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CALENDÁRIO NEGRO – FEVEREIRO

1 – Nasce em Belo Horizonte/MG, Lélia de Almeida, a antropóloga, feminista negra e filósofa Lélia Gonzalez, intelectual e ativista do movimento negro (1935)

1 – Nasce em Joplin, Estado do Missouri (EUA), o escritor e poeta Langst Hughes (1902)
2 – Dia consagrado ao orixá Iemanjá.
2 – Nasce em Tiradentes (MG) o compositor, organista, relojoeiro, pintor, escultor, calígrafo e perito em iluminuras, Manuel Dias de Oliveira (1738)
2 – Assinada a Lei do Ventre Livre no Uruguai (1813)
2 – Nasce em Vitória (ES), a atriz e escritora Elisa Lucinda (1958)
2 – O plenário da Constituinte aprova a emenda de autoria do Deputado Federal Carlos Alberto de Oliveira - Caó, do PDT (RJ) - estabelecendo que racismo passa a ser crime inafiançável e imprescritível (1988)

3 – Dia dos Heróis Moçambicanos

3 – O governo de Frederick de Klerk anuncia a libertação iminente de Nelson Mandela, após 26 anos de prisão, e apresenta um pacote de medidas: legalização do Congresso Nacional Africano, o fim da pena de morte, a soltura de presos políticos não envolvidos em mortes ou atos de terrorismo. O líder negro exige mais concessões para ser libertado
4 – Início da luta armada pela independência de Angola (1961)
5 – Nasce no município de Campos, Estado do Rio de Janeiro, a partideira Dona Ana Bororó (1924)
6 – É destruído o Quilombo dos Palmares (1694)
6 – Nasce no bairro da Piedade, Rio de Janeiro, Euzébia Silva de Oliveira, D. Zica da Mangueira (1913)
6 – Nasce em Igarapava (SP) o cantor Jair Rodrigues de Oliveira - Jair Rodrigues (1939)
6 – Nasce em Nine Mile, Sant'ana, norte da Jamaica, Robert Nesta Marley - Bob Marley, a maior estrela do reggae jamaicano (1945)
7 – Nasce no bairro de Carambita, em Valença/RJ, a "capital do vale da escravidão", Clementina de Jesus da Silva, a "Mãe Quelé" (1901)
7 - Independência de Granada (1974)

8 – Nasce Alonzo Harding Mourning, Jr., na Virginia(EUA), ex-jogador profissional de basquete da NBA, mais conhecido por Zo (1970)
9 – Nasce em Georgia, sul dos Estados Unidos, Alice Malsenior Walker, a escritora Alice Walker, incluída entre as/os melhores escritores/as estadunidenses contemporâneos/as (1944)
10 – Nasce em Salvador (BA), Maria Escolástica da Conceição Nazaré, a yalorixá Mãe Menininha do Gantois (1894)
10 – Nasce nos Estados Unidos a cantora e instrumentista Roberta Flack (1940)
10 – A sambista Isabel Valença sagra-se vencedora na categoria luxo feminino no concurso do Teatro Municipal (RJ), desfilando com a fantasia "Rainha Rita de Vila Rica" (1964)
10 – O governo do General Médici proíbe a publicação de notícias sobre índios, esquadrão da morte, guerrilha, movimento negro e discriminação racial (1969)
10 – Inaugurado no Terreiro do Gantois, bairro da Federação, Salvador (BA), o Memorial Mãe Menininha (1992)

10 – Nasce Augusto Temístocles da Silva Costa, o humorista Tião Macalé, humorista célebre por suas participações no programa Os Trapalhões (1926)
11 – Nelson Mandela é libertado pelo governo racista da África do Sul, depois de 27 anos preso (1990)
12 – Nasce Arlindo Veiga dos Santos, acadêmico e primeiro Presidente da Frente Negra Brasileira (1902)
12 – Nasce em Duas Barras (RJ) o compositor e cantor Martinho José Ferreira, o Martinho da Vila, um dos grandes criadores do samba carioca e um dos maiores impulsionadores das relações culturais entre o Brasil e o continente africano (1938)
12 – Nasce em Garanhuns (PE) o cantor, compositor e instrumentista José Domingos de Morais - Dominguinhos (1941)

12 – Admitido o primeiro universitário negro na Universidade do Alabama - EUA (1956)
13 – Tem início com Amilcar Cabral em Cassaca, o I Congresso do PAIGC, nas zonas libertadas do Sul, que operou uma mudança decisiva no avanço da luta armada (1964)
14 – Nasce nos Estados Unidos, Frederick Douglas, escritor, defensor da causa abolicionista (1817)

14 – Nasce em Mesquita/RJ, Carlos Roberto de Oliveira, o cantor e compositor Dicró (1946)

15 – Publicado em Nova Jérsei (EUA) um ato que liberava todos os filhos de escravizados da escravidão (1804)
16 – Nasce na Filadélfia (EUA), a cantora de ópera Marian Anderson (1897)
17 – Nasce no Brooklyn, Nova York (EUA), o jogador de basquete Michael Jefrrey Jordan, Michael Jordan (1963)
18 – Fundação, em Salvador (BA), do Afoxé Filhos de Gandhi (1949)
18 – Independência de Gâmbia (1965)
19 – O americano W. E. B. Dubois, um dos pioneiros da luta pela independência e unidade africana, organiza o I Congresso Pan-Africano, em Paris (1919)
19 – Carter G. Woodson cria, nos EUA, a "Negro History Week", atualmente o "Black History Month" (Mês da História Negra) (1926)
20 – Publicada Carta Régia declarando que "sendo presente o demasiado luxo das escravas no Brasil, e devendo evitar-se esse excesso e o mau exemplo que dele podia seguir-se, El-rei era servido resolver que as escravas de todo o Brasil em nenhuma capitania pudesse usar vestidos de seda, de cambraia, ou halandas, com rendas ou sem elas, nem também de guarnição de ouro ou prata nos vestidos” (1696).
20 – Nasce em Miami (EUA), o ator, diretor e Embaixador das Bahamas no Japão, Sidnei Poitier (1924 ou 1927)

21 – Nasce em Tryon (EUA), Eunice Kathleen Waymon, pianista, cantora, compositora e ativista pelos direitos civis dos negros estadunidenses, mais conhecida pelo nome artístico Nina Simone (1933)
22 – É organizada em Nova Iorque (EUA), a Associação Nacional de Ajuda aos Libertos (1862)
22 – É destruído um quilombo na localidade entre os arroios Sampaio e Taquari Mirim, Rio Pardo (RS) (1853)
23 – Nasce em Great Barrington, Massachusetts (EUA), Willian Edward Burghard Dubois, considerado pai dos movimentos pelos direitos civis nos Estados Unidos e precursor do pan-africanismo (1868)
23 – O artista plástico Arthur Bispo do Rosário é levado pelas mãos do pai para o Escola de Aprendizes, no Quartel Central do Corpo de Marinheiros Nacionais Villegaignon no Rio de Janeiro, recebendo o número 15148.
23 – Nasce o ator e artista plástico Antônio Pompêo (1953)

23 – Nasce, em Recife/PE, José Bezerra da Silva, o cantor, compositor e instrumentista Bezerra da Silva (1927)
24 – Nasce na Cidade de Aurora (CE), o artista plástico Geraldo Simplício - Nêgo (1943)
25 – Nasce em Glória do Goitá (PE), João Francisco dos Santos, o Madame Satã, célebre transformista (1900)
25 – O pugilista Cassius Clay ganha o título de Campeão Mundial de Boxe na categoria peso pesado, ao derrotar na cidade de Miami, Flórida (EUA), Sonny Liston (1964)

26 – As potências europeias repartem o continente africano (1885)
26 – Nasce no Rio de Janeiro/RJ Wilson Simonal de Castro, o cantor Wilson Simonal (1939)
27 – Independência da República Dominicana (1844)
28 – Criação do Quilombhoje Literatura (1980)

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segunda-feira, 16 de março de 2009

Ato Político em Memória de Clodoaldo Souza e outr@s irmã(o)s vitimas da Política Criminal do Estado - BA

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Politizando nossa Morte
No dia 1º de março de 2007, Cleber Álvaro (21 anos), Clodoaldo Souza (21 anos), ao caminhar pela rua principal do bairro onde moravam, foram abordados por uma viatura da policia militar. Como era de rotina, obedeceram aos comandos da revista, sendo logo em seguida liberados. Meia hora depois, quando retornavam para casa pela da Estrada Velha do Aeroporto foram abordados por dois carros, com cerca de oito homens fortemente armados.
Cleber e Clodoaldo, sem esboçar qualquer tipo de resistência, obedeceram acreditando de que se tratava de mais um dos baculejos da policia. Sem conceber nenhuma possibilidade de reação, os ocupantes deste carro, municiados de armas de diversos calibres, deflagraram vários disparos contra os jovens.
Clodoaldo Souza, lembrado hoje por nós, como Mc Blul, mesmo demonstrando sinais de que estaria rendido, foi sumariamente assassinado. Outro jovem, de identidade não revelada, foi atingido por um projétil na perna, mas conseguiu adentrar a mata que margeia a estrada e ganhar fuga. Cleber Álvaro, conhecido popularmente como MC Bronca, foi atingido três vezes ­– um projétil alojou-se em sua coluna, um em sua virilha e o outro atravessou a sua coxa.
Antes mesmo de qualquer investigação mais aprofundada, autoridades policiais informaram a alguns jornalistas que o crime correspondia a mais uma das rotineiros episódios que caracterizam a disputa por território entre traficantes de quadrilhas rivais.
Para os meios de rapinagem jornalística, Blul e Bronka seria mais alguns jovens negros que poderiam ser facilmente etiquetados como criminosos e ter seus cadáveres expostos a contemplação massiva. No entanto, Blul e Bronka além de serem mais alguns jovens negros de periferia sem antecedentes criminais, eram artistas amplamente conhecidos pelo Movimento Hip Hop de Salvador.
Blul fazia rap e era militante do grupo Etnia e Bronka uma das principais vozes da banca MPS (Malokeir@s Para Sempre). Ambos demonstravam amplo conhecimento da dinâmica que orienta a criminalização de jovens negros de periferia e se colocavam em consonância com a Campanha “Reaja ou será Mort@!” Ainda no enterro de Blul, nos mobilizamos no sentido de rebater a versão da grande mídia e exigir das autoridades competentes reparação para a família destes jovens já que, pelo que tudo indica, a morte de Clodoaldo e a deficiência irreversível de Cleber foram decretadas por um grupo paramilitar de extermínio que atua nas cercanias da Estrada Velha do Aeroporto e que este grupo conta com presença de policiais.
Nossos esforços não foram apenas em enfrentamento aos que apertaram o gatilho que matou Blul, mas contra toda política de segurança que banaliza o extermínio de milhares de irmã(o)s.
Nós organizações de movimento social, empenhadas na defesa de direitos de nossas comunidades, entendemos que o episódio que interrompeu de modo trágico a juventude de Blul e Bronka em sua fase mais produtiva não pode ser entendido como um caso isolado. Além do caráter seletivo das penas judiciais – que evidenciam um aparato normativo extremamente racista - podemos flagrar na dinâmica histórica da vida social brasileira, uma seletividade sócio-racial no que toca a aplicação de penas extra-judiciais, aplicadas sobretudo, por agentes policiais e/ou parapoliciais de extermínio.
Cleber permanece até hoje com duas das balas alojadas em seu corpo e sem nenhum tipo de reparação ou amparo legal oferecido pelo Estado. Não tivemos conhecimento sobre os resultados do inquérito que investigou a morte de Blul nem tampouco houve mudanças significativas da política de segurança. Esperamos que os ventos que sopram nesta quarta feira nos inspire a lutar por Justiça. A memória de Blul representa a de tod@s aqueles que tiveram a sua vida interrompida meio à guerra que estamos enfrentando. Por isso conclamamos às nossas comunidades para acender velas e levar flores em memória de todos os jovens negr@s mort@s nestas circunstancias.