nairobi Aguiar  - 71 81256549

Ministra Luiza Bairros convida movimentos sociais para dialogo - BA

C  O  N  V  I  T  E

A ministra Luiza Bairros quer conversar com representantes dos movimentos sociais do Estado da Bahia, para tratar das demandas desses segmentos e a política de atuação da SEPPIR. Nesse sentido, pretende promover encontros em todos os estados do país. Em Salvador, o encontro está marcado para a próxima 2ª feira, dia 4 de abril, das 18 às 20h30, no auditório Milton Santos, do CEAO/CEAFRO/UFBa, localizado no Largo Dois de Julho.

Atenciosamente.

Ceres Santos
Coord. Executiva do Ceafro/UFBa

Assine a petição em repúdio ao Deputado Jair Bolsonaro

Caras/os Amigas/os,

Acabei de ler e assinar a petição online: «Em Repudio ao Deputado Jair Bolsonaro»

http://www.peticaopublica.com/?pi=P2011N8333

Eu pessoalmente concordo com esta petição e acho que também podes concordar.

Subscreva a petição e divulgue-a aos seus contatos.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Participe do novo Observatório de Diversidade Cultural e Interculturalidade em Educação Superior do ENLACES


A UNESCO-IESALC convida pesquisadores, acadêmicos, professores, estudantes, autoridades e todos os demais interessados a participar do novo Observatório de Diversidade Cultural e Interculturalidade em Educação Superior.
O Observatório está enfocado principalmente nas experiências de Educação Superior destinadas aos povos indígenas e afro-descendentes. Este interesse responde tanto à relevância histórica e demográfica destes grupos nas sociedades latino-americanas, como a importância destas iniciativas para a construção de sociedades mais equitativas e democráticas.
A diversidade cultural é um elemento intrínseco de nossas sociedades; nelas existem múltiplas “visões de mundo”, formas de compreender e interpretar a realidade, de se relacionar com os outros e orientar nossas ações. Os desafios que a diversidade cultural apresenta exigem compreender essas diferenças como algo em potencial e não como ameaças.
Na América Latina e no Caribe é prioritário que a Educação Superior responda aos desafios e problemas globais e que, ao mesmo tempo, esteja baseada nas realidades e necessidades locais. Para o sucesso de uma Educação Superior intercultural é necessário recriar as academias e as ciências e que as universidades fortaleçam seu compromisso com a produção de ciência, tecnologia e conhecimentos incorporando culturas e diversos saberes.
Neste sentido, um dos propósitos do Observatório é contribuir para o progresso, aprofundamento e crescimento das experiências de Educação Superior Intercultural existentes nos países da América Latina e do Caribe. Da mesma forma, busca apoiar debates e reformas para conseguir que a Educação Superior leve em conta a diversidade cultural e, com isto, avance na construção não só de entornos interculturais.

Como surge? 
O Observatório foi criado seguindo as recomendações da Conferência Regional de Educação Superior (CRES) realizada em Cartagena de Índias, Colômbia, nos dias 4 a 6 de junho de 2008, e as da Oficina Regional sobre Diversidade Cultural e Interculturalidade em Educação Superior na América Latina (Belo Horizonte, Brasil, 6 e 7 de agosto de 2009).
Declaração Final da CRES incluiu duas recomendações fundamentais em matéria de diversidade cultural. A primeira delas determina:
“Devem promover a diversidade cultural e a interculturalidade em condições equitativas e mutuamente respeitosas. O desafio não é apenas incluir indígenas, afro-descendentes e outras pessoas culturalmente diferentes nas instituições tais quais existem atualmente, mas transformá-las para que sejam mais pertinentes com a diversidade cultural. É necessário incorporar o diálogo de saberes e o reconhecimento da diversidade de valores e modos de aprendizado como elementos centrais das políticas, planos e programas do setor”.
A segunda recomendação agrega que “a Educação Superior, em todos os âmbitos de sua função, deve reafirmar e fortalecer o caráter pluricultural, multietnico e multilíngüe de nossos países e de nossa região”.
Por sua vez, as recomendações formuladas pelos 43 participantes da Oficina e aderidas por outros 14 colaboradores doProjeto Diversidade Cultural e Interculturalidade em Educação Superior na América Latina, incluíram a necessidade de criar um Fórum para a Diversidade Cultural e Promoção da Interculturalidade com Equidade em Educação Superior na América Latina e Caribe.
A partir dessas recomendações e da Declaração de Belo Horizonte, o Observatório se propõe como um espaço aberto e permanente de diálogo, análise e debate, voltado para a promoção do desenvolvimento de uma Educação Superior intercultural com equidade, da mesma forma que o encontro e a viabilização de atores vinculados com este processo.
O ponto de partida do Observatório são as experiências, preocupações e interesses comuns expressados pelos representantes de mais de 50 iniciativas neste campo que colaboram com o Projeto Diversidade Cultural e Interculturalidade em Educação Superior na América Latina desde seu início. Tais interesses estiveram destinados a compreender e intervir em contextos políticos e sociais complexos, através do estabelecimento de vínculos e conexões com projetos, organizações e instituições próprias dos povos indígenas e afro-descendentes e/ou que trabalham com eles.

O que se espera alcançar?
O Observatório visa ser um espaço virtual de referência na matéria, de acompanhamento e promoção da interculturalidade com equidade em Educação Superior, no qual confluam pesquisadores, representantes das comunidades indígenas e afro-descendentes, tomadores de decisões e outros interessados na atenção de necessidades, demandas e propostas de Educação Superior destas comunidades. Com isto espera-se avançar em estratégias de colaboração institucional, cooperação acadêmica, estudo e monitoria de experiências, gestão do conhecimento e recursos compartilhados, diálogo regional e mobilização institucional.

Como participar?
Os interessados poderão participar do novo Observatório através do registro de iniciativas no Portal ENLACES, plataforma virtual dedicada ao intercâmbio de experiências e projetos que sejam de interesse para a região em Educação Superior. Para fazer seu registro, acesse www.iesalc.unesco.org.ve/iniciativas. Os usuários do portal poderão participar do fórum trocando opiniões através de um serviço de mensagens estruturado para este fim.
Os leitores também poderão enviar colaborações: documentos, estudos, publicações, recursos de aprendizado, eventos e chamadas para ampliar a informação pertinente com a diversidade cultural da região. Para isto envie uma mensagem para:obs_interculturalidad@unesco.org.ve

terça-feira, 29 de março de 2011

III CONFERÊNCIA INTERNACIONAL DO CENTRO DE ESTUDOS DAS CULTURAS E LÍNGUAS AFRICANAS E DA DIÁSPORA NEGRA

III CONCLADIN - 2011
17, 18, 19 de Maio de 2011
 
TEMA GERAL: POPULAÇÃO, POPULAÇÕES: a humanidade revelada
 
            A partir dos dados da I e da II Conferência Internacional do Centro de Estudos das Culturas e Línguas Africanas e da Diáspora Negra (I CONCLADIN e a II CONCLADIN), respectivamente em 2007 e 2009, é que apresentamos a III Conferência Internacional do Centro de Estudos das Culturas e Línguas Africanas e da Diáspora Negra, a III CONCLADIN – 2011 que ocorrerá nos dias 17, 18 e 19 de maio de 2011 na Faculdade de Ciências e Letras – Campus de Araraquara – UNESP e no SESC-ARARAQUARA.
Nesta conferência que tratar do momento que vive o país e o mundo, consideramos de sua importância consagrarmos nesta III CONCLADIN o tema geral: “POPULAÇÃO, POPULAÇÕES: a humanidade revelada”. Esse tema geral visa manter o foco naquilo que é a própria razão e objetivo do CLADIN, isto é, considerar as culturas e as línguas por mais diversas que sejam, são elas parte e fundamento das relações humanas e da vida em sociedade.
A III CONCLADIN homenageia e reflete criticamente sobre a população AFRICANA, e aos seus filhos/filhas espalhados na Europa, na Ásia e na Oceania, que deu origem a esta humanidade que somos. No entanto, uma maior atenção à população negra brasileira, particularmente porque é neste ano de 2011 que se acreditava que esta população desapareceria do país, segundo os prognósticos emitidos, em 1911, pelo antropólogo João Batista de Lacerda, bem como pelo fato deste ano ser o ANO DO AFRODESCENDENTE, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU).
            Assim, estaremos convidando intelectuais, pesquisadores, professores de diversas regiões do mundo a fim de dialogarmos a partir do tema geral.
           Buscaremos nessa Conferência refletir sobre diversas tentativas de extermínio populacional a que diversos contingentes humanos sofreram neste longo século XX e início de século XXI, em decorrência disto mobilização de refugiados, fluxos demográficos e doenças. Porém, consideramos que existem outros lados e mundos que devem ser refletidos que tocam a nossa humanidade, tais como o aquecimento global, as novas tecnologias e as produções culturais tradicionais e alternativas como parte das realizações deste humano que somos nós.
            Teremos apresentação de trabalhos de alunos de graduação e de pós-graduação e, ainda, diversas atividades e intervenções artístico-culturais.

Programação
Dia 17/05/2011
 
Apresentação cultural
 
Atividade artístico-cultural – Local: Entrada do Sesc Araraquara [próximo ao foyer do Teatro].
 
13:30h - ESTUDOS PARA ROSA (20') – Direção: Cia Caipira de Dança
 
13:50 – 14:10 hs. - Abertura Solene -SESC-Araraquara
 
14:15 hs-16:15 hs. - Seminário Temático - SESC-Araraquara
 
Mulher quilombola: luta, resistência e prazer em viver
Profa. Dra. Mary Francisca do Careno (UNESP-FCL/AS)
Eloiza Lourenço dos Santos (Centro Universitário Módulo/UNICSUL)
Laura de Jesus Braga (Instituto Florestal – Núcleo Picinguaba)
 
Mediadora: Profa. Dra. Renata Medeiros Paoliello (UNESP/FCL/AR)
Coordenadora da mesa: Profa. Ms. Simone de Loiola Ferreira (UNESP-FCL-AR)
 
 
16:30 às 18:00 horas – (SESC/ARARAQUARA)
 
Café, chá e chocolate - diálogo entre pesquisadores e convidados
 
Conversa Temática:
Fluxos migratórios, mudanças culturais e transformações das identidades
Prof. Dr. Pedro David Montes Mireles (UNIPLI-RJ/PERU)
Prof. Dr. Antonio Inácio Rocha Santana (Escola Superior Pedagógica – Kuanza Norte/Angola)
Moderador: Prof. Ms. Egor Borges (UNESP-FCL/AR/MOÇAMBIQUE)
 
19:00 às 21:00 horas – Seminário temático (SESC/ARARAQUARA)
Da industrialização e queima de energia à exclusão energética e populações descartáveis: quais alternativas viáveis para África e Brasil no século XXI?
Prof. Dr. Orlando Cristiano da Silva (USP)/Guiné-Bissau
Prof. Dr. Guimes Rodrigues Filho (UFU)/Brasil
Mediador: Prof. Dr. Jorge David Barrientos-Parra (UNESP-FCL/AR/Chile)
Coordenadora da mesa: Profa. Ms. Elisangela de Jesus Santos (UNESP-FCL/AR)
     
21:00h – Atividade artístico-cultural -SESC-ARARAQUARA – Local: Espaço Garimpo
BANDA “ARSENAL DE BELLES MELODIES” – Direção: Egor Vasco Borges -GE União Africana

Dia 18/05/2011
12:00 – 13:00 hs. - CORTEJO DO BANDO DO TIÊ PRETO – 12 hs. (cortejo da Chácara Saffioti ao SESC-ARARAQUARA)
 
Atividade artístico-cultural – Entrada Sesc-Araraquara [próximo ao foyer do Teatro].
 
13:50h - DANÇA DO FOGO (5') - Direção: Roberto Marcondes
 
14 hs – 16:15 hs - Seminário temático - BRASIL (SESC-Araraquara).
 
Línguas nacionais e produção da cultura: configuração das identidades e territórios, construção das violências e dos refugiados: uma leitura do século XX e XXI na África e América Andina – a democracia representativa pede socorro
 
Prof. Dr. Armindo Ngumba (UEM – FLCS - Moçambique)
Prof. Dr. Pedro David Montes Mireles – (UNIPLI – RJ)/Peru
Gabriel Gualano de Godoy – ACNUR-ONU/Brasil
Mediadora: Profa. Dra. Mary Francisca do Careno (UNESP-FCL/AS)
Coordenador da mesa: Prof. Ms. Alexandre Timbane (UNESP/Moçambique)
 
Atividade artístico-cultural -SESC-ARARAQUARA – Local: Espaço Garimpo
 
16:15h - PESCADOR (10’) - Direção: Roberto Marcondes
 
16:30 às 18:00 horas – (SESC/ARARAQUARA) - Café, chá e chocolate - diálogo entre pesquisador/docente com alunos da pós-graduação e convidados
 
Conversa Temática:
Os traços fenotípicos como problema social e epistemológico – identidade étnica e estigma
Prof. Dr. José Luiz Petruccelli (IBGE/RJ)
Prof. Dr. Antonio Inácio Rocha Santana (Escola Superior Pedagógica – Kuanza Norte/Angola)
Moderador: Prof. Dr. Edmundo Antonio Peggion (UNESP-FCL/AR)
 
19:00h às 21:00 horas - Seminário temático (SESC/ARARAQUARA)
Mulher negra e pobre: proibidas à gravidez – medicina, violência e controle de natalidade
 
Prof. Dr. Luís Eduardo Batista (Comitê da Saúde da População Negra/SES-SP)
Prof. Dr. Estélio Gomberg (UFBA-Bahia)
Mediadora: Profa. Dra. Ana Lúcia de Castro (UNESP-FCL/AR)
Coordenador: Profa. Ms. Edilene Machado Pereira (UNESP/Brasil)
 
Atividade artístico-cultural -SESC-ARARAQUARA – Local: Espaço Garimpo
21:00 – 21:35 hs.
ESPETÁCULO RAÍZES (35') - Cia Afro Rhytmos - Direção: Giovana Candido
 
Dia 19/05/2011
 
14:00 hs.-16:15 hs. – Seminário temático - (SESC/ARARAQUARA)
 
Juventude negra: população produtiva, reprodutiva e assassinada
 
Prof. Dr. Juarez Tadeu de Paula Xavier (UNESP/FAAC-BA)
Prof. Dr. Ronilson de Souza Luiz (Centro de Altos Estudos de Segurança – PM/SP)
Profa. Dra. Eunice Prudente (USP)
Mediador: Prof. Dr. Milton Lahuerta (UNESP-FCL/AR)
Coordenador: Profa. Ms. Simone de Loiola Ferreira (UNESP-FCL/AR)
 
 
16:30 às 19:00 hs. - Café, chá e chocolate - diálogo entre pesquisadores e convidados
Os diferentes se atraem? Sexo e casamento entre negros e brancas e entre negras e brancos
Prof. Dr. José Luiz Petruccelli (IBGE/RJ)
Prof. Dr. Francis Wardle (University of Phoenix-Campus Colorado/USA)
Profa. Dra. Grasiela Lima (UNESP-FCL/AR- e ONG Cedro Mulher).
Moderadora: Profa. Dra. Marilda da Silva (UNESP-FCL/AR)
 
19:00 às 19:30 horas – Mesa de encerramento
 
Show de encerramento – SESC-ARARAQUARA
21:00 às 23:30 hs - BAILE BLACK - Djs Juliano Vituri e Alf Dee
    
As apresentações de trabalho por pesquisadores, docentes e alunos da graduação e da pós-graduação aconteceram de 17 a 19 de maio de 2011, no Centro Cultural “Prof. Waldemar Saffioti” no horário das 8:30 às 12:00 horas.
Exclusivamente com os temas que focam:
- Violência, direitos humanos e racismo (Grupo de Estudos VIDHE);
- Gênero, mídia, população negra, corpo e consumo (Grupo de Estudos LILITH);
- África, desenvolvimento, cultura e democracia (responsável – Grupo de Estudos UNIÃO AFRICANA);
- Cultura afro-brasileira, cultura popular, territorialidade e cidadania (Grupo de Estudos CATAVENTO)

Regras para apresentação de trabalhos:
 
Os trabalhos devem ter o seguinte formato:
- resumo/abstract, com no máximo de 1.500 caracteres, conter 3 palavras-chave,
- os artigos devem ser apresentados em CD e uma cópia impressa, (arquivo.doc, Word for WINDOWS) em fonte Times New Roman, corpo 12, espaço entre linhas 1,5 (exceto para citações diretas com mais de três linhas), parágrafo 1,5, margem superior 3, inferior 2, esquerda 3 e direita 2.
- O trabalho deve trazer o título; nome completo do(s) autor(es); filiação científica indicada em nota de rodapé (departamento - faculdade - universidade - sigla - CEP - cidade - estado - país - e-mail.
- Seguindo as normas da ABNT.
- Os trabalhos passarão pela avaliação de uma Comissão Científica, formada por professores doutores vinculados ao CLADIN/LEAD/FCL/AR e NUPE/UNESP/PROEX a fim de serem selecionados. Os resumos/abstracts de pesquisadores, professores, alunos de graduação e pós-graduação deverão ser enviados de 20/03/2011 até o dia 06/05/2011 e serão divulgados os resultados de ACEITE até o dia 10/05/2011.
- Os resumos/abstracts deverão ser enviados para o e-mail: concladin@gmail.com

Procedimentos para INSCRIÇÃO:
 
- Com apresentação de trabalho
 
- Sem apresentação de trabalho
 
Período de Inscrições:
Inscrições com apresentação de trabalhos – 20/03/2011 a 06/05/2011 (não serão aceitos trabalhos fora deste prazo)
 
Inscrições sem apresentação de trabalho – 20/03/2011 a 15/05/2009 - via on line e no Departamento de Antropologia, Política e Filosofia da Faculdade de Ciências e Letras – Campus Araraquara/UNESP (não serão aceitas inscrições durante o evento).
 
Valor das inscrições com apresentação de trabalhos
 
Nível de escolaridade Valor c/ Apresentação de Trabalho (R$)
Graduação 25,00
Mestrado 45,00
Doutorado 65,00
 
As inscrições sem apresentação de trabalho, em função de EMISSÃO DE CERTIFICADOS, brindes, bolsas e de outros artefatos, serão realizadas mediante os seguintes procedimentos:
- pagamento de inscrição nos respectivos valores abaixo deverá ser feito via transferência e/ou depósito bancário no:
BANCO DO BRASIL – AGÊNCIA: 6933-7 – CARMO – ARARAQUARA
CONTA CORRENTE: 5.874-2
Nome: Dagoberto José Fonseca
 
Valores para inscrições sem apresentação de trabalho
 
Professor Rede Pública R$ 20,00
Professor Rede Privada R$ 20,00
Professor IES de Universidade Pública R$ 35,00
Professor IES de Universidade Privada R$ 45,00
Militantes de movimentos sociais e ONGS R$ 25,00
Aluno de graduação R$ 15,00
Aluno de pós-graduação (Mestrando) R$ 25,00
Aluno de pós-graduação (Doutorando) R$ 30,00
     
 
  • Para efeito de inscrição para ambas modalidades (com apresentação de trabalho e sem apresentação de trabalho) será necessário o depósito das quantias referentes à inscrição em conta bancária disponível no site do evento. Será necessário a comprovação deste depósito e/ou transferência, mediante a apresentação de canhoto.
 
Locais de realização da III CONCLADIN - 2011
SESC-ARARAQUARA e Centro Cultural “Prof. Waldemar Saffioti” – UNESP/CAr
 
 
Comissões:
 
Científica:
Prof. Dr. Dagoberto José Fonseca (UNESP) - Coordenador
Profa. Dra. Ana Lucia de Castro (UNESP)
Prof. Dr. Antonio Inácio Rocha Santana (Escola Superior Pedagógica – Kuanza Norte/Angola)
Prof. Dr. Armindo Ngumba (UEM – Moçambique)
Prof. Dr. Edmundo Antonio Peggion (UNESP)
Prof. Dr. Estélio Gomberg (UFBA)
Profa. Dra. Eunice Prudente (USP)
Prof. Dr. Francis Wardle (University of Phoenix- USA)
Profa. Dra. Grasiela Lima (UNESP-FCL/AR- e ONG Cedro Mulher).
Prof. Dr. Guimes Rodrigues Filho (UFU)
Prof. Dr. Jorge David Barrientos-Parra (UNESP-FCL/AR/Chile)
Prof. Dr. Juarez Tadeu de Paula Xavier (UNESP/FAAC-BA)
Prof. Dr. Luís Eduardo Batista (Comitê da Saúde da População Negra/SES-SP)
Profa. Dra. Marilda da Silva (UNESP)
Profa. Dra. Mary Francisca do Careno (UNESP)
Prof. Dr. Milton Lahuerta (UNESP)
Prof. Dr. Orlando Cristiano da Silva (USP)/Guiné-Bissau
Prof. Dr. Pedro David Montes Mireles (UNIPLI-RJ/PERU)
Profa. Dra. Renata Medeiros Paoliello (UNESP)
Prof. Dr. Ronilson de Souza Luiz (Centro de Altos Estudos de Segurança – PM/SP)
 
Infraestrutura e logística:
Ariella Silva Araújo (FCL/AR)
Luiz Fernando Costa Andrade (FCL/AR)
   
Divulgação e Marketing:
Elisangela de Jesus Santos (FCL/AR)
Júlio Aponto Té (FCL/AR)
 
Financeira:
Simone de Loiola Ferreira (FCL/AR)
Giovana Algarve (FCL/AR)
 

Líderes da Revolta de Búzios são reconhecidos como heróis!

segunda-feira, 28 / março / 2011 by Daiane Souza
Por Daiane Souza

A presidenta Dilma Rousseff sancionou, em 4 de março último, a Lei 12.391, que determina a inscrição dos nomes dos líderes da Revolta de Búzios no Livro de Aço dos Heróis Nacionais. Enforcados em praça pública, João de Deus do Nascimento, Lucas Dantas de Amorim Torres, Manuel Faustino Santos Lira e Luís Gonzaga das Virgens e Veiga são símbolos do movimento que reviu os ideais de liberdade e igualdade no País.
A Revolta ocorreu em 1798, época em que os princípios iluministas e a independência dos Estados Unidos influenciavam fortemente os ideais libertários dos brasileiros, que contrastavam com a precária condição de vida do povo negro. O grande diferencial do movimento foi a articulação de grupos mais pobres da população baiana para defender propostas que realmente os representassem.
OUTROS PRINCÍPIOS – A conspiração surgiu das discussões promovidas pela Academia dos Renascidos e foi apoiada pelas mais diversas classes sociais, tornando-se um dos primeiros movimentos populares da história do Brasil. Seus princípios eram a emancipação da colônia e a abolição da escravidão; o objetivo, transformar o Brasil numa república democrática. O sonho foi realizado, porém só 147 anos depois.
O Livro de Aço dos Heróis Nacionais, no qual estão registrados os quatro líderes da Revolta, fica exposto permanentemente no Panteão da Pátria e da Liberdade. Para quem deseja visitá-lo, o Panteão fica localizado no Eixo Monumental, Praça dos Três Poderes, na capital do Brasil, onde pode ser visto em qualquer dia da semana (inclusive nos feriados), entre as 9h e 18h.
“Animai-vos, povo bahiense, que está por chegar o tempo feliz da nossa liberdade, o tempo em que seremos todos irmãos, o tempo em que seremos todos iguais” (lema da Revolução de Búzios)

Conheça os heróis da Revolta de Búzios

João de Deus do Nascimento(1761 – 1799)
Filho de mulata alforriada com português, João de Deus nasceu em Salvador. Inconformado com a situação de miséria da colônia, participou de reuniões secretas, juntamente com estudantes, comerciantes, intelectuais, soldados e artesãos. Ao tomar conhecimento da Revolução Francesa, passou a discutir os ideais liberais e as possibilidades de sua aplicação no Brasil.
Lucas Dantas de Amorim Torres( 1775 – 1799)
Pardo, escravo liberto, soldado e marceneiro, Lucas Dantas foi o responsável pela reunião de representantes das mais diversas classes sociais para debater sobre a liberdade e a independência do povo baiano.
Manuel Faustino Santos Lira(1781 – 1799)
Filho de escrava liberta e pai desconhecido, Manuel Lira também nasceu em Salvador. Foi um dos primeiros suspeitos pela autoria de panfletos anônimos que conclamavam a população a defender a “República Bahiense”.
Luís Gonzaga das Virgens e Veiga(1763 – 1799)
Soldado, negro, Luís Gonzaga das Virgens e Veiga era o mais letrado entre os líderes da revolta. Descendia de portugueses e crioulos. Sentiu e expressou o sentimento de revolta contra o preconceito de cor dominante no seu tempo. Foi autor do mais polêmico manifesto feito durante o movimento.

Casa-grande e senzala

OPOSTOS: Barbosa e Mendes têm currículo extenso e origem no Ministério Público; semelhanças param aí.

Quando escrevi sobre a indicação do ministro Luiz Fux para o STF (Supremo Tribunal Federal), citei críticas às indicações anteriores feitas por Lula para a suprema corte brasileira, incluindo aquelas de figuras do campo jurídico que consideram o ministro Joaquim Barbosa pouco preparado (intelectual, profissional, emocionalmente ou de todas essas formas) para o cargo.
Recebi, por conta daquela observação colhida de minhas percepções sobre os embates e opiniões que se expressam no campo jurídico brasileiro, diversos comentários e questionamentos sobre a razão de ter dito que o ministro Barbosa era “inepto”. Procurei esclarecer, em resposta àqueles leitores e em primeiro lugar, que a opinião não era minha, mas sim de vários agentes do campo jurídico que, por uma razão ou outra, questionavam a indicação de Barbosa para o STF. Apenas reproduzi opiniões que ouvi de fontes diversas, como pesquisador e observador da justiça brasileira. Além disso, procurei deixar claro àqueles leitores, também, que apesar de minha formação inicial em direito, não sou um especialista em direito constitucional nem sou advogado com experiência na litigância junto ao Supremo; por isso, não teria elementos suficientes para avaliar, por minha conta e juízo, a competência “técnica”, propriamente jurídica dos votos de Barbosa com o ministro da corte.
Minha leitura da atuação do STF é política, que faço como cientista político – e, como tal, não posso deixar de observar e registrar manifestações de oposição à presença de Barbosa no Supremo (especialmente por parte de alguns advogados e juízes), apesar do respaldo de grande parte da opinião pública (por conta do julgamento do caso do “mensalão” do governo Lula, especialmente) e dos membros do Ministério Público Federal (sua instituição de origem).
Agora, contudo, a declaração recente do deputado Júlio Campos (DEM-MT), que chamou o ministro Barbosa de “moreno escuro” me dá a oportunidade de falar algo sobre esse membro do Supremo. Mais do que isso, me dá a oportunidade de falar algo importante que deixei de mencionar no meu artigo sobre Fux e nas respostas aos leitores que me questionaram sobre o juízo “técnico” que reproduzi sobre Barbosa. Deixei de dizer, basicamente, que por trás das críticas à “competência”, ao “preparo” ou à “postura” do polêmico e irritadiço ministro —que pouco faz para agradar aos colegas de corte e, principalmente aos advogados que circulam pelo Supremo— reside um preconceito racial velado, que se manifesta sorrateiro em muitas das críticas que reproduzi em meu artigo anterior, mas que explode em evidência no comentário nada sutil do deputado Campos.
O deputado alegou que usou a expressão por não se lembrar, no momento da fala, do nome do ministro do STF. Péssima justificativa, para justificar o injustificável. Em primeiro lugar, porque o deputado se deu o direito de trocar o nome de uma pessoa pela cor de sua pele – coisa que certamente não faria em relação a nenhum dos demais ministros da corte. “O ministro do bigode” seria Cezar Peluso? “O mocinho” seria Dias Toffoli? O “careca” seria Gilmar Mendes ou Celso de Mello? Difícil imaginar esses comentários sobre os outros ministros – a não ser em relação às duas mulheres da corte, alvos de comentários e referências igualmente discriminatórios –, porque tenho certeza que o deputado conseguiria se lembrar do nome dos demais, ou de alguma outra referência (de carreira, de origem) que o fizesse se lembrar, rapidamente, de quem ele queria mencionar.
Também estou certo de que o deputado se sentiria muito mais constrangido por não se lembrar do nome de qualquer outro ministro do STF que não fosse Barbosa, e por isso faria um esforço maior para não parecer indelicado em relação a uma autoridade pública, um representante do tribunal máximo do Judiciário brasileiro. De qualquer forma, antes de cometer uma gafe, o deputado poderia recorrer a um colega ou a um de seus assessores para que lhe refrescassem a memória. Ao usar a expressão “moreno escuro” o deputado o fez com a facilidade com que ele – e muitas pessoas que ouvimos cotidianamente – o fazem para se referirem aos empregados, motoristas, porteiros, etc. Nesse sentido, “escurinho(a)”, “moreninho(a)” é uma cruel sutileza de linguagem, que ao evitar a palavra “negro”, finge atenuar o que, na verdade, aprofunda: o preconceito, a negação da diferença e da identidade.
Também é difícil imaginar o mesmo tipo de referência à cor da pele dos outros ministros por uma razão bastante simples: Joaquim Barbosa é o único ministro negro do Supremo, atualmente e em toda a história da corte. Sua indicação teve propositadamente um caráter simbólico, de corrigir injustiças e desigualdades históricas. Infelizmente, como podemos ver, não conseguiu tal objetivo. Assim como aconteceu e acontece com a tímida presença feminina nos tribunais superiores, e é importante repetir que as mulheres nessas posições são alvos de comentários igualmente cruéis e discriminatórios, o isolamento do “símbolo” da reparação (“a primeira mulher no STF/STJ”, “o primeiro/único negro no STF”), quando passada a euforia do ato histórico da indicação, acaba apenas realçando o abismo entre posições tão d istantes no cam po social e, consequentemente, no campo jurídico.
Acontece que, ao contrário da condição feminina, a desigualdade originada da raça e da cor da pele não alcança só as esferas mais altas da justiça brasileira, mas é uma característica geral de todos os níveis do campo jurídico. Em outras palavras, se as mulheres já são maioria (ou avançam para essa condição) em todas as carreiras jurídicas, os negros são minoritários entre juízes, promotores, defensores públicos. Talvez haja variações nessas proporções de acordo com o estado da federação e o grupo profissional – acredito, por exemplo, que a advocacia, por ser uma profissão com maior número de membros, com acesso menos exclusivo e, portanto, mais diversificada socialmente,  possui maior percentual de negros em seus quadros. Nesse aspecto, o isolamento de Barbosa no nível das elites jurídicas apenas reproduz a ausência quase que total dos negros em todos os níveis das carreiras, profissões e instituições jurídicas (a não ser, obviame nte, em posições tidas como secundárias, como escreventes, oficiais de justiça, serventuários em geral). Além disso, quem tem experiência no ensino jurídico, mesmo em cursos e instituições de ensino mais populares, sabe que essa desigualdade no acesso às profissões jurídicas começa já no acesso ao curso de direito.
Joaquim Barbosa tem um currículo respeitável, tanto em termos profissionais quanto acadêmicos, o que certamente o distingue da maior parte dos seus colegas de corte. Comparável aos seus títulos e qualificações profissionais seriam apenas os constantes dos currículos do ex-ministro Eros Grau e de Gilmar Mendes, ainda em atividade. Aliás, é em relação a esse segundo ministro que a comparação é mais evidente: ambos dedicam-se à mesma área do direito (o direito constitucional), tendo realizado pesados investimentos na carreira acadêmica, com longas e produtivas passagens por universidades estrangeiras (Mendes na Alemanha e Barbosa na França). Ambos são eruditos e falam fluentemente mais de uma língua estrangeira.  Ambos construíram suas carreiras no MPF, instituição que ao longo de sua consolidação e de sua autonomização em relação ao Executivo nas últimas décadas ganhou destaque e permitiu aos seus membros alcançarem posições relevantes no campo jurídico brasileiro.
Mas as semelhanças param por aí. Na verdade, Barbosa e Mendes, tendo essas características em comum, podem ser considerados a antítese um do outro. Barbosa tem origem humilde, e como muitos brasileiros lutando por ascensão, negros ou brancos, viu no serviço público um caminho seguro de crescimento e posicionamento social. Ao contrário de Mendes, que mesclou sua atuação de carreira com passagens por funções mais “políticas” de consultoria jurídica de parlamentares e governos, chegando a Advogado-Geral da União, Barbosa manteve-se rigorosamente nos trilhos da carreira burocrática, valorizando a autonomia da função e as possibilidades formais de ascensão. Isso não quer dizer que sua indicação para o Supremo não tenha passado por algum tipo de construção de apoios políticos, inevitáveis nessa etapa da carreira de um ministro de tribunal superior; também não quer dizer que a relação de Mendes com a política e o poder seja escusa, pois é padr ão de trajetórias das elites jurídicas. Contudo, é perceptível que as relações mantidas por Mendes e Barbosa com agentes do campo político-partidário são distintas.
Por fim, importante lembrar que Mendes vem de família de proprietários de terras, com forte influência em sua região de origem, no Mato Grosso (por sinal, mesmo estado do deputado Campos). Não foi à toa que, na histórica discussão entre Mendes e Barbosa em abril de 2009, este último ministro cobrou do primeiro não ser tratado como um de seus capangas. Mendes é a casa-grande: representa o padrão de recrutamento das elites nacionais em geral e das elites jurídicas em especial. Barbosa é a senzala: a exceção à regra, um representante dos grupos sociais historicamente excluídos do acesso aos bens públicos e aos círculos de poder, que soube valer-se dos caminhos criados pela meritocracia e pela impessoalidade burocrática para alcançar uma posição superior. Mendes, a pesar de duro n a fala e antipático no trato, sabe circular pelo poder. Barbosa não cede à imprensa, ao riso ou à bajulação, não faz questão de contemporizar, e não recebe advogados em seu gabinete porque, diz ele, preza a isenção de sua função como juiz – e ao agir assim, ganha, sem maiores preocupações, a antipatia de muitos. Barbosa é, enfim, um negro insubmisso – e deve orgulhar-se disso, para horror da casa-grande, representada também pelo deputado Campos. Talvez por isso, e apesar de tantos aspectos em comum em suas trajetórias profissionais e acadêmicas, Mendes seja tão incensado como autoridade política e intelectual (a ponto dessa bajulação causar embrulhos nos estômagos mais sensíveis e nos espíritos mais críticos); enquanto Barbosa, apesar de todas as suas qualificações, mereça ser lembrado pela casa-grande apenas como um “moreno escuro”.

Frederico de Almeida é advogado e cientista político. Doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo, é professor da Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo e da Universidade São Judas Tadeu

Encontros marcam lançamento da Coleção da UNESCO História Geral da África na Bahia

A Bahia foi escolhida para sediar uma série de eventos que marcam o debate e o lançamento da edição em português da Coleção da UNESCO História Geral da África no Brasil. Entre os dias 1 e 4 de abril, especialistas africanos e brasileiros e autoridades locais e nacionais se reunirão em Salvador e Cachoeira para debater assuntos relacionados à questão, especialmente os referentes à interculturalidade e à diversidade religiosa, aspectos tão presentes na cultura baiana. O lançamento estadual acontece na segunda-feira, dia 4/04, a partir das 9h, na Reitoria da Universidade Federal da Bahia, em Salvador.
A coleção em português, editada pela UNESCO em parceria com o Ministério da Educação e lançada nacionalmente em dezembro do ano passado, contribui para a disseminação da história e da cultura africana na educação brasileira, e também para a transformação das relações étnico-raciais no país. Além de apresentar uma história desconhecida da maior parte da população brasileira, a obra refuta ideias preconcebidas a respeito da África, como a de que o continente africano era formado por tribos e não por uma sociedade organizada, por exemplo.
Entre os especialistas africanos que estarão presentes nos debates, destacam-se Jean-Michel Tali, professor da Universidade de Michigan e membro do Comitê científico da UNESCO para a elaboração do Material Pedagógico a partir da Coleção História Geral da África e Elikia Mbokolo, historiador e diretor de estudos na Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais de Paris. Também estarão presentes Ali Moussa Iye, diretor do Departamento de Diversidade Cultural da UNESCO e especialistas brasileiros como Valdemir Zamparoni, da Universidade Federal da Bahia e Valter Roberto Silvério, da Universidade Federal de São Carlos, coordenador técnico da edição em português da Coleção.
O objetivo da série de encontros é promover e debater junto à sociedade o reconhecimento da importância da interseção da história africana com a brasileira, contribuindo para a construção e afirmação da identidade da sua população.
- O dia 1º/4 está reservado para a interação com grupos culturais fortemente baseados na cultura africana. Ao meio-dia, a coleção será apresentada pela UNESCO e pelos especialistas convidados para professores e estudantes do Centro de Estudos Afro-Orientais (CEAO/Ufba). À tarde, às 15h, haverá uma visita aos estudantes e dirigentes da Escola Criativa Olodum, no Pelourinho.
- O sábado, dia 2/4, está destinado a atividades na histórica cidade de Cachoeira, berço do samba de roda, Patrimônio Imaterial da Humanidade, onde será realizada uma mesa-redonda no auditório do Centro de Artes e Humanidades da Universidade Federal do Recôncavo Baiano (UFRB), a partir de 9h. À tarde, serão realizadas visitas culturais, incluindo à sede da Irmandade da Boa Morte e comunidades remanescentes de quilombo.
- Na segunda, dia 4/4, o lançamento oficial da Coleção da UNESCO História Geral da África na Bahia será feito no auditório da reitoria da Universidade Federal da Bahia (UFBA), em um seminário de 9h às 18h. Está sendo esperada a presença de autoridades como o governador do Estado, Jaques Wagner, o Ministro da Educação, Fernando Haddad, e a ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Luiza Bairros, além dos pesquisadores brasileiros e africanos.
Os debates irão relacionar o novo olhar para o continente africano apresentado pela Coleção com as questões atuais das relações étnico-raciais brasileiras, como a herança cultural que permeia a religiosidade do país e a construção de um novo significado para a história africana. O evento é realizado pela representação da UNESCO no Brasil em parceria com o Ministério da Educação, com a Fundação Pedro Calmon da Secretaria de Cultura da Bahia e com o Centro de Estudos Afro-Orientais da Universidade Federal da Bahia. Conheça a programação completa e todos os participantes: www.fpc.ba.gov.br

Sobre a Coleção
A Coleção da UNESCO da História Geral da África, com quase 10 mil páginas, foi construída ao longo de 30 anos por 350 pesquisadores, coordenados por um comitê científico composto por 39 especialistas, dois terços deles africanos.
A obra conta a história da África a partir de uma visão de dentro do continente, usando uma metodologia interdisciplinar que envolve especialistas de áreas como história, antropologia, arqueologia, linguística, botânica, física, jornalismo, entre outros. Seu conteúdo permite novas perspectivas para os estudos e pesquisas a respeito da África e também para a disseminação das relações étnico-raciais no sistema de ensino brasileiro.
Os oito volumes que integram a coleção abordam o continente desde a pré-história até a década de 1980, passando pelo Egito Antigo, por diversas civilizações e dinastias, pelo tráfico de escravos, pela colonização europeia e pela independência dos diversos países. A África é destacada como berço da humanidade e de contribuição fundamental para a cultura e a produção do conhecimento científico mundial.

Informações UNESCO / Brasil
Aline Falco
(61) 2106-3544
aline.falco@unesco.org.br
 
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Assessoria de Comunicação
Fundação Pedro Calmon – SecultBA
(71) 3116-6918/ 6919/ 6676
ascom.fpc@fpc.ba.gov.br
http://www.fpc.ba.gov.br
http://twitter.com/fpedrocalmon
www.cultura.ba.gov.br
http://plugcultura.wordpress.com

Governo cria Secretaria de Políticas para as Mulheres - BA

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sábado, 26 de março de 2011

Estudante deixa cidade do interior gaúcho após denunciar agressão e racismo praticados por PMs

Piratini, MP e Governo Federal investigam abuso de autoridade e formação de milícia

Carta anônima com ameaças foi estopim para que estudante saísse de Jaguarão
Helder Santos nasceu na Bahia, e morava em Feira de Santana até alguns anos, quando passou no vestibular para História na Unipampa, em Jaguarão, no Sul do Rio Grande do Sul. Estuda e trabalha na prefeitura da cidade. Na semana anterior do carnaval, ele e seus colegas de trabalho foram parados em uma ação da Brigada Militar na saída de uma festa.

Um amigo de Helder começou a apanhar, e ele interveio. Quem conta a história é a integrante do Movimento Negro Unificado, Consuelo Gonçalves. “Quando viu um amigo ser espancado e ser chamado de negro reclamou, e a polícia foi mais violenta com ele, algemou, levou para a delegacia, sob alegação de desacato de autoridade porque ele disse que eles estavam sendo racistas quando chamaram o companheiro de negro e bateram ainda com mais força”, comenta.

Quem fala, agora, é o próprio Helder. “Quando eu virei pro lado, tinham dois policiais agredindo um amigo nosso. Aí, outro policial me mandou virar para a parede, ele disse 'olha pra parede, negão'. Eu virei em direção para o meu amigo, ele me chamou de novo de negão. Aí perguntei por que ele estava falando comigo daquela forma, para ele olhar para a cor dele, porque ele também não era branco. Aí ele mandou me algemar, me bateu com um cacetete no ombro e na barriga”, conta.

Helder procurou a corregedoria da Brigada Militar, que instaurou processo para investigar os responsáveis, apontados por colegas como soldado Osni e sargento Ávila. Também fez denúncia ao Ministério Público da cidade por abuso de autoridade e discriminação racial. Registrou boletim de ocorrência na Polícia Civil, e deu entrevista em uma rádio. Foi a gota d'água. Helder recebeu uma carta de um soldado da Brigada Militar, dizendo que ele deveria se cuidar, porque os envolvidos eram perigosos.

Um trecho da carta, anônima, diz: “O Osni já está até esfregando as mãos, e disse que vai te levar para dar uma volta no carnaval, que vai te colocar na viatura e te levar para a zona rural e te agredir, (…) ele está incomodando todo mundo para conseguir uma arma de choque. (…) O major (Ferreira, comandante da BM de Jaguarão), já avisou que é para te 'embolachar' (...). A ordem é te bater sem deixar marcas gerais, peço que tu tomes cuidado no carnaval”.

A carta dizia para que ele procurasse ajuda com o movimento de Direitos Humanos, Movimento Negro, Comando Regional da BM em Pelotas, Ministério Público, e voltasse a falar na rádio local. A carta, segundo Consuelo, do Movimento Negro, foi de alguém amigo. “Ele dá nomes de brigadianos e sugere que ele vá até a regional (da BM), e que ele se proteja, que saia de Jaguarão. É alguém que avisa. Agora, o segundo, é uma coisa horrível”, conclui.

O segundo alerta não vem da mesma pessoa, mas de um dos próprios agressores A nova carta, desta vez, tem selo de Bento Gonçalves. A correspondência começava com “Baiano Nego Sujo”. Em um dos trechos, a ameaça era a seguinte: “se tu for lá na Brigada e falar a verdade e me caguetar no meu processo, eu vou te cobrir de porrada. No carnaval, tu escapou, mas dei um jeito de embolachar teu amiguinho Seco Edson sem sujar as mãos. Deixamos a cara dele mais feia e preta que a tua, seu otário”. Em outro momento, a pressão era para que ele deixasse a cidade.

Para o secretário Estadual de Justiça e Direitos Humanos, Fabiano Pereira, a denúncia é grave e será alvo de atenção da pasta. Fabiano Pereira designou duas equipes, uma de investigação e outra de proteção, para a cidade de Jaguarão. “Nós vamos atuar em duas frentes. Uma que é a proteção dessa pessoa, para que sua vida não corra risco. Por outro lado, vamos fazer uma investigação o mais rápido possível, uma investigação sobre o caso, para saber a veracidade dos fatos e tomar as devidas responsabilidades e providências”, enfatiza.

Helder embarcou em um carro da Unipampa por ordem da Secretaria de Direitos Humanos às 15h desta quinta-feira, em direção a Porto Alegre. O advogado do jovem, Onir Araújo, protocolou denúncia na Secretaria Estadual de Segurança Pública. A Brigada Militar tem duas sindicâncias em andamento contra o soldado Osni Silva Freitas, o sargento Ávila e o major José Antônio Ferreira da Silva. A primeira é sobre a agressão.

O comandante Regional da BM em Pelotas, Coronel Flávio Lopes, diz que, nas abordagens, podem ocorrer abusos, que sempre são investigados. “A abordagem é um contato físico, e é possível que um policial militar possa ter exagerado ou usado expressões inadequadas. Para isso, a BM possui mecanismos de depuração muito fortes, muito rígidos. Toda vez que uma pessoa se sente lesada ou ofendida, e chegando ao conhecimento de qualquer comandante da Brigada, é imediatamente instaurado um procedimento de investigação”, explica.

A segunda, sobre denúncias de moradores que informaram que os três comandam uma milícia na zona rural da cidade. Os policiais, conforme as informações da sindicância, cobrariam dos agricultores para realizar a segurança e outros serviços. O coronel Flávio Lopes afirma que essa situação não pode mais ocorrer no Rio Grande do Sul. “Eu só posso enxergar de uma maneira: todo e qualquer fato que se relacione à milícia tem que ser extirpada da corporação. Ninguém compactua com isso, nem a Brigada, nem a sociedade. Não significa que sejam as mesmas pessoas, isso ainda está sendo apurado por um oficial de fora de Jaguarão”, reitera.

As duas sindicâncias devem estar concluídas em abril. Se a conclusão for pela culpa dos três, eles podem até ser expulsos. Se for esse o resultado, o relatório será encaminhado para o Ministério Público, que deverá, então, abrir processo criminal contra os policiais.

O comandante da BM de Jaguarão, major José Antônio Ferreira, nega qualquer participação e diz que tudo está sendo investigado. “houve um excesso, como está colocado aí, mas vamos apurar o que aconteceu no local. Aqui, nós somos bem transparentes, só que está havendo um sensacionalismo de quem está levando a matéria para vocês”, afirma.

Em Porto Alegre, Helder será enviado para um abrigo de acolhimento provisório. Depois, vai voltar para a Bahia. Ele está triste. “Eu não sei nem o que falar, porque eu vim pra cá com tantos sonhos, já estava concretizando alguns deles trabalhando como estagiário de história na prefeitura, e vou ter que abandonar tudo e retornar para casa”, lamenta.

A Promotoria de Direitos Humanos do Ministério Público Estadual, sob o comando da promotora Miriam Balestro, também investiga o caso. A Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial recebeu a denúncia, que  preocupa a ministra Luiza Bairros.

     Ouça o áudio: Estudante conta como foi agredido     Ouça o áudio: Coronel Flávio Lemos fala que podem ocorrer abusos em abordagens policiais     Ouça o áudio: Comandante do CRPO-Sul diz que milícias serão extirpadas da BM
Fonte: Marjuliê Martini/Rádio Guaíba