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CALENDÁRIO NEGRO - MARÇO

1 – Nasce Ralph (Waldo) Ellison professor e escritor norte-americano, ganhou eminência com seu primeiro romance, “O Homem Invisível”, de 1952 (1913-1994)

2 – Ocorre o primeiro carnaval oficial de escolas de samba do Rio de Janeiro, RJ (1935)
2 – Dia da Mulher Angolana
2 – Aprovada lei proibindo o tráfico de escravos africanos nos Estados Unidos (1807)
2 – Festa Nacional de Marrocos (1956)
3 – O paulista Domingos Jorge Velho assina em Pernambuco, com o governador da capitania, o contrato mediante o qual se dispunha a destruir o Quilombo dos Palmares (1687)
3 – Publicado alvará pelo qual os negros dos quilombos, toda vez que fossem aprisionados, para ser restituídos aos donos deviam ser marcados na espádua com um "F" por meio de ferro em brasa (1741)
3 – Em discurso, o presidente da Bahia, Francisco de Souza Martins afirmou que era necessário "fazer sair do território brasileiro todos os libertos africanos perigosos à nossa tranquilidade" (1835)
3 – Inauguração na cidade do Rio de Janeiro, da Avenida dos Desfiles, popularmente chamada de Sambódromo, hoje por lei denominada Passarela do Samba (1984)
3 – Nasce no Rio de Janeiro o cantor e compositor Jards Anet da Silva - Jards Macalé (1943)

3 – Nasce Jackie Joyner-Kersee, atleta estadunidense, considerada por muitos como a maior atleta feminina da história (1962)

4 – É deferido pela Regência o pedido de deportação dos africanos libertos envolvidos na Revolta dos Africanos ou Revolta dos Malês na noite de 24 e 25 de janeiro (1835).
4 – Nasce em Township, África do Sul, a cantora Mirian Makeba (1934)
5 – Fundação, em Salvador (BA) do Olori Afoxé (1981)

5 – Nasce Chiwoniso Maraire, cantora do Zimbabwe (1976-2013)

6 – Independência de Gana, primeiro país da África Negra a tornar-se independente (1957)
6 – Abolição da escravatura no Equador (1854)
7 – Grande marcha pelos direitos civis, de Selma à Montgomery, liderada por Martin Luther King Jr. (1963)
8 – Nasce no bairro de Periperi, Salvador (BA), o Bloco-Afro Ara Ketu (1980)
8 – Aprovada, na África do Sul a nova Constituição, que aboliu oficialmente o apartheid, regime racista dominado pela minoria branca (1996)

8 – Nasce Neusa Borges, atriz (1941)
9 – Nasce, na cidade de Recife (PE) o cantor e compositor José Bezerra da Silva - Bezerra da Silva (1938)
9 – Nasce, no bairro do Andaraí, Rio de Janeiro, a bailarina Isaura de Assis (1942)
9 – Nasce, em Colina (SP), o poeta Paulo Eduardo de Oliveira, Paulo Colina. Publicou "Fogo Cruzado", "Senta que o Dragão é Manso", participou também da "Antologia Contemporânea da Poesia Negra Brasileira" e "Cadernos Negros" (1950)
9 – Realiza-se, em Petrópolis (RJ), o I Encontro de Franciscanos Negros (1988)
10 – Nasce, em Tubarão (SC), Apolinária Mathias Batista - Mãe Apolinária, fundadora da "Sociedade Caboclos Amigos" em Porto Alegre (RS) (1912)
11 – Nasce, na Praça Mauá (RJ), a atriz Léa Garcia (1933)
12 – Independência das Ilhas Maurício (1968)

13 – Nasce Iziane Castro Marques, jogadora de basquete brasileira (1982)
14 – Nasce na Fazenda Cabaceiras, município de Muritiba (BA), Antônio de Castro Alves, o "poeta dos escravos". É um dos poetas mais populares do país, autor de "Vozes d'África, "Navio Negreiro", "A Cachoeira de Paulo Afonso", "Saudação aos Palmares", "Adormecida" e outros (1847)
14 – Nasce, em Juiz de Fora (MG) o cantor e compositor Sinval Machado da Silva, Sinval Silva, o compositor predileto de Carmem Miranda (1906)
14 – Nasce, em Franca, São Paulo, o artista e político Abdias Nascimento, fundador do TEN – Teatro Experimental do Negro (1914)
14 – Nasce, em Sacramento, Minas Gerais, a escritora Carolina Maria de Jesus, autora de "Quarto de Despejo" (1914)
14 – É lançado em Salvador, Bahia, o jornal O Abolicionista (1871)
14 – Realiza-se, em São Paulo, o I Encontro dos Agentes da Pastoral Negros (1983)

15 – Nasce Cecil Taylor, músico e compositor estadunidense, foi o pianista mais importante do free-jazz (1929)

16 – Surge nos Estados Unidos o Freedom's Journal, o primeiro jornal com temática negra da América (1827)
16 – Nasce em Japaratuba (SE), o artista plástico, Arthur Bispo do Rosário (1911)
16 – Nasce em Montgomery, Alabama, (EUA), o cantor e pianista Nahaniel Adams Coles - Nat King Cole (1919)

17 – Nasce Nathaniel Adams Coles, Nat “King” Cole, um dos mais importantes pianistas de jazz, cantor e compositor do século XX (1919-1965)

18 – Nasce Queen Latifah, cantora, rapper, atriz, compositora, modelo, produtora musical, comediante e apresentadora estadunidense (1970)

18 – Nasce Vanessa Lyn Williams, cantora, atriz e compositora estadunidense, famosa por ter sido a primeira Miss America Negra, em 1983 (1963)

19 – Nasce, em Pateoba (BA), o cantor e compositor José de Assis Valente, autor de inúmeros sucessos como: "Camisa Listada", "Boas Festas" e do samba antológico "Brasil Pandeiro" (1908)
19 – Inicia-se o I Encontro Estadual de Conscientização e Cidadania Negra, no Estado do Rio de Janeiro (1988)
20 – Nasce, no Rio de Janeiro, o ator e cantor lírico, Manuel Claudiano Filho - Claudiano Zani (1926)
21 – Nasce, no Rio de Janeiro (RJ), o radialista, humorista, cronista e compositor Haroldo Barbosa (1915)
21 – Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial
21 – Independência da Etiópia (1975)
21 – A polícia sul-africana atira contra um cortejo fúnebre de quinhentas pessoas no bairro negro de Langa, na periferia da cidade de Uitenhage, matando 21 manifestantes. O dia ficou conhecido como "Quinta-feira Sangrenta" (1985)
21 – Independência da Namíbia (1990)
21 – Dia Internacional pela Eliminação da Discriminação Racial, em memória das vítimas do massacre de Shapeville, na África do Sul (1960)
21 – Zumbi dos Palmares é incluído na galeria dos heróis nacionais (1997)
22 – O explorador negro Alonso Pietro se incorpora à expedição de Cristóvão Colombo (1492)
22 – Nasce em Madureira (RJ), o cantor e compositor Jorge Duílio Lima Menezes - Jorge Benjor, autor de "Chove Chuva", "Cadê Teresa", "África-Brasil (Zumbi)", "País Tropical", "Que Maravilha", entre outros sucessos (1944)
23 – Abolição da escravidão em Porto Rico (1873)

24 - É oficializada a abolição da escravatura na Venezuela (1854)
25 – Proclamação nesta data da libertação final de todos os escravos existentes na Província do Ceará (1884)
25 – Nasce, em Detroit, Michigan Estados Unidos, a cantora Aretha Franklin (1942)
25 – Criação, no Rio de Janeiro do jornal A Voz do Morro (1935)
25 – Nasce Aristides Barbosa, jornalista, educador e ex-militante da Frente Negra (1920)

26 – Nasce Diana Ross, cantora e atriz estadunidense, foi a líder do grupo musical "The Supremes” (1944)

27 – Nasce, numa família de músicos e artistas de Newark, Nova Jersey (EUA), a cantora de jazz, Sarah Louis Vaughan - Sarah Vaughan (1924)

27 – Nasce Luiza Helena de Bairros, socióloga, ativista do do Movimento Negro Unificado e feminista negra (1953)
28 – Nasce, em Cabo Frio (RJ), Antônio Gonçalves Teixeira e Souza, considerado um dos precursores do romantismo e autor do primeiro romance brasileiro: "O Filho do Pescador" (1843)
28 – Fundação, em Pelotas (RS) do Clube Abolicionista (1884)

29 – Nasce Lee ("Scratch") Perry, compositor, cantor e DJ jamaicano, um dos nomes mais destacados da música reggae (1936)

30 – Os homens afro-americanos conquistam direito ao voto nos EUA (1870)

30 – Nasce Maria Bibiana do Espírito Santo, Mãe Senhora, ialorixá do Ilê Axé Opô Afonjá (1900)
31 – Fundação, em Campos, Rio de Janeiro, da Sociedade Emancipadora Campista (1870)

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segunda-feira, 29 de setembro de 2008

TJES vai realizar audiência pública inédita na história dos tribunais estaduais brasileiros

ANDRÉA RESENDE E ANA CAROLINA MONTEIRO - da redação do TJES

Em uma decisão inédita, o desembargador Samuel Meira Brasil, marcou para o dia 22 de outubro a realização de uma audiência pública, que vai possibilitar aos desembargadores do Tribunal de Justiça do Espírito Santo obter informações sobre cotas para afro-descendentes em concurso público. O desembargador Samuel é o relator de uma ação direta de inconstitucionalidade da lei municipal de Vitória, que prevê a reserva de 30% de vagas para afro-descendentes. A lei de nº 6.225, de 24 de novembro de 2004, aprovada pela Câmara Municipal de Vitória, foi vetada pelo prefeito e, posteriormente, os vereadores derrubaram o veto. O Ministério Público Estadual, então, protocolou no Tribunal de Justiça uma ação questionando a constitucionalidade da lei.

Nesta audiência, o Tribunal não vai julgar a controvérsia, este não é o momento de decidir se a lei é ou não constitucional, vamos apenas ouvir os argumentos das entidades e dos cidadãos capixabas que queiram se manifestar, de forma favorável ou contrária às cotas para afro-descendentes em concurso público, explicou o desembargador-relator.

Todas as partes interessadas poderão participar da audiência, basta fazer a inscrição até o dia 15 de outubro, no link que estará disponível na página do Tribunal de Justiça www.tjes.jus.br a partir do dia 26 de setembro. Quem deixar para última hora corre o risco de não poder se manifestar, pois o relator vai analisar o número de inscritos, de que modo cada um pretende contribuir para essa discussão e ordenar as falas.

Este ano, o Supremo Tribunal Federal - STF realizou duas audiências públicas: uma sobre a autorização de aborto, em caso de gestação de anencéfalos, e outra sobre a liberação de células-tronco no uso de pesquisas. Foram as primeiras audiências públicas realizadas pelo STF e agora o TJES é o primeiro Tribunal do país a lançar mão dessa discussão democrática, diante da polêmica que envolve o assunto.

Essa é uma forma de democratizar o Poder Judiciário e de assegurar a aproximação do Tribunal de Justiça com a população, que é verdadeiramente quem irá sentir os efeitos da decisão judicial. Estamos, assim, diante de um Poder Judiciário que se preocupa, não apenas em atuar para o povo, mas também com o povo, afirmou desembargador Samuel.

Assim como o STF, o desembargador Samuel Meira Brasil Júnior vai utilizar o Regimento da Câmara dos Deputados para presidir os trabalhos da audiência pública. É importante ressaltar que não será permitido, em hipótese alguma, qualquer tipo de confronto entre os participantes ou manifestações dentro do Tribunal. Cada um terá, no máximo, 20 minutos para colocar e defender suas idéias e, após as exposições, os desembargadores podem fazer perguntas, enriquecendo a audiência. Caso o expositor desvie do assunto ou perturbe a audiência, ele poderá ser advertido ou atém mesmo convidado a se retirar pelo relator.

O desembargador Samuel também decidiu realizar uma audiência pública virtual. Será criado um outro link no site do Tribunal, que vai receber mensagens sobre a questão de reserva de vagas para afro-descendentes em concursos públicos. Essa audiência virtual ficará disponível na página enquanto o processo estiver tramitando e não serão permitidas expressões ofensivas ou inflamadas.

A decisão do desembargador Samuel saiu publicada no Diário da Justiça de 22 e 23 de setembro. A audiência pública está marcada para às 14 horas do dia 22 de outubro, no Salão do Tribunal Pleno, no Tribunal de Justiça, localizado na Enseada do Suá, em Vitória

domingo, 28 de setembro de 2008

7ª Feira Preta Cultural - SP

Qual o espaço da cultura negra hoje?
Feira Preta em dobro em 2008
A cidade de São Paulo será novamente palco de uma das mais tradicionais festas de celebração da cultura negra brasileira. A 7ª edição da Feira Preta Cultural acontece nos dias 13 e 14 de dezembro, das 12h às 22h, no Palácio das Convenções do Anhembi.
O evento terá o tema “Qual o espaço da cultura negra hoje?” e acontece pela segunda vez em dois dias desde que foi criado em 2002. Segundo sua idealizadora, Adriana Barbosa, a intenção é proporcionar ao público mais tempo para refletir sobre a cultura negra e também e participar de suas atividades.
A programação cultural será marcada pela presença feminina. Artistas plásticas, literárias, cineastas, religiosas, estilistas, dançarinas, atrizes, entre outras personalidades celebrarão a rica cultura afro-brasileira em uma verdadeira homenagem à mulher negra. O público será convidado a interagir com as artistas por meio de oficinas, bate-papo, desfiles e manifestações culturais.
O encontro é conhecido por reunir música, dança, moda, culinária, literatura, cinema e outros elementos da cultura negra em um só local. A expectativa é de que cerca de 16 mil pessoas freqüentem a festa em 2008. Nos seis anos anteriores mais de 57 mil visitantes passaram pela Feira.


Novidades desta edição
A interatividade será a grande inovação da 7ª feira Preta. Na Passarela do Povo o público é quem vai ditar quais serão as tendências da moda, desfilando com roupas e estilos de penteado próprios. No Palco Alternativo o espaço estará livre para experiências sonoras e a artistas underground. No Púlpito da Preta os visitantes terão o microfone aberto para expressar seus pensamentos.
Outra novidade é que pela primeira vez a Feira terá uma série de palestras sobre empreendedorismo, ligados ao Programa Qualifica. O projeto estabelece uma ponte entre setores da iniciativa privada (bancos, empresários, associações) e produtores de artesanato, na intenção de melhorar técnicas de produção, venda e administração e aprimorar o trabalho de micro-empresá rios e empreendedores negros ou que trabalham com produtos voltados para esse segmento étnico. Tudo isso além dos já tradicionais Espaços Culturais, Mercado da Preta e Degustasom e das atrações musicais.
Feira Cultural Preta
Telefones: (11) 3031-2374 | (11) 8336-1012
E-mail: feirapreta@uol. com.br
Comunidade Feira Preta: feirapreta.ning. com

Aganju promove "Terças Americanas" - BA

O AGANJU (Afro-Gabinete de Articulação Institucional e Jurídica) irá promover um mês de exibição de filmes seguidos de debates. O intuito é aproximar a militância e a comunidade em geral da realidade dos outros países das Américas. A idéia é que qualquer ação reivindicatória de autonomia étnica, direitos e cidadania deve passar por alianças com as demais comunidades da diáspora africana. Para o coordenador do AGANJU, Ari Souza, 'conhecer a realidade desses países é passo importante desse processo'. Segue programação das atividades:

TERÇAS AMERICANAS
EXIBIÇÃO DE VÍDEO - ANÁLISE - DEBATES
Rua da Paz, s/n, Graça, Faculdade de Direito da UFBA, sala 52, 2º andar.

Sempre às 9 horas! Entrada Franca!



30/09/2008

Filme: 'A revolução não será televisionada'

Análise - Prof. Dr. Muniz Ferreira (FFCH/UFBA)

07/10/2008

Filme: 'Panteras Negras'

Análise – Sec. Luiza Bairros (SEPROMI/Governo da Bahia)

14/10/2008

Filme: 'Cocalero'

Análise – Prof. Jerônimo Mesquita (FDIR/UFBA)

21/10/2008

Filme: 'Muito além do cidadão Kane'

Análise – Prof. Dr. Albino Rubim (FACOM/UFBA)

28/10/2008

Filme: 'A grande farsa do aquecimento global'

Análise – Profa. MSc. Andréa Ventura (a confirmar)

Coord. Acadêmica: Prof. Dr. Muniz Ferreira (FFCH/UFBA)

Comissão executiva:

Ari Souza - Muniz Ferreira - Darlene Sousa

MAIORES INFORMAÇÕES

sábado, 27 de setembro de 2008

Sincretizado com os santos Cosme e Damião, Ibêji é celebrado neste sábado com o "caruru dos meninos'

Veja quais são as predileções alimentares dos orixás do candomblé
JANAINA FIDALGO
DA REPORTAGEM LOCAL
Dizia Jorge Amado que os Ibêji, orixá duplo do candomblé sincretizado com os santos Cosme e Damião, são amigos da boa mesa da culinária baiana.Quando se observa a fartura do "caruru dos meninos", celebrado neste sábado, a gourmandise desse orixá fica evidente. Aos gêmeos protetores da infância oferenda-se caruru e também acarajé, abará, vatapá, xinxim de galinha, farofa, rapadura, cana-de-açúcar..."O candomblé é uma religião de antepassados. E, segundo as antigas tradições, quando se cultua os antepassados, oferece-se tudo que é necessário à vida, sobretudo comida e bebida", diz o sociólogo Reginaldo Prandi, professor aposentado da Universidade de São Paulo e autor de "Mitologias dos Orixás". "Cada orixá tem predileção por um alimento."No dia de Ibêji, o caruru (prato à base de quiabo, camarão seco e dendê) é oferecido ao orixá e depois a sete crianças, que o recebem em uma grande tigela. Quando terminam, só então os adultos são convidados a compartilhar o alimento."A comida é elo entre a comunidade e os ancentrais", diz o antropólogo Vilson Caetano de Sousa Júnior, professor da Uneb (Universidade do Estado da Bahia) e autor de "Banquete Sagrado", com publicação prevista para o final deste ano."Uma coisa é o cortado de quiabos, outra é a oferenda de caruru que se faz a Ibêji", diz. "Diferentemente da comida do dia-a-dia, a comida ritual, votiva, é preparada de acordo com preceitos que pressupõem da abstinência sexual à exigência de que o corpo esteja limpo."
Dos terreiros para a rua
Na Bahia, as promessas feitas a Ibêji, do termo iorubá para gêmeos, são pagas com um grande caruru e com a distribuição de doces e presentes para as crianças. O tamanho do prato é medido em quiabos: caruru de mil, de 5.000 quiabos."Com o tempo, a festa de Ibêji foi além dos terreiros. Atinge até quem não é do candomblé. Assim como a festa de 31 de dezembro, nas praias, era uma festa de terreiro para Iemanjá e hoje é de todos", diz Prandi.Um traço importante das comidas de orixá é o uso, quase onipresente, do dendê -quase porque há orixás que têm o ingrediente como um tabu alimentar, caso de Oxalá."A palmeira de dendê foi aclimatada ao Brasil para suprir a região de um óleo que é essencial nesta culinária sagrada", diz Prandi. "As comidas [de terreiro] nada mais eram que as comidas do dia-a-dia, que acabaram sendo trazidas para o Brasil pelo tráfico de escravos. Com a restauração da religião negra no Brasil, essas receitas se mantiveram vivas. Claro que sofreram adaptações, porque nem todos os ingredientes de lá estavam disponíveis aqui."A culinária sagrada, porém, não ficou limitada aos terreiros. "É certo que a culinária baiana saiu dos terreiros. O acarajé é uma comida sagrada que passou a ser vendida nas ruas de Salvador", diz o antropólogo Rodnei William Eugênio, autor do livro "Acaçá, Onde Tudo Começou - Histórias, Vivências e Receitas das Cozinhas de Candomblé". "Muitas mães-de-santo ganharam sua vida e muitas negras compraram sua alforria vendendo quitutes feitos nos terreiros."Para o professor da Uneb, os terreiros de candomblé preservaram as técnicas africanas. "No fundo, o sagrado come o que os homens comem", diz. "É extremamente positiva a popularização de tais comidas. Isso mostra o poder que a cultura de matriz africana teve de se disseminar, de se espalhar."
As iabassês e os tabus
A preparação das comidas de oferenda, chamadas de ebós, cabe a uma mulher, a Iabassê. "No candomblé, a cozinha é um templo, é um espaço sagrado e cheio de interdições", diz Eugênio. Oxalá, por exemplo, é um orixá cheio de tabus (leia no quadro à direita). Tem, por isso, uma cozinha exclusiva, onde não entram dendê nem sal."Os tabus são formas de criar a sua identidade através de uma exclusão", explica Prandi.

SP TAMBÉM TEM "CARURU DOS MENINOS' Em São Paulo, o dia de Ibêji pode não ser tão popular quanto é em Salvador. Ainda assim, a festa não passará despercebida. Domingo, a partir das 14h, o terreiro Ilê Alaketu Axé Airá, em São Bernardo do Campo (r. Antonio Batistini, 226, Batistini, tel. 0/ xx/11/ 4347-0134), fará uma festa para os gêmeos. Capitaneado por pai Pércio de Xangô, o "caruru dos meninos" é aberto ao público -a doação de doces, brinquedos e bexigas é bem-vinda.No Soteropolitano (tel. 0/ xx/11/3034-4881), na Vila Madalena, a tradição do caruru se mantém há 13 anos e volta a acontecer neste sábado. "Apesar de eu não participar do candomblé, está no sangue", brinca Júlio Valverde, dono do restaurante.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Bolsas de francês para cotistas de baixa renda - BA

PÚBLICO-ALVO
Alunos de graduação da Universidade Federal da Bahia que estejam em situação de vulnerabilidade sócio-econômica.

DURAÇÃO
O curso será realizado no decorrer de 09 (nove) meses, com aulas de segunda a sexta das 18:30 às 21:00h., perfazendo a carga horária total de 293h, tendo início em 06 de outubro de 2008.

SELEÇÃO DOS ALUNOS
Para participar do curso os alunos deverão atender aos seguintes critérios:
a) Ser estudante em situação de vulnerabilidade sócio-econômica (renda per capita familiar igual ou inferior a um salário mínimo);
b) Ser cadastrado na Pró-Reitoria de Assistência Estudantil;
c) Ter disponibilidade para investir 12 horas semanais num curso intensivo (2 h e meia por dia) durante 09 meses;
d) Ter disponível, de 2ª. à 6ª. feira, o horário das 18:30 às 21:00h;
e) Estar de acordo com a concessão de apenas três recessos durante os 09 meses de duração do curso: Festas de final de ano, Carnaval e Semana Santa;
f) Comprometer-se em manter freqüência igual ou superior a 75% durante todo o curso;
g) Preferencialmente, não ter outro curso de graduação;
h) Não ser beneficiário de outra bolsa de estudos em língua estrangeira pela UFBA.

INSCRIÇÕES
As inscrições serão realizadas entre os dias 26 de setembro e 03 de outubro, das 13 às 16h, na Coordenadoria de Ações Afirmativas, Educação e Diversidade.
Maiores informações, entrar em contato através dos telefones 3283-7015/7020.

CEPAIA cadastra teses e dissertações sobre a temática Étnico-racial - BA

O Centro de Estudos dos Povos Afro-índio-americanos - CEPAIA, da Universidade do Estado da Bahia - UNEB, está organizando um banco de dados vinculados à temática étnico-racial e, para tanto, solicita aos pesquisadores da área o envio de cópia impressa e em CD-ROM de teses e dissertações para o seguinte endereço:

CEPAIA
Largo do Carmo, 4
Centro Histórico
Salvador - Ba
CEP 40030-040
Telefones: (71) 3241-0811/3241-0840

Curso Introdução aos Estudos Africanos e Afro-brasileiros - GO

Com Conferência da Profa. Dra. Marly Silveira, do Pós-graduação em Educação da UnB, sobre Ação Afirmativa na Educação, e apresentação de Danças Afro-brasileiras pelo bailarino e coreógrafo Elisandro Timbalada e Grupo Raízes, a Associação Pérola Negra, o CEAB/UCG, o CIEAA/UEG, o Museu Antropológico da UFG e a SEMIRA – Secretaria de Estado de Políticas para Mulheres e Promoção da Igualdade Racial lançam nesta sexta-feira, 26, o Curso Introdução aos Estudos Africanos e Afro-brasileiros no Auditório da Área II da UCG, às 19 horas. A programação dá início a Curso de Estudos Afro que se desenvolverá até o dia 06 de dezembro, com aulas todos os sábados, ministradas por doutores, mestres e especialistas pesquisadores da História e das culturas africanas e afro-brasileiras. As inscrições para o Curso podem ser feitas no CEAB/UCG ou momentos antes da Conferência. Mais informações podem buscadas nos telefones: 3946 1618 ou 91248512 com os Professores Uene Gomes ou Marilena da Silva. Conferência com Profa. Dra. Marly Silveira (UnB) sobre ação afirmativa na educação e estudos afro-brasileiros

Quando: Sexta-feira, 26 de setembro de 2008 19 horas
Onde: Auditório do Básico da UCG – Área II - Bloco C – Setor Universitário Entrada Franca
Contatos: 3946 1618 CEAB/UCG (Prof. Uene Gomes)
9124 8512 Associação Pérola Negra (Profa. Marilena)
perolanegra_ axe@yahoo. com.br

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Terreiro da Casa Branca promove Feira de Saúde - BA

CONVITE

A venerável Casa Branca do Engenho Velho da Federação, Ilê Axé Iyá Nasô Oká, juntamente com o Distrito Sanitário Barra/Rio Vermelho, através da Assessoria de Promoção da Equidade Racial em Saúde, tem a honra de convidá-l@s para este sabado, 27/09, quando acontecerá a VI Feira de Saúde da Casa Branca, no horário das 9 às 17 horas.

Este ano a Feira traz como tema "A Saúde da População Negra de Salvador, a Violência Urbana e as políticas para os Terreiros de Candomblé" e contará com a presença d@s candidat@s a prefeitura municipal e também dos vereadores negr@s comprometidos com estas questões, que irão falar sobre essa temática.

Porque para nós "...a felicidade do negro é uma felicidade guerreira..." e nossa luta por saúde incluí todas essas coisas e muito mais.

Venha compartilhar conosco deste dia saudável, onde serão disponibilizados serviços de saúde como: aferição da pressão arterial e da glicemia, informações sobre DST/AIDS, atividades de saúde bucal, controle de zoonoses, além de peças teatrais, rodas de capoeira, massoterapia, comidas gostosas e a GINCANA DA SAÚDE, protagonizada pelas crianças do Axé!

Sejam bem vind@s a nossa casa de saúde a Casa Branca!

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Encontro sobre a literatura infanto-juvenil - BA

No mês em que a cultura afro-baiana celebra o universo infantil, através do tradicional carurú de Cosme e Damião, o Projeto "QUARTINHAS DE ARUÁ – encontros de Literatura Negra", terá como tema a Literatura Infanto-Juvenil. O encontro literário acontecerá no Cine Teatro Solar Boa Vista de Brotas, dia 24 de setembro a partir das 17h. Para falar sobre o tema, foram convidadas as pesquisadoras Mária Anória Oliveira, Cláudia Alexandra Santos e Luiza Passos. As professoras abordarão a importância da literatura infantil para a eliminação de estereótipos e preconceitos.

Além do tradicional debate sobre a produção literária afro-brasileira e a performance de poetas e artistas, regado à bebida aruá, este mês, os coordenadores das Quartinhas, Landê Onawalê e Jocélia Fonseca oferecerão uma oficina literária gratuita para as crianças presentes. O objetivo é despertar nas crianças o gosto pela escrita e pela poesia. Toda produção da oficina será apresentada, à noite, no sarau literário.

Realizado toda última quarta-feira, de cada mês, o Projeto Quartinhas de Aruá é uma atividade que reúne poetas, escritores, artistas de outras linguagens, bem como pessoas interessadas em arte e literatura, e tem como finalidade principal estimular a produção e circulação da literatura feita por autoras e autores negros ou que tenham como tema e referência a cultura negra.

SERVIÇO

O QUÊ? Quartinhas de Aruá – encontros de literatura negra

QUANDO? 24 de setembro (quarta-feira), a partir das 17h.

ONDE? Cine-Teatro Solar Boa Vista de Brotas, Parque Boa Vista de Brotas, Engenho Velho de Brotas – Próximo à antiga Prefeitura, atual Secretaria Municipal de Educação.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Universidade Católica de Petrópolis oferece curso de pós-graduação sobre África - RJ

Universidade Católica de Petrópolis
Petrópolis-RJ
Pós-Graduação em Africa Brasil: Laços & Diferenças
Inscrições no site: http://www.atlantic aedu.com. br/#
Africa Brasil: Laços & Diferenças
Área: História, Literatura & Cultura Afro-Brasileira
Curso: Africa Brasil: Laços & Diferenças
Coordenadora: Maria Teresa Salgado

clique aqui para ver o perfil do coordenador

Objetivos:Discutir aspectos da história e da cultura do continente africano, considerados fundamentais para uma compreensão da formação da cultura brasileira. Pesquisar a contribuição do negro na cultura brasileira à luz das trocas interculturais que estabeleceram com o continente africano ao longo do período colonial e também posteriormente. Investigar sobre a pluralidade histórica e cultural de variados povos africanos e as formas como contribuíram para a constituição da sociedade brasileira. Analisar produções literárias e artísticas em geral dos paises africanos de língua oficial portuguesa, bem como a produção artística e literária afro-brasileira, destacando o papel de afirmação e emancipação que se desenvolveu no seio dessas produções. Capacitar os alunos metodologicamente, ensinando-lhes técnicas de fichamento, resenhas, relatórios e monografias. Atender, do modo mais amplo e aberto possível, à demanda da Lei nº 10.639, de 09 de janeiro de 2003, que determina " o estudo da história da Africa, dos africanos, da luta dos negros no Brasil, da cultura negra e do negro na formação da sociedade nacional" como conteúdos fundamentais nas disciplinas de educação artística, história e literatura. ministradas no curriculo oficial das redes pública e particular de ensino.


PROGRAMA


África em perspectiva no cinema
Introdução à História da África

Mitologias africanas
Arte Africana e Afro-Brasileira

Organização Social Africana
Metodologia da Pesquisa Científica
O Negro no Brasil: panorama histórico
Cultura/Literatura afro-brasileira
Religiões Africanas na diáspora
Cultura e Literatura angolana
Cultura e Literatura moçambicana
Cabo Verde: Cultura e Literatura
Panorama histórico: Angola, Moçambique, Cabo Verde.
Relações raciais e literatura infanto-juvenil
Estratégias para uma discussão da Lei 10.639


Corpo docente convidado


Ana Lúcia Mayor - UFRJ
Carmen Tindó R. Secco - UFRJ
Conceição Evaristo - Escritora
Edna Maria dos Santos - UERJ

Heloisa Toller - UERJ
Luena Nunes Pereira - UNICAMP

Luis Antonio Simas
Lia Faria - UERJ

Marilene Rosa Nogueira da Silva -UERJ
Maria Nazareth Fonseca - PUC Minas
José Flávio Pessoa de Barros - UERJ
José Maria Nunes Pereira - Universidade Candido Mendes
Laura Padilha - UFF
Simone Caputo Gomes - USP
Sílvio Renato Jorge - UFF

Público alvo:
Professores de literatura, História, Comunicação, Educação Artística e profissionais de área afins, bem como todos que possuem interesse pelos temas a serem abordados.

Duração:
15 meses

Semana da Mãe Preta - BA

DIA 22/09


08:00 - Abertura da Semana – Apresentações artísticas em homenagem a Mãe Hilda com Band´Erê e Escola Mãe Hilda. Local: Terreiro Ilê Axé Jitolu

18:00 - Apresentação do monólogo “Cinco mulheres por um fio”, com a atriz Solange Couto. Local: Sede do Ilê Aiyê

DIA 23/09

19:00 - Palestra com a professora Joseania Miranda Freitas e o Professor Sandro Teles.

Tema: “Resistência Negra na América do Sul”.

19:30 - Coquetel.

Local: Sede do Ilê Aiyê

DIA 24/09

Oficinas artísticas para alunos das duas escolas: Band´Erê e Escola Mãe Hilda.

08:30 ás 11:30 - Com coordenação das professoras de dança da Band´Erê Cristiane Viana e Talita

14:00 ás 17:00 Amorim os professores de percussão Edmilson Mota e Vinicius Silva

Local: Sede do Ilê Aiyê

19:00 - Oficina terapêutica para o grupo Dandarerê.

Com a coordenação da Sra Luíza Huber - Terapeuta Corporal.

Oficina artística para escola profissionalizante com a coordenação da Sra Amélia Conrrado professora de dança da UFBA e Cristiane Viana Professora de dança da Band´Erê e participação do grupo de dança do Ilê Aiyê

Local: Sede do Ilê Aiyê

DIA 25/09

19:00 – Mesa redonda: “20 anos da Escola Mãe Hilda”. Com as professoras Ana Célia da Silva, Valdina Pinto, Jô Guimarães, Hildelice Benta, e ex-alunos (as) convidados.

Local: Sede do Ilê Aiyê

DIA 27/09

22:00 - Ensaio do Ilê em homenagem a Semana da Mãe Preta, com a Band’Aiyê, Samba de Cozinha e Grupo Banda Bagagem de Mão.

Local: Sede do Ilê Aiyê
Com exceção do ensaio no dia 27/09, todos os eventos são gratuitos. O preço do ingresso para o ensaio é R$ 10,00

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Arte e Militância Negra - BA

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Caminhada pela vida e liberdade religiosa - BA

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terça-feira, 16 de setembro de 2008

"Quaresma de Idéias" - BA

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segunda-feira, 15 de setembro de 2008

O grande crime da água dos irmãos Rebouças e o capitalismo tardio (Carlos Nobre)

Depois terem participado da Guerra do Paraguai, criado empresas e se tornado referências na engenharia brasileira, os irmãos Rebouças (André e Antonio) foram incumbidos pelo poder público, em 1870, de resolver um grave problema: a persistente falta d'água na corte imperial, que sentia ainda os efeitos da seca de 1869.
Dependendo ainda do antigo chafariz público do Largo da Carioca, a população do Rio de Janeiro sentia os efeitos dramáticos da seca. Isto porque a cidade, embora capital imperial, não investira num sistema moderno de captação de água através de novas metodologias da engenharia civil.
Por esse motivo, a insatisfação popular crescia devido ao fato de as famílias não terem água para atenderem suas necessidades higiênicas, culinárias e sanitárias.
O clamor popular pela presença de água abundante tendia aumentar cada vez mais à distância entre o imperador D. Pedro II e os cariocas, pois, o poder público, impotente, não sabia como apresentar uma solução técnica para tão grave problema.
Percebendo o drama social que aumentava a cada dia, Irmãos Rebouças se sensibilizaram com as queixas do povo. Muitos sabiam que grupos que conheciam determinadas nascentes, manipulavam a venda de água clandestina à cidade. Isto porque, ao contrário dos demais cariocas, esses grupos – inclusive negros alforriados - tinham pleno conhecimento topográfico da cidade e de seu entorno, principalmente das áreas rurais, onde podiam captar água clandestinamente.
Os irmãos afrodescendentes discutiram tecnicamente entre si sobre o problema da falta de água que atormentava a capital imperial. Perceberam, neste sentido, que tinham soluções técnicas inovadoras para resolver a questão que a "engenharia oficial" não detinha. Em vista disso, foram falar com o imperador, no Paço Municipal.
Em seu diário, que hoje faz parte do acervo do Instituto Geográfico e Histórico Brasileiro, André disse ao monarca que ele e o irmão descobriram como resolver o problema em pouco tempo. O imperador, feliz, argumentou para os irmãos que o estado deveria, então, oferecer água farta e gratuita para toda a população.
Os irmãos Rebouças, no entanto, ficaram contra esta proposta." Combatemos também a falsa idéia, que tem o imperador, de dar água aos pobres gratuitamente nas fontes e lhe demonstramos que é muito mais liberal e higiênico dar aos pobres água em domicilio por um preço mínimo ( 1)", escrevia Rebouças em seu diário.
Uma comissão de engenheiros sob a liderança dos Rebouças foi formada para estudar a viabilidade técnica do projeto. Presidida por Antonio, esta comissão, chegou a conclusões importantes. Em primeiro lugar, Antonio destacou a importância das águas do Jardim Botânico e da Tijuca. Eram mananciais importantes. Mas como torná-los acessíveis à população ? Antonio, então, conseguiu encontrar o caminho técnico para trazer estes mananciais para as casas dos cariocas.
Quando as obras iam a pleno vapor, o então Ministro da Agricultura chamou André às pressas para uma reunião na Câmara dos Vereadores. O dirigente público lhe disse que os proprietários de terras achavam "exageradas" as providências feitas pelos Rebouças para dar água a cidade. E mais: lhe comunicou que tinha mandado sustar a abertura dos novos poços que eram fundamentais para analisar a viabilidade técnica da perspectiva tomada pelo engenheiros Rebouças.

Segundo Santos (1985: 160-163),

"A comissão tinha a incumbência de aproveitar mananciais, cavar poços e estabelecer adução ao centro da cidade e aos bairros atingidos pela falta d'água. André, em seu diário, registra o sucesso do trabalho da comissão, com a contratação do assentamento das águas do rio Macacos, melhoramento dos poços existentes e perfuração de novos e construção da represa do Trapicheiro"

Na verdade, esta decisão do então Ministro da Agricultura fora a resultante da pressão oculta feita pelos tradicionais inimigos dos Rebouças, a chamada "engenharia oficial", que não tinha idéias inovadoras neste campo e temia que os Rebouças se tornassem à referência nacional neste ramo, o que já estava acontecendo. Essa "engenharia" estava acostumada a mamar nas tetas do estado, sem lançar novas tendências técnicas de construção civil em benefício da população.

No mesmo embalo dos inimigos ocultos dos Rebouças, outros proprietários de terras procuraram André para se queixar das obras. Eles se mostraram céticos quanto ao resultado do projeto. Neste sentido, não iriam permitir que suas terras fossem perfuradas.

No entanto, contrariando os queixosos, o imperador deu ordens para que os Rebouças continuassem seu trabalho de tornar auto-suficiente o abastecimento de água da cidade.

Mas articulações contrárias ao civismo dos Rebouças não pararam por aí. No Senado, o conselheiro Zacarias atacou as obras e os Rebouças como estes estivessem fazendo um trabalho inútil e incapaz. A mídia da época publicava diversos artigos condenando as obras e seu custo.

Entendendo o que estava se passando na casa parlamentar, André foi procurar o tal conselheiro. Ao ouvir as argumentações do engenheiro, o senador se desculpou dizendo que seus ataques às obras eram necessidades de "fazer política de oposição", e com isto, chamar a atenção da sociedade (3).

Em 30 dias de trabalho, os irmãos Rebouças conseguiram tornar real uma das obras de grande impacto social do império: a ampliação de sistema de abastecimento de água da cidade do Rio de Janeiro.

A população vibrou. Pouca gente, no entanto, sabia que por trás daquela grande obra estavam dois engenheiros afrodescendentes, exceto, é claro, a classe dirigente e os inimigos dos Rebouças.

André, depois, em seu diário, lamenta o drama da genialidade dos irmãos engenheiros: "Cometemos o grande crime de dar, em 30 dias, 2.400.000 litros diários de água ao Rio de Janeiro (4)".

Em vista disso, os irmãos propõem ao imperador a criação de uma Companhia de Águas para dar uma administração moderna ao novo sistema de abastecimento de água na cidade. O imperador vibrou, mas novamente a "engenharia oficial" criou embaraços de todos os tipos e a empresa não sai do papel.

Três anos depois, André começou a escrever suas experiências com os burocratas e oligarcas do império ( 5). Ele definia o Brasil da época como o "paiz de apathia e de immobilidade", devido à subserviência, ao subdesenvolvimento, ao analfabetismo dos funcionários públicos encarregados de tomar decisões cruciais para a nação.

Ele, Rebouças, uma espécie de representante da modernidade capitalista que ele vira pipocar com fulgor na Europa, durante seu estagio de dois anos para se tornar engenheiro civil, via, agora, no Brasil, uma classe dirigente medíocre tomar corpo. Como ele escreve (1988: 370):

"Uma oligarquia estulta reduziu este país fertilíssimo a um estéril deserto, com uma só árvore – a mancenilha política – o monopólio governamental".

De desde episódio da água até 1883, André demonstrava extrema preocupação com a capacidade da burocracia oficial de barrar obras, empresas e empreendimentos capazes de levar o país para um novo patamar de desenvolvimento econômico e social.

Neste sentido, se preocupou com constatar e denunciar grandes entraves políticos-educacionais, que impossibilitava o pais de dar sair do período de trevas coloniais que ainda imperavam nas mentes das elites agrárias e urbanas.

Uma de suas críticas mais contundentes era o contra espírito contrário a criação de novas empresas num país ainda escravocrata. Ele mesmo, André, vira diversas iniciativas empresariais suas serem barradas com argumentos do mais mesquinhos.

Vejamos, neste sentido, estes argumentos rebouçianos ( 1988: 344-380):

"Só as pessoas, que se acham a testa das novas emprezas em atividade no império, fazem uma idéia justa da oposição sistemática, que ellas sofrem de todos os e de toda a parte. Como se ainda fossem poucas as innúmeras dificuldades naturaes, que são outros tantos obstáculos ao estabelecimento de indústrias em um paiz novo, como o nosso, cada empregado público julga ser do seu rigoroso dever combater, a ferro e fogo, as companhias. É o que eles chamam- matar a hydra do mercantilismo!"

" (...) o que falta a este Império, como a todos países do mundo, é capital, é indústria, é trabalho, é instrução, é moralidade. Esse não-estar, que obriga a dizer – há falta de braços – significa realmente que o paiz está tão mal governado que não pode garantir trabalho e pão para os seus habitantes".

Sobre o predomínio dos interesses políticos rasteiros sobre os empreendedores como ele (1988:345), Rebouças também não mede a pena ao escrever:

" Há, cumpre não esquecer, ainda uma terceira espécie de inimigos das companhias: são os políticos rotineiros, oligarcas, que enxergam nas companhias outros tantos obstáculos ao seu domínio sobre todos os cidadãos; a sua incessante aspiração de monopolisar a agricultura, a industria, o commércio, o trabalho, todas as importações, enfim, da atividade nacional".

" (..) nesta guerra contra as empresas, os empresários e as companhias ocupam a vanguarda os agentes do fisco e os engenheiros officiaes. Perante a alfândega as companhias nunca têm razão: as isenções de direitos concedidas por lei para o material importado pelas companhias irritam sobretudo os phariseus do fisco. Esquecem-se do progresso geral do Brazil, só vêm a percentagem perdida nos direitos não pagos pela companhia".

Rebouças ainda não perdoa o pais do atraso. Mostra como inexistia estatísticas oficiais para desencadear trabalhos de peso, critica a falta de uma educação básica para ampliar o conhecimento do brasileiro, bate de frente contra a permanência do sistema escravocrata e sugere medidas de impacto – como o incentivo a imigração européia – para desenvolver o país vasto, apático e incapaz de dar uma volta por cima apesar da riqueza natural incomensurável. Além disso, se bate firme pela educação e critica violentamente a tendência ao engodo, a preguiça e ao desmazelo da jovem nação tropical (1988:323):

" Tudo isso demonstra que é necessário educar a geração que cresce, para a agricultura, para a indústria, para o comércio, para o trabalho em uma só palavra! Até aqui a educação era meramente política. Sahia-se da academia para os collégios eleitorais, e muitas vezes para as assembleas legislativas provinceaes, e até para o parlamento nacional. Dahi essa repugnância geral para o trabalho produtivo".

E, por fim, ele ataca ainda uma instituição que sobrevive impoluta e poderosa até os dias de hoje: o gasto supérfluo e inexplicável (1988:313)

" Sim, é verdade, quanto dinheiro, que figura como divida da lavoura foi esbanjado no jogo, em eleições, em bailes, em banquetes e em toda a sorte de dissipações? Quem não sabe que houve senhor de engenho que cortava a canna ainda verde, reduzia-a a aguardente para poder ocorrer imediatamente ás dividas do jogo?"

O LEGADO DE ANDRÉ REBOUÇAS

  • Sua insistência nos na importância dos portos e estradas ressurgiram, em escala amplificada, no Brasil moderno, com os chamados " corredores de exportação", implementado nos anos 1980 a finalidade: embarque de mercadorias, como ele previra.
  • Saneamento da Baixada Fluminense. Sua proposta era transformá-la numa Nova Amsterdam, que não se concretizou. Mas surgiram inúmeras cidades sem os requisitos sanitários e urbanísticos que ele recomendou.
  • Propôs a criação de estradas interoceânicas que se concretizaram no século seguinte.
  • Recomendou a criação de parques florestais pelo pais. Hoje, há inúmeros parques. Sua recomendação fora baseada por uma obra que lera sobre "Yellow-Show Park", nos Estados Unidos.
  • Se preocupou com o saneamento das Baias de Guanabara e Sepetiba, no Rio de Janeiro, que hoje causam problemas ambientais.
  • Propôs a criação de um sistema habitacional humanizado e amplo para as populações de baixa renda.
  • Defendeu a reforma agrária – um seus dos precursores no Brasil – e se bateu contra o latifúndio.
  • Defendeu a imigração européia e ficou contra a imigração asiática
  • Criou a proposta da Higiene Pública para tornar a cidade mais habitável, limpa e confortável para seus habitantes.
  • Foi o primeiro engenheiro brasileiro a realizar ensaios para suas obras com cimento, impermeabilizantes para estacas e com madeiras para o mesmo fim.
  • Teve ampla visão do emprego da madeira para o futuro das obras no pais.
  • Incentivou a navegação no interior, aumentando assim, as possibilidades marítimas do Brasil.
  • Copiando o que os ingleses fizeram na Índia, no combate às secas, propôs a criação de uma malha ferroviária densa no nordeste, para facilitar o êxodo e a remessa de recursos aos flagelados. Essa proposta mais tarde se concretizou.

Foi precursor e solidarizou-se com as seguintes questões:

  • A cremação de cadáveres
  • A conservação de áreas florestais
  • O imposto territorial como meio de nacionalização do solo
  • Construção de restaurantes para operários de obras
  • A difusão de cooperativas
  • A descentralização governamental
  • A liberdade de comércio e abolição de direitos protecionistas.
  • Investimentos públicos e privados no sertão
  • A arbitragem nos conflitos internacionais
  • Foi introdutor de diversas técnicas na engenharia militar, florestal, portos, navegação, ferrovia e hidrovias.
  • Criou inúmeras cadeiras de engenharia na antiga Escola Politécnica do Largo de São Francisco no Rio de Janeiro.

NOTAS

1. Santos, Sydney M.G. dos. André Rebouças e seu tempo. Vozes, Rio de Janeiro: 1985.

2.Idem, ibidem.

3. Idem, ibidem.

4. Idem, ibidem.

5. Idem, Ibidem.

6. Rebouças, André. Agricultura nacional: estudos econômicos, propaganda abolicionista e democrática. ( setembro de 1874 a setembro de 1883).Fundação Joaquim Nabuco, Recife: 1988.


ONU nomeia nova Alta Comissária dos Direitos Humanos

A Nova Alta Comissária dos Direitos Humanos das Nações Unidas, Navi Pillay tomou posse no dia 1 de setembro. Abrindo a 9ª. Sessão do Conselho de Direitos Humanos abordou dentre outros temas A Conferência de Avaliação de Durban, prevista para abril de 2009.
Navi Pillay, que é de origem hindu e da África do Sul, vem do sistema internacional de justiça, onde teve extensa experiência com a questão do genocídio e crimes contra a humanidade. Pillay trabalhou no Tribunal de Rwanda e considera o genocídio a última forma de discriminação.Tendo sido vítima de discriminação racial e de gênero no regime do apartheid na África do Sul, Pillay considera que o desenvolvimento,a segurança, a paz e a justiça são minados quando se permite que a discriminação e a desigualdade, de forma aberta ou sutil, infestem e envenenem as relações sociais.
Com relação à Conferência de Avaliação de Durban, ela apela aos Estados para que as divergências de ponto de vista não os impeçam de participar . Ela considera que o “tudo ou nada” não é a abordagem correta para se afirmar os seus princípios e argumentos. A Alta Comissária considera que o processo de avaliação se beneficiará com a participação de todos os Estados. “Se as diferenças se transformarem em pretextos para a falta de ação, as esperanças e aspirações de muitas vítimas da intolerância serão prejudicadas talvez irreversivelmente”, declarou.

*** Por Edna Roland, com base na Nota de Imprensa publicada abaixo pelo Alto Comissariado das Nações Unidas.

High Commissioner’s First Speech to the Human Rights Council

High Commissioner for Human Rights Navi Pillay opened the ninth Session of the Human Rights Council this week highlighting the importance of impartiality and adherence to the standard represented by the Universal Declaration of Human Rights, which is “applied equally to all without political consideration.”
“I start from the premise that the credibility of human rights work depends on its commitment to truth, with no tolerance for double standards or selective application,” the High Commissioner said in her first speech to the Human Rights Council.
“Sustained by the United Nations principles of impartiality, independence and integrity,” she said, “I am determined to follow in the footsteps of my predecessors who envisaged and shaped their office as a springboard for the betterment and welfare of all and a place where all are given a fair audience.”
Pillay, who took office as High Commissioner on 1 September, noted that 2008 contains a number of important human rights milestones – including the 60th anniversaries of the Genocide Convention on 9 December, of the Universal Declaration of Human Rights the following day, and the twin 10th anniversaries of the Declaration on human rights defenders and of the Guiding Principles on Internal Displacement, as well as the 15th anniversary of the Vienna Conference.
She reminded participants of the 9th session of the Human Rights Council in Geneva that both the Universal Declaration and the Genocide Convention “grew out of the Holocaust, but we have yet to learn the lesson of the Holocaust, as genocide continues.”
Drawing on her extensive experience as a leading member of the emerging international justice system dealing with war crimes and crimes against humanity, the High Commissioner made a powerful call for a stronger focus on preventing genocide, as well as the “cycles of violence, the mobilization of fear and the political exploitation of difference – ethnic, racial and religious difference” that lead to it.
“Genocide is the ultimate form of discrimination,” she said. “We must all do everything in our power to prevent it. What I learned as a judge on the Rwanda Tribunal about the way in which one human being can abuse another, will haunt me forever.”
Pillay, who was herself the victim of both racial and gender discrimination in apartheid South Africa, said that development, security, peace and justice are all undermined “when discrimination and inequality – both in blatant and subtle ways – are allowed to fester and to poison harmonious coexistence.”
She urged states not to let “diverging points of view” deter them from taking part in a key anti-racism review conference (the ‘Durban Review Conference’) scheduled for April 2009. “I do not believe that ‘all or nothing’ is the right approach to affirm one’s principles or to win an argument,” she said. “… The process will certainly benefit from active participation by all states… Should differences be allowed to become pretexts for inaction, the hopes and aspirations of the many victims of intolerance would be dashed perhaps irreparably.”
The High Commissioner also noted that “rights to freedom of expression, association and assembly, which are indispensable to the functioning of civil society, have come under sustained attack in all regions of the world.”
She encouraged civil society to be constantly vigilant and to make good use of the UN human rights mechanisms to defend its rights and prerogatives.
She emphasized that discrimination on the basis of gender remained a major concern. “Such discrimination makes the Universal Declaration’s promise an empty pledge for millions of women and girls”, she said.
“No effort should be spared to persuade countries to repeal laws and practices that continue to reduce women and girls to second-class citizens despite international standards and despite the specific commitments that have been made to throw out these laws and customs.”
Pillay concluded her speech by reiterating her commitment to human rights. “As the new High Commissioner for Human Rights, and as an individual who has in her life faced mighty challenges,” she said, “I will spare no effort in the pursuit and advocacy of human rights.”

September 2008

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Monitoramento das políticas de ação afirmativa nas unviersidades públicas brasileiras - RJ

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SEMINÁRIO DE APRESENTAÇÃO DE PESQUISA
Monitoramento das políticas de ação afirmativa nas unviersidades públicas brasileiras.
Data: 24/09/08
Local: Auditório Padre Anchieta, PUC-Rio. Rua Marquês de São Vicente, 225, Gávea - Rio de Janeiro, RJ.
Tel: (21) 3527-1921/1922
email:
Realização NIREMA (Núcleo de Reflexão e Memória Afro-Descendente)
Apoio: FINEP
9h30m - 10h
Abertura: Luiz Roberto Cunha, Decano do CCS, Sônia Giacomini, Coordenadora Geral do Nirema, Angêla Randolpho Paiva, coordenadora geral da pesquisa.
10h - 10h30m
Apresentação Geral - Elielma Machado e ângela Paiva.
Mesa I
10h30m - 11h
Análise dos editais das universidades estaduais e federais
Fernando Pinheiro, Elielma Machado e Angela Paiva.
Mesa 2
11h - 11h30m
Pesquisa qualitativa: os estudantes universitários e as políticas de ação afirmativa
Tahis Martins, Marcio Flávio Oliveira e Elielma Machado
Debate
Mesa 3
14h - 14h30m
Processo de Implementação: Reflexões de gestores e professores
Lady Cristina Almeida e Ângela Paiva
Comentadores: 14h30m - 15h30m: Moema de Poli, Rosana Heriner, João Feres Jr. e José Luís Petruccelli.
Debate
16h10m - 17h30m
Painel Final: "Sobre ação afirmativa"
João Feres Jr. (IUPERJ), Rosana Heringer (Action Aid), José Luis Petrucclli (IBGE) e Moema de Poli (IBGE)
Debate

Seminários Abertos sobre Estereótipos, Preconceitos e Exclusão Social - BA

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SECRI promove Fórum Salvador África: Política, Cooperação e Comércio - BA

Inscreva-se Fórum Salvador África

FÓRUM SALVADOR ÁFRICA: POLÍTICA, COOPERAÇÃO E COMÉRCIO
Com o objetivo de propiciar a construção de um ambiente favorável à realização de parcerias, investimentos e negócios por meio da aproximação entre os atores locais políticos e privados da Cidade do Salvador e da África, a SECRI - Relações Internacionais realizará nos dias 18 e 19 de setembro de 2008 o fórum Salvador - África: Política, Cooperação e Comércio. O evento propõe a discussão da relação Salvador - África a partir de olhares convergentes, no âmbito da economia, do comércio e da cooperação. Inscrições:04/09 a 16/09/08. Clique no banner do seminário e inscreva-se.

http://www.secri.salvador.ba.gov.br/

Lançado o Manifesto contra a intolerância religiosa

O Manifesto acaba de entrar no ar. Está no site da Caminhada (www.eutenhofe. org.br) e no Petition Online no link que segue abaixo mas que reproduzo aqui: http://www.petition online.com/ CMD2109/petition .html .
Assine o manifesto e divulgue entre seus amigos, vamos criar uma grande corrente de apoio, em nível nacional para este momento histórico que está sendo construído.

Ontem a Presidência da República entrou em contato conosco dizendo que o Lula estará na Assembléia da ONU, mas enviará um representante. HOje à noite a Globo começará a veicular a chamada; o mesmo farão a CBN e a Rádio Globo em nível nacional; na Bahia Paulo Rogério do Correio Nagô está com o banner chamando para a caminhada. Enfim, as fronteiras já foram rompidas há muito tempo e este movimento cívico-religioso está ganhando um belo corpo.

Vejam o manifesto:

CONTRA A INTOLERÂNCIA, PELA LIBERDADE DE CULTO E AFIRMANDO A DEMOCRACIA, INTELECTUAIS, ARTISTAS, MILITANTES RELIGIOSOS ENTRE OUTROS ASSINAM ESTE MANIFESTO DE APOIO À CAMINHADA PELA LIBERDADE RELIGIOSA – 21 DE SETEMBRO – ORLA DE COPACABANA

Os crescentes casos de discriminação religiosa ocorridos na história recente de nosso país motivaram a criação de uma Comissão de Combate à Intolerância, na cidade do Rio de Janeiro e esta, por sua vez, inspirada em ventos que nos sopram dos quilombos, da manutenção de seus ancestrais e do reconhecimentos que descendemos de heróis - que mesmo escravizados - não esqueceram suas raízes, decidiu realizar neste 21 de setembro de 2008, a Caminhada Pela Liberdade Religiosa.

Clique aqui para ler o manifesto na íntegra e assiná-lo

Marcio Alexandre M. Gualberto
Coordenador do Coletivo de Entidades Negras - CEN/RJ
Editor do blog: Palavra Sinistra
Integrante da Rede Mamapress e colunista de Afropress
Membro do Conselho Editorial da revista Raça Brasil
MSN: marciogualberto@ msn.com

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Seminário sobre isenção de impostos para terreiros

Os terreiros são templos religiosos e como as igrejas católicas e cristãs também têm o direito à isenção de impostos como IPTU. O problema é que as informações para alcançar este benefício ainda não chegaram a muitos dos religiosos de candomblé e umbanda. Daí que amanhã (quarta-feira, 10/07), no Centro de Convenções, das 8 às 17h30, vai acontecer o seminário "O Espaço Urbano e os Templos Religiosos de Matriz Africana ".

No encontro serão mostrados os caminhos para se conseguir a dispensa do pagamento de impostos. Quem quiser participar deve entrar em contato com a Federação Nacional do Culto Afro Brasileiro (Fenacab) por meio dos telefones (71) 3321-1548/4009-2616 para fazer a inscrição, pois as vagas são limitadas.

O seminário é apoiado pela Secretaria Municipal da Reparação (Semur) e pela Associação de Promoção e Defesa da Qualidade de Vida dos Afrodescendentes das Cidades (ASAFROS).

FONTE: Jornal A Tarde

Igualdade em ritmo lento (Cleidiana Ramos)

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), divulgou ontem a pesquisa Retrato das desigualdades de gênero e raça. O estudo apontou que a renda dos negros no Brasil cresceu 3,9%. No Nordeste o aumento foi mais expressivo: 8,6%. O período analisado é o de 1996 a 2003.
Mas os negros nordestinos ainda ganham muito pouco, segundo o Ipea: metade da remuneração média da região Centro Oeste (R$ 690,9). Além disso, os brancos nordestinos ganham R$ 985,5 e os negros desta mesma região R$ 502.
A pesquisa é mais uma demonstração de como os recortes de cor em dados como renda ainda demonstram a dívida histórica e moral que o Brasil possui com descendentes dos povos africanos que foram trazidos para cá como mão de obra forçada. O país mudou, a escravidão acabou, mas a maioria de nós, negros, continua a ser tratada como cidadãos pela metade.
As ações afirmativas que começam a acontecer aos poucos, caso das cotas nas universidades, são debatidas em sua complexidade ainda por pouca gente e, geralmente, apenas nos meios acadêmicos. No universo mais geral da população brasileira a discussão continua centrada em se há racismo ou não há racismo, um efeito do antigo discurso da "democracia racial" que agora se apóia na "reparação social", defendida calorosamente por alguns setores, inclusive pesquisadores.
A polêmica muitas vezes fica girando em torno da nomenclatura. Mas se os mais pobres, os que tem maiores dificuldades no acesso à saúde e educação são negros o tipo de desigualdade não gira em torno do componente racial? Dados como estes do Ipea estão aí para mostrar que desiguladade no Brasil passa pela questão da cor.
Para saber mais sobre a pesquisa Ipea, inclusive a análise de especialistas, vale a pena ler a matéria de Emanuella Sombra no primeiro caderno, página 4, da edição de hoje do jornal A Tarde.

FONTE: Jornal A Tarde, 10/09/2008

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Indicadores sociais da população negra têm melhoras, mas condições de vida seguem inferiores às dos brancos

09/09/2008 - 10h30 Silvana Salles

o UOL Notícias

Em São Paulo


Os índices de escolaridade, renda e pobreza da população negra registraram melhoras entre 1996 e 2006, mas as condições de vida cotninuam inferiores às dos brancos no Brasil. A avaliação é de estudo sobre desigualdade racial e de gêneros divulgado nesta terça-feira (9) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Segundo dados do estudo, em 1996, 82,3% dos negros estavam matriculados em etapas do ensino fundamental adequadas à sua idade e apenas 13,4% no ensino médio. Em 2006, essa porcentagem subiu para 94,2% no ensino fundamental e 37,4% no médio. A porção de negros e negras que estudaram mais de oito anos na educação formal, entretanto, ainda é muito menor que a de brancos - que chegou a 58,4% em 2006.

A renda média do trabalhador negro também cresceu, embora o aumento não seja muito expressivo: o rendimento médio de 2006 foi R$ 19 mais alto que em 1996, ou 3,93%. A queda da diferença entre os dois grupos se deu devido a diminuição dos rendimentos dos homens brancos, que passaram de R$ 1.044,20 a R$ 986,50. Os demais grupos estudados (mulheres brancas e negras e homens negros) tiveram aumentos.

Mesmo com essa alta, a discrepância é grande. Os brancos ainda vivem com quase o dobro da renda mensal per capita dos negros - pouco mais de um salário mínimo a mais.

Outras constatações do estudo mostram que a população negra é menos protegida pela Previdência Social do que os brancos - especialmente no caso da mulher negra - e começa a trabalhar mais cedo para se aposentar mais tarde.

"A renda dos negros é extremamente baixa comparada à dos brancos, e está muito próxima ao valor do salário mínimo", diz o professor Claudio Dedecca, do departamento de Economia da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), em São Paulo.

Dedec ca explica que a oscilação da renda de negros e brancos teve sinais diferentes entre 1996 e 2006 porque os acréscimos ou decréscimos nos pagamentos têm diferentes origens. "O comportamento da renda dos brancos é definido por negociação coletiva ou fluxos do mercado de trabalho. Então, nesses últimos 13, 14 anos, acompanhou a queda na renda média da população. Já a dos negros está associada à evolução da política do salário mínimo."

Além do crescimento dependente das políticas públicas, a evolução da renda entre negros e queda entre os brancos não se refletiu na erradicação da pobreza. Se em 1996 46,7% dos negros eram pobres, o percentual desceu em 2006 para 33,2. Na prática, cerca de 2 milhões de pessoas deixaram a pobreza num período em que a população ganhou mais de 32 milhões de brasileiros. Entre os brancos, o número absoluto de pessoas que deixaram a pobreza foi de cerca de 5 milhões, mesmo a queda em pontos percentuais tendo sido menor - de 21,5% para 14,5%.

Especialistas dedicados à questão da desigualdade racial concordam entre si com a raiz histórica deste vácuo econômico entre brancos e negros. Educação básica deficiente e pouco universalizada, a herança histórica deixada por séculos de escravismo e uma tradição de ocupar empregos de pouco prestígio social estão entre as causas da diferença.

Para o sociólogo Rogério Baptistini Mendes, professor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (Fesp-SP), o fim da escravidão sem a criação de um mercado de trabalho que absorvesse a mão-de-obra negra e herança de concentração fundiária na mão de ricos produtores agrícolas privaram a população negra de acesso a "mecanismos democráticos de ascensão social, econômica e cultural".

"A sociedade brasileira foi constituída em três séculos de colonização e quatro de escravidão. Isso gerou uma estrutura de segregação absoluta que foi sendo superada ao longo do século 20, mas não na velocidade necessária para democratizá-la", explica Baptistini. "Não temos mecanismos para distribuir a renda. É como se no século 21, ainda vivêssemos em uma sociedade escravocrata."

O economista Vinícius Garcia, mestre em Economia Social e do Trabalho pela Unicamp, aponta a geografia como outro importante fator para explicar a concentração da pobreza entre os negros. "No nosso estudo, vimos que a população negra está super-representada nas áreas menos desenvolvidas do país, como no Norte e no Nordeste. E é menos concentrada em regiões como o Sudeste, que tem uma estrutura econômica mais dinâmica", pondera ele.

Diretora de Proteção ao Patrimônio Afro-brasileiro da Fundação Palmares, Bernardete Lopes defende que o estudo do Ipea é importante para provar à sociedade que os preconceitos raciais não foram superados no Brasil. "Acho que essa pesquisa vai fazer algumas pessoas entenderem quando dizemos que o país precisa de ação afirmativa e precisa de cotas, porque mostra que não vivemos numa democracia racial, e que a discriminação não era pela pobreza, mas sim pela raça e pela cor", afirma.

Mais sobre o estudo

"É muito doído perceber que, embora o movimento negro tenha conseguido grandes vitórias e o Estado brasileiro hoje esteja preocupado em diminuir as diferenças, elas continuam sendo sempre o dobro", completa Bernardete, referindo-se a distância de quase 50% entre os salários de pessoas que nasceram com cores de pele diferentes.

De república, a gente só tem o nome"

As melhorias no acesso à educação formal também não foram capazes de acabar com a desvantagem dos negros em relação aos brancos na escolaridade. Enquanto 58,4% dos brancos estavam em 2006 matriculados no ensino médio com idade adequada para o curso, apenas 37,4% dos negros estavam no mesmo patamar, revelam os dados do Ipea.

Rogério Baptistini também vê nestes números um fundo histórico. "A República nunca criou um sistema universal de igualdade pela educação; nossa educação nunca foi republicana. A abertura da universidade para a qualificação dos mais pobres, na sua maioria negros e miscigenados, é muito recente", diz o sociólogo.


"Políticas adotadas gradativamente, como as cotas para alunos de escolas públicas e negros, estão tentando corrigir esse desvio histórico na sociedade brasileira, mas ainda não passam da superfície", explica Baptistini. "De república, a gente só tem o nome."


Bernardete Lopes acredita que a melhoria deste quadro deve passar necessariamente pela educação básica. "Acho que é preciso melhorar a qualidade do ensino público nas primeiras séries, e continuar com incentivos para que as crianças fiquem na escola e não precisem parar de estudar para ajudar a família a se manter", diz. Para a dirigente da Fundação Palmares, isto é parte do caminho para a emancipação econômica da população negra.


Mas, para garantir a eficiência do modelo, as crianças devem gostar de ir à escola. "Uma vez li um estudo de uma socióloga da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) que dizia que um dos motivos por que as crianças negras não gostavam da escola por receberem os apelidos mais cruéis entre os colegas", conta Bernardete.