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CALENDÁRIO NEGRO - MARÇO

1 – Nasce Ralph (Waldo) Ellison professor e escritor norte-americano, ganhou eminência com seu primeiro romance, “O Homem Invisível”, de 1952 (1913-1994)

2 – Ocorre o primeiro carnaval oficial de escolas de samba do Rio de Janeiro, RJ (1935)
2 – Dia da Mulher Angolana
2 – Aprovada lei proibindo o tráfico de escravos africanos nos Estados Unidos (1807)
2 – Festa Nacional de Marrocos (1956)
3 – O paulista Domingos Jorge Velho assina em Pernambuco, com o governador da capitania, o contrato mediante o qual se dispunha a destruir o Quilombo dos Palmares (1687)
3 – Publicado alvará pelo qual os negros dos quilombos, toda vez que fossem aprisionados, para ser restituídos aos donos deviam ser marcados na espádua com um "F" por meio de ferro em brasa (1741)
3 – Em discurso, o presidente da Bahia, Francisco de Souza Martins afirmou que era necessário "fazer sair do território brasileiro todos os libertos africanos perigosos à nossa tranquilidade" (1835)
3 – Inauguração na cidade do Rio de Janeiro, da Avenida dos Desfiles, popularmente chamada de Sambódromo, hoje por lei denominada Passarela do Samba (1984)
3 – Nasce no Rio de Janeiro o cantor e compositor Jards Anet da Silva - Jards Macalé (1943)

3 – Nasce Jackie Joyner-Kersee, atleta estadunidense, considerada por muitos como a maior atleta feminina da história (1962)

4 – É deferido pela Regência o pedido de deportação dos africanos libertos envolvidos na Revolta dos Africanos ou Revolta dos Malês na noite de 24 e 25 de janeiro (1835).
4 – Nasce em Township, África do Sul, a cantora Mirian Makeba (1934)
5 – Fundação, em Salvador (BA) do Olori Afoxé (1981)

5 – Nasce Chiwoniso Maraire, cantora do Zimbabwe (1976-2013)

6 – Independência de Gana, primeiro país da África Negra a tornar-se independente (1957)
6 – Abolição da escravatura no Equador (1854)
7 – Grande marcha pelos direitos civis, de Selma à Montgomery, liderada por Martin Luther King Jr. (1963)
8 – Nasce no bairro de Periperi, Salvador (BA), o Bloco-Afro Ara Ketu (1980)
8 – Aprovada, na África do Sul a nova Constituição, que aboliu oficialmente o apartheid, regime racista dominado pela minoria branca (1996)

8 – Nasce Neusa Borges, atriz (1941)
9 – Nasce, na cidade de Recife (PE) o cantor e compositor José Bezerra da Silva - Bezerra da Silva (1938)
9 – Nasce, no bairro do Andaraí, Rio de Janeiro, a bailarina Isaura de Assis (1942)
9 – Nasce, em Colina (SP), o poeta Paulo Eduardo de Oliveira, Paulo Colina. Publicou "Fogo Cruzado", "Senta que o Dragão é Manso", participou também da "Antologia Contemporânea da Poesia Negra Brasileira" e "Cadernos Negros" (1950)
9 – Realiza-se, em Petrópolis (RJ), o I Encontro de Franciscanos Negros (1988)
10 – Nasce, em Tubarão (SC), Apolinária Mathias Batista - Mãe Apolinária, fundadora da "Sociedade Caboclos Amigos" em Porto Alegre (RS) (1912)
11 – Nasce, na Praça Mauá (RJ), a atriz Léa Garcia (1933)
12 – Independência das Ilhas Maurício (1968)

13 – Nasce Iziane Castro Marques, jogadora de basquete brasileira (1982)
14 – Nasce na Fazenda Cabaceiras, município de Muritiba (BA), Antônio de Castro Alves, o "poeta dos escravos". É um dos poetas mais populares do país, autor de "Vozes d'África, "Navio Negreiro", "A Cachoeira de Paulo Afonso", "Saudação aos Palmares", "Adormecida" e outros (1847)
14 – Nasce, em Juiz de Fora (MG) o cantor e compositor Sinval Machado da Silva, Sinval Silva, o compositor predileto de Carmem Miranda (1906)
14 – Nasce, em Franca, São Paulo, o artista e político Abdias Nascimento, fundador do TEN – Teatro Experimental do Negro (1914)
14 – Nasce, em Sacramento, Minas Gerais, a escritora Carolina Maria de Jesus, autora de "Quarto de Despejo" (1914)
14 – É lançado em Salvador, Bahia, o jornal O Abolicionista (1871)
14 – Realiza-se, em São Paulo, o I Encontro dos Agentes da Pastoral Negros (1983)

15 – Nasce Cecil Taylor, músico e compositor estadunidense, foi o pianista mais importante do free-jazz (1929)

16 – Surge nos Estados Unidos o Freedom's Journal, o primeiro jornal com temática negra da América (1827)
16 – Nasce em Japaratuba (SE), o artista plástico, Arthur Bispo do Rosário (1911)
16 – Nasce em Montgomery, Alabama, (EUA), o cantor e pianista Nahaniel Adams Coles - Nat King Cole (1919)

17 – Nasce Nathaniel Adams Coles, Nat “King” Cole, um dos mais importantes pianistas de jazz, cantor e compositor do século XX (1919-1965)

18 – Nasce Queen Latifah, cantora, rapper, atriz, compositora, modelo, produtora musical, comediante e apresentadora estadunidense (1970)

18 – Nasce Vanessa Lyn Williams, cantora, atriz e compositora estadunidense, famosa por ter sido a primeira Miss America Negra, em 1983 (1963)

19 – Nasce, em Pateoba (BA), o cantor e compositor José de Assis Valente, autor de inúmeros sucessos como: "Camisa Listada", "Boas Festas" e do samba antológico "Brasil Pandeiro" (1908)
19 – Inicia-se o I Encontro Estadual de Conscientização e Cidadania Negra, no Estado do Rio de Janeiro (1988)
20 – Nasce, no Rio de Janeiro, o ator e cantor lírico, Manuel Claudiano Filho - Claudiano Zani (1926)
21 – Nasce, no Rio de Janeiro (RJ), o radialista, humorista, cronista e compositor Haroldo Barbosa (1915)
21 – Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial
21 – Independência da Etiópia (1975)
21 – A polícia sul-africana atira contra um cortejo fúnebre de quinhentas pessoas no bairro negro de Langa, na periferia da cidade de Uitenhage, matando 21 manifestantes. O dia ficou conhecido como "Quinta-feira Sangrenta" (1985)
21 – Independência da Namíbia (1990)
21 – Dia Internacional pela Eliminação da Discriminação Racial, em memória das vítimas do massacre de Shapeville, na África do Sul (1960)
21 – Zumbi dos Palmares é incluído na galeria dos heróis nacionais (1997)
22 – O explorador negro Alonso Pietro se incorpora à expedição de Cristóvão Colombo (1492)
22 – Nasce em Madureira (RJ), o cantor e compositor Jorge Duílio Lima Menezes - Jorge Benjor, autor de "Chove Chuva", "Cadê Teresa", "África-Brasil (Zumbi)", "País Tropical", "Que Maravilha", entre outros sucessos (1944)
23 – Abolição da escravidão em Porto Rico (1873)

24 - É oficializada a abolição da escravatura na Venezuela (1854)
25 – Proclamação nesta data da libertação final de todos os escravos existentes na Província do Ceará (1884)
25 – Nasce, em Detroit, Michigan Estados Unidos, a cantora Aretha Franklin (1942)
25 – Criação, no Rio de Janeiro do jornal A Voz do Morro (1935)
25 – Nasce Aristides Barbosa, jornalista, educador e ex-militante da Frente Negra (1920)

26 – Nasce Diana Ross, cantora e atriz estadunidense, foi a líder do grupo musical "The Supremes” (1944)

27 – Nasce, numa família de músicos e artistas de Newark, Nova Jersey (EUA), a cantora de jazz, Sarah Louis Vaughan - Sarah Vaughan (1924)

27 – Nasce Luiza Helena de Bairros, socióloga, ativista do do Movimento Negro Unificado e feminista negra (1953)
28 – Nasce, em Cabo Frio (RJ), Antônio Gonçalves Teixeira e Souza, considerado um dos precursores do romantismo e autor do primeiro romance brasileiro: "O Filho do Pescador" (1843)
28 – Fundação, em Pelotas (RS) do Clube Abolicionista (1884)

29 – Nasce Lee ("Scratch") Perry, compositor, cantor e DJ jamaicano, um dos nomes mais destacados da música reggae (1936)

30 – Os homens afro-americanos conquistam direito ao voto nos EUA (1870)

30 – Nasce Maria Bibiana do Espírito Santo, Mãe Senhora, ialorixá do Ilê Axé Opô Afonjá (1900)
31 – Fundação, em Campos, Rio de Janeiro, da Sociedade Emancipadora Campista (1870)

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Pesquisa personalizada

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Sábado, dia 05 de dezembro, terá o lançamento da coletânea Leituras Afro-Brasileiras: territórios, religiosidades e saúde, obra organizada pelos pesquisadores Ana Cristina de Souza Mandarino e Estélio Gomberg, editada pela Universidade Federal da Bahia e com co-edição da Editora Federal de Sergipe, através de recurso do Fundo Nacional de Saúde-FNS e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq, no Terreiro Pilão de Prata, na Boca do Rio, Salvador, a partir das 18 horas.

A obra é uma coletânea de 18 textos que expressam distintas reflexões sobre o suscitar da percepção de que em terras brasilianas, territórios, religiosidades e saúdes foram/são apropriados pelos grupos afro-descendentes de acordo com suas particularidades e valores, seus interesses e suas interações junto à sociedade nacional, assim como o de divulgar reflexões, estudos e seus resultados produzidos por pesquisadores, além de agentes religiosos de diversas instituições.

Autores: Dagoberto José Fonseca, José Antonio Moraes da Silva, Elaine Pedreira Rabinovich, Edite Luiz Diniz, Ana Cecília de Sousa Bastos, Maria Francisca dos Santos Teles, Ana Cristina de Souza Mandarino, Anna Volochko, Maria Lina Leão Teixeira, Hugo de Carvalho Mandarino Jr, Estélio Gomberg, Míriam Cristina Rabelo, Paulo César Alves, João Valença, Alexandre Brasil C. da Fonseca, Ricardo Freitas, José Renato de C. Baptista, Angela Elisabeth Lühning, Wallace Ferreira de Souza, Maria do Socorro Sousa, Berta Lucia Pinheiro Kluppel, Cristiane Gonçalves da Silva, Jonathan Garcia, Fernando Seffner, Luis Felipe Rios, Richard Parker, Maria Cristina S.s Pechine; Serge Pechine, Mauro Nunes, Adailton Moreira.

Informações para aquisição: Editora UFBA www.edufba.ufba.br
Contatos: (71) 3283.6160/6164 ou Email: edufba@ufba.br
 

Evento homenageia Mãe Hilda - BA

A Secretaria de Promoção da Igualdade - SEPROMI - reitera o convite da Secretaria da Saúde (abaixo), para uma homenagem do Governo do Estado da Bahia a Mãe Hilda Jitolu. Na ocasião, será entregue a primeira etapa da reforma da Unidade de Emergência do Curuzu, que passará a chamar-se Unidade de Pronto Atendimento Mãe Hilda, bem como será lançada a segunda edição do Caderno de Educação Mãe Hilda Jitolu - Guardiã da Fé e da Tradição Africana. O evento contará com a presença do Governador Jaques Wagner. Dia: 01 de dezembro, terça-feira; Hora: 09h30min
Local: Unidade de Emergência, Rua Direta do Curuzu, s/n

Atenciosamente,


domingo, 29 de novembro de 2009

A Revolta dos Búzios (Emiliano José)

Jornal A Tarde, 06/11/2009 18:41:22

Era uma manhã de domingo em Salvador. Prometia ser um dia calmo. Cedo, no entanto, muito cedo começou o alvoroço. A notícia se espalhou entre os que assistiam às missas, nas rodas de conversa das calçadas, às portas das casas onde senhoras falavam das últimas. Papéis sediciosos, panfletos subversivos apareceram afixados em pontos centrais da cidade. Os escritos conclamavam a população a se rebelar contra o domínio de Portugal. A palavra escrita, a opinião escrita não eram aceitas na Colônia onde a imprensa era proibida pelo governo metropolitano.


Não se desconheça o fato de que o analfabetismo era altíssimo. Não havia escolas. O estudo, a leitura eram reservados a uma elite reduzidíssima. Ler, escrever eram privilégios reservados a poucos. No entanto, os boletins sediciosos, como foram chamados os panfletos, tiveram uma repercussão imensa. Menos pela leitura direta e mais pelo boca a boca, pelo boato, pela palavra falada do próprio povo, suscitada pela leitura de uns poucos alfabetizados e que traduziam por assim dizer o conteúdo explosivo dos boletins. Apareceram no dia 12 de agosto de 1798, um domingo. Dia de descanso, próprio para a troca de idéias, para a circulação de boatos, para a conversa das comadres, para o encontro dos compadres.

Cabe lembrar que Salvador era uma cidade grande para os padrões de então. Nela viviam em torno de 60 mil pessoas. Uma cidade majoritariamente negra, tempo de escravidão. Apenas 28% eram brancos. Quando nos referimos a negros, estamos querendo falar dos 52% que eram considerados como tais e mais 20% tidos como pardos. Importante observar, nem que de passagem, que Salvador hoje conta com uma população de mais de 80% de negros. A ideologia do branqueamento da sociedade brasileira não funcionou.

A leitura dos papéis sediciosos foi reduzidíssima. A repercussão, no entanto, foi extraordinária. Até porque os panfletos foram afixados em locais estratégicos da cidade. Esquina da Praça do Palácio, Rua de Baixo de São Bento, Portas do Carmo, Açougue da Praia, Igreja da Sé, Igreja do Passo e Igreja da Lapa. O conteúdo dos boletins sediciosos era incendiário para a época. Revolucionário. Os panfletos defendiam a liberdade, a igualdade e se manifestavam contra a escravidão. Era demais para aquele Brasil colonial e escravagista.

A Revolução dos Búzios – ou dos Alfaiates, como também ficou conhecida – teve três fases: o período conspiratório e de divulgação das idéias, que vai de 1794 a 1797; a preparação do levante, de maio a agosto de 1798, e as prisões, processo, condenações e execuções. Esclareça-se que no dia 22 de agosto de 1798 novos boletins foram distribuídos, e isso mesmo depois de se ter iniciado a repressão ao movimento.

Com as delações, tudo ruiu: 41 pessoas foram presas, 48 foram acusadas, 33 chegaram ao final das devassas. Quatro mulheres figuravam entre as pessoas acusadas: Luiza Francisca de Araújo, Lucrecia Maria, Domingas Maria do Nascimento e Anna Romana Lopes.

Ao final da devassa, quatro dos acusados foram condenados à morte por enforcamento: o mestre-alfaiate João de Deus do Nascimento, o aprendiz de alfaiate Manuel Faustino Santos Lira, e os soldados Lucas Dantas de Amorim Torres e Luís Gonzaga das Virgens e Veiga.

Luís Gonzaga foi preso logo no dia 23 de agosto.

João de Deus do Nascimento, três dias depois, 26 de agosto. Filho da parda forra Francisca Maria da Conceição e de José de Araújo, branco, tinha 27 anos e possuía oficina à Rua Direita do Palácio. Era pai de cinco filhos, e tivera uma tempestuosa relação amorosa com Anna Romana, dez anos mais nova que ele.
Ao ser preso, começa fingindo demência, No terceiro interrogatório, decide negar ter tido qualquer idéia de revolução ou de aliciar quem quer que seja para isso. A 11 de setembro, no entanto, estufa o peito e assume fazer parte do projeto revolucionário. Pelo depoimento das testemunhas, é possível perceber o seu espírito aguerrido, altivo e revolucionário. “Insolente, atrevido e despejado, pronto para toda ação má” – era assim que o definia o coronel Dom Carlos Balthazar da Silveira.

“Muito petulante, altivo e insolente, capaz de empreender qualquer projeto mau, e ruinoso” – assim o deputado da Junta de Administração da Fazenda Real, Francisco Gomes de Souza, o definia. As palavras atravessam os séculos e se metamorfoseiam. Olhadas hoje, da perspectiva das classes dominadas, a partir do olhar revolucionário dos oprimidos, o que era visto como defeito no mestre-alfaiate, converte-se no seu contrário.

São os defeitos de João de Deus – sua insolência, seu atrevimento, sua altivez – que revelam o revolucionário e devem ser vistos, portanto, a partir do olhar dos oprimidos, como extraordinárias qualidades. São os defeitos apontados por seus acusadores que atestam sua alma revolucionária. Uma testemunha, José Antônio dos Santos, diz ter ouvido o mestre-alfaiate proclamar: “Viva a bela Liberdade”.
Lembre-se, porque importante, que num dos boletins sediciosos – Aviso ao Povo Bahinence – há uma belíssima definição do que seja liberdade. E quero manter a grafia da época.

“A liberdade consiste no estado felis, no estado livre do abatimento: a liberdade he adocura da vida, o descanço do homem com igual palallelo de huns para outroz, finalmente a liberdade he o repouzo, e bemaventurança do mundo”.

Manuel Faustino dos Santos Lira só foi detido na tarde de 14 de setembro, uma sexta-feira. Nasceu escravo, depois liberto, era alfaiate ligado à poderosa família dos Pires de Carvalho e Albuquerque, filho do ex-escravo Raimundo Ferrara e da escrava Felizarda, foi preso no Engenho da Pedra, propriedade do senhor de sua mãe, padre Antônio Francisco de Pinho, que foi quem o entregou à prisão.

Lucas Dantas do Amorim Torres caiu nas malhas da polícia no dia 9 de setembro, um domingo, na Fazenda Topo do Nambi, sertão de Água Fria. Soldado do Regimento de Artilharia, filho do homem branco Domingos da Costa e de Vicença Maria, Lucas Dantas resistiu bravamente à prisão. Foi gravemente ferido na testa, um corte de mais três polegadas. A cicatrização dos ferimentos demorou pelo menos três meses para se completar.

Os desembargadores Avellar de Barbedo e Costa Pinto apresentarem a conclusão das devassas em 5 de novembro de 1799. Estavam convencidos de que “alguns indivíduos malévolos” de Salvador haviam articulado, nas palavras deles, “execranda conspiração destinada a sublevar os Povos, subtraindo-os ao supremo Poder e alta Soberania da mesma Senhora, a quebrantar a forma de Governo estabelecida, fazendo-lhe suceder hua Democracia raza e independente”.

Nos termos da conclusão dos autos da devassa, os revolucionários eram acusados de tentarem uma sublevação destinada a “se subtrahirem ao Suavissímo e Iluminadíssimo governo” da Rainha D. Maria I e a suprimirem as leis da Metrópole pretendendo com isso construir uma República Democrática “onde” – veja-se o crime – “todos serião iguais, onde os acessos e logares representativos serião communs”.

Luís Gonzaga das Virgens, definido como aquele que “não podia suportar em pás a diferença de condições e desigualdade de fortuna” e visto como “hum dos Chefes principais” da revolução foi condenado por crime de lesa-majestade a morrer na forca. Além disso, deveria ter a cabeça e as mãos cortadas e expostas no local da execução. A sentença foi confirmada no dia 7 de novembro daquele ano de 1799, há coisa de 210 anos, quase precisamente isso.

Lucas Dantas do Amorim Torres, considerado o principal líder da revolução – ao menos segundo os autos da devassa –, Manuel Faustino dos Santos Lira e João de Deus do Nascimento também foram condenado à morte por enforcamento e também teriam seus corpos esquartejados. Os soldados Lucas Dantas e Luís Gonzaga, como penas complementares, teriam suas fardas rasgadas por dois sargentos ao “toque de caixa destemperada”.

Impõe-se a pergunta: por que foram esses quatro, e não outros, os condenados à forca? Condenados à forca e esquartejados, insista-se, com ênfase. As partes dos corpos expostas pelas ruas. Por que pobres? Por que soldados e alfaiates, homens simples? Por que negros? Por que da perigosa ralé? Talvez por tudo isso.

O historiador Luís Henrique Dias Tavares, notável intelectual baiano, rigoroso pesquisador, que fornece base a toda essa argumentação, a quem aqui homenageio, ensaia uma resposta em seu História da Sedição Intentada na Bahia em 1798 (“A Conspiração dos Alfaiates”).

Acontece que “os que iam morrer, iam morrer para dar exemplo”.

A devassa fez a devida seleção, atenuou penas para muitos outros, e cravou pena de morte para os quatro, os quatro mártires da Revolução dos Búzios, heróis do povo brasileiro.

O governador da Bahia de então, D. Fernando, num ofício, deixa claro que sempre se receou nas colônias que eclodissem rebeliões de escravos. O que se queria conter, o que se queria matar para sempre era não apenas aquela rebelião, mas qualquer outra que pudesse ser levada a cabo por negros. Quiseram as autoridades coloniais eliminar de vez o perigo que representou aquela “associação de mulatos” que pretendia coisas como liberdade, democracia, fim da escravidão.

Era demais para os brancos, era demais para as autoridades coloniais. Eliminaram-se as penas severas para as “pessoas de consideração”, para usar expressão da época, e mataram os revolucionários pobres para dar o exemplo que se pretendia definitivo

Aquela “associação de mulatos”, aquela rebelião negra, de cunho democrático, que guardava conteúdos obviamente recolhidos da Revolução Francesa, e que, de alguma forma, ia além dela ao propor o fim da escravidão, causava medo às autoridades coloniais, mesmo após tanta repressão, tantas prisões. Era preciso condenar alguns à forca para dar o exemplo. O perigo não estava nas “pessoas de consideração”. Estava nos negros atrevidos e insolentes.

Os preparativos para a execução da sentença foram cuidadosos. Até uma nova forca foi “plantada em lugar extraordinário” na Praça da Piedade. No dia 8 de novembro de 1799, quando os quatro foram executados, a Praça da Piedade foi ocupada pelos Regimento Velho, Regimento Novo e Regimento de Artilharia. Os que assistiam aos preparativos e depois à execução eram mantidos à distância pelo aparato militar.

Luís Gonzaga e João de Deus foram conduzidos para a Praça da Piedade em cadeirinhas, ou palanquins, sem cortinas ou tampas, de modo a que no trajeto pudessem ser vistos por todo o povo, que se aglomerava nas calçadas, que olhava das janelas, das varandas, que espreitava de todos os cantos, de todos os becos, todos os sobrados.

Os dois iam manietados por grilhões presos aos encostos das cadeiras. Contemporaneamente, poderíamos falar que a Colônia calculadamente promovia um espetáculo, um efeito-demonstração. Queria pelo terror público do enforcamento, atemorizar a população, especialmente o povo negro, de modo a que ninguém mais se atrevesse a rebelar-se contra a Coroa e contra a escravidão.

Salvador parou para ver o sacrifício dos mártires.

Lucas Dantas e Manuel Faustino vieram a pé da cadeia ao patíbulo. Em volta deles, além dos guardas, muitos religiosos. Quando os quatro chegam à forca, a soldadesca dá as costas para o interior da praça. Mantém as armas apontadas para o povo. Uma tropa disposta a atirar diante de qualquer manifestação. Uma tropa tensa, cheia de medo. A Colônia queria dar o exemplo. A tropa, no entanto, temia a reação dos negros e mulatos que acompanhavam o espetáculo de dor e sangue e martírio.

Tudo durou seis horas: das 9 da manhã, exata hora em que os quatro mártires saíram da cadeia, às 3 da tarde, quando os quatro jaziam sem vida, quando então tudo terminou.

Terminou, vírgula. O espetáculo macabro, pleno de crueldade e cálculo, havia de continuar.

Mortos os quatro, tiveram seus corpos esquartejados. Pedaços dos corpos dos mártires foram expostos em lugares públicos para que todo mundo visse, para que todos soubessem que aquele seria o destino de quantos se rebelassem contra a Coroa portuguesa.

A cabeça de Lucas Dantas, espetada no Campo do Dique, na parte do Desterro. A de Manuel Faustino, no Cruzeiro de São Francisco. A de João de Deus, na Rua Direita do Palácio. A de Luís Gonzaga, juntamente com as mãos, na própria Praça da Piedade, afixadas nos caibros do patíbulo. Todos, locais centrais de Salvador.

Durante cinco dias, a população de Salvador olhou nos olhos mortos dos quatro mártires, olhou para suas cabeças despregadas dos corpos, certamente alternando sentimentos de compaixão e indignação. No dia 13 de novembro de 1799, repitamos as datas, as cabeças cortadas foram retiradas das ruas e enterradas.
Para a Coroa, a perspectiva da Revolução democrático-burguesa, na esteira da Revolução Francesa, era assombrosa. E a Revolução dos Búzios, era ainda mais assombrosa pelo fato de ter negros e pobres à frente, e por sugerir uma igualdade que suprimisse a escravidão.

Tudo perigoso demais para uma Coroa que se colocava na contramão da tendência universal da revolução democrático-burguesa calcada na Revolução Francesa de 1789.

Não custa insistir que a Revolução dos Búzios ia além dos marcos da revolução democrático-burguesa, ao sugerir o fim da escravidão. Amplia os marcos revolucionários, quando soldados e artesãos, quando negros e pobres, quando os excluídos de então entram em cena. Vamos nos transportar por um momento àquele tempo.

João de Deus, indaga de Lucas Dantas, sobre o significado de uma revolução. Lucas Dantas explica que, para fazer a revolução, será necessária uma guerra civil “para que não se distinga a cor branca, parda e preta, e sermos todos felizes, sem exceção de pessoa”. Uma Revolução, vê-se, para chegar a uma sociedade de iguais.

Lucas Dantas diria ainda, ao mesmo João de Deus, que a Revolução tinha o objetivo de chegar a um governo democrático onde todos fossem felizes. E seriam felizes porque só seriam admitidos no governo “pessoas que tivessem capacidade para isso”, fossem eles “brancos, ou pardos, ou pretos, sem distinção de cor”.

*Esse texto constitui o voto favorável que dei, como relator, na Comissão de Educação e Cultura da Câmara Federal, ao projeto do deputado Luiz Alberto (PT-Bahia), que propõe inscrever os nomes dos heróis da Revolta dos Búzios no Livro dos “Heróis da Pátria”. No âmbito daquela Comissão, foi aprovado por unanimidade

Emiliano José

sábado, 28 de novembro de 2009

I Seminário População Negra e Saúde Mental - RJ

Com base na Política Nacional de Saúde Mental que tem como um dos seus desafios a promoção da equidade e nas recomendações da Política Nacional de Saúde Integral da População Negra, o Instituto de Psicossomática Psicanalítica Oriaperê, em parceria com a Rede Nacional de Religiões Afro-Brasileiras e Saúde, estarão realizando no dia 04 de dezembro de 2009, o I Seminário População Negra e Saúde Mental do Município do Rio de Janeiro.
O Seminário conta com o apoio da Secretaria Municipal de Saúde e Defesa Civil do Rio de Janeiro - SMSDC/RJ, do Conselho Regional de Psicologia 5ª Região - CRP/RJ, do Comitê Técnico de Saúde da População Negra da SMSDC/RJ  e da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial/SEPPIR.

Programação 
9:00h  -  Mesa de Abertura
9:30h  -  Vídeo: Racismo Institucional
10:00h - Painel 1: A Política Nacional de Saúde Integral da População Negra e suas interfaces com a saúde mental
12:00h - Almoço
13:30h – Apresentação da Cia da Saúde
14:00h - Painel 2: Desigualdades Raciais em Saúde e a Política Nacional de Saúde Mental 
15:30 - Painel 3: População Negra e Saúde Mental: impactos do racismo
17:00 – Encerramento
 

Local: Sede do Conselho Regional de Psicologia 5ª Região - CRP/RJ, Rua Delgado de Carvalho, 53 – Tijuca ( próximo Metrô S. Francisco Xavier)
Inscrições:  Instituto Oriaperê – tel: 2236-4613
Público Alvo: Gestores, profissionais, estudantes de saúde mental e sociedade civil.

Comissão Organizadora: Marco Antonio Guimarães, Jose Marmo da Silva e Adriana Soares Sampaio
Instituto de Psicossomática Psicanalítica Oriaperê (CRP/05-1168) – email: institutooriapere@gmail.com 

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

IX Encontro Estadual de Direitos Humanos - BA

FUNDAÇÃO INSTITUTO DE DIREITOS HUMANOS
 IX ENCONTRO ESTADUAL DE DIREITOS HUMANOS

CONVITE SOLENIDADE DE ABERTURA

A Fundação Instituto de Direitos Humanos, criada para promover ações que visem o respeito e a efetividade dos direitos fundamentais da pessoa humana, vem manifestar a sua satisfação em contar com a presença de Vossa Excelência na Solenidade de Abertura do IX Encontro Estadual de Direitos Humanos, cujo tema é O DIREITO À EDUCAÇÃO COMO UM DIREITO HUMANO FUNDAMENTAL.

Conferência Magna
O DIREITO À EDUCAÇÃO E O ENSINO NO BRASIL

Conferencista
Doutor  PAULO GABRIEL SOLEDADE  NACIF
Reitor da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia
Data: 09 de dezembro de 2009.
Horário:  09:00 horas
Local:  TEATRO UNEB - UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA / CABULA – SALVADOR/BAHIA

A sua presença é fundamental.

Salvador, 18 de novembro de 2009.

Hélio Mendes Cazuquel
Presidente
           Telefone 3335-5709

FUNDAÇÃO INSTITUTO DE DIREITOS HUMANOS
IX ENCONTRO ESTADUAL DE DIREITOS HUMANOS
O DIREITO À EDUCAÇÃO COMO UM DIREITO HUMANO FUNDAMENTAL
Educação, mais que um direito, é a forma digna de viver.

INSCRIÇÕES ABERTAS    www.idh.org.br

A Fundação Instituto de Direitos Humanos participa a todos os interessados que fará realizar no período de 09 a 11 de dezembro próximo, o IX Encontro Estadual de Direitos Humanos, cujo tema é O DIREITO À EDUCAÇÃO COMO UM DIREITO HUMANO FUNDAMENTAL.

Este ano o Encontro acontecerá durante tres dias, das 08:00 às 12:00 e das 14:00 às 18:000 horas. Cada dia será realizado em um local diferente, com o objetivo de alcançar um maior número de participantes.

No dia 09 de dezembro de 2009 no Teatro da UNEB - Universidade do Estado da Bahia / Cabula;

No dia 10 de dezembro de 2009 no Auditório da Faculdade de Educação da Bahia, integrante das Faculdades Olga Mettig  / Nazaré, e

No dia 11 de dezembro de 2009 no Salão Nobre da Reitoria da Universidade Federal da Bahia – UFBA  / Canela.

A inscrição é gratuita e poderá ser feita através do site  www.idh.org.br .

No IX Encontro Estadual de Direitos Humanos estarão presentes professores; representantes de: organizações não governamentais, órgãos públicos, sindicatos, movimentos sociais, associações de bairros, faculdades, colégios; trabalhadores e pessoas preocupadas com a efetividade dos Direitos Humanos.

Professores, Estudantes e Funcionários e Pessoas interessadas façam já a sua inscrição

Bloco alternativo do Ilê Aiyê vai misturar negros e brancos - BA

Luisa Torreão, do A TARDE, 27/11/2009

Já não será mais preciso um banho de piche, como sugere os versos da emblemática canção Que bloco é esse?, para os brancos terem a chance de experimentar a negritude do Ilê Aiyê. Na quinta-feira do Carnaval de 2010, gente de pele clara, negra ou mestiça vai dividir as cordas no trio.

Primeiro bloco afro da Bahia, o Ilê anunciou, na última quarta-feira, a saída no circuito Barra-Ondina de um bloco alternativo plurirracial, o Eu Também Sou Ilê – que já havia desfilado em 1996. Onde chega, a notícia tem provocado rebuliço e divergentes opiniões. Para muita gente, trata-se de uma quebra na tradição de resistência negra da entidade de 35 anos.  

É o que defende a foliã Maíra Azevedo, 28 anos, cinco de Avenida: “Isso é uma prova de como o capitalismo está dominando a sociedade. Eu compreendo a demanda do sistema, mas prefiro o Ilê histórico, que representa uma conquista do povo negro”. Ela diz ter receio de que o bloco afro seja reduzido de três para apenas um dia, tendo o espaço ocupado pelo alternativo.

O presidente da entidade, Vovô, garante que isso não irá ocorrer. “A tradição continua”, assegura. Segundo ele, é mais um produto do Ilê que serve de alternativa àqueles que tinham vontade de sair no bloco e não podiam. “Tem muita gente que vem de fora, muito gringo que gosta da nossa musicalidade, da batida, e quer participar”, alega. 

Para o professor e antropólogo Roberto Albergaria, a intenção vai um pouco mais além: trata-se de um “factoide carnavalesco para gerar mídia e grana”. Segundo ele, o Carnaval baiano está definhando desde que teria se transformado em uma “caricatura ridícula de si mesmo”.

Albergaria não poupa críticas: “Do ponto de vista econômico, é uma excelente jogada de marketing. Já do ponto de vista cultural, é mais uma pataquada que o rendoso mercado do ‘black is business’ (negro é negócio) introduz num carnaval que já virou misto de circo e balcão de negócios, enriquecendo não só as velhas lideranças branco-mestiças, mas também os novos senhores negro-mestiços”.

Luisa Torreão, do A TARDE, 27/11/2009
 

Expectativa - Comércio à parte, há quem veja a proposta como boa alternativa para os que nunca puderam desfilar no Ilê. “Vai atender a uma expectativa de muita gente que sempre quis sair. Por esse lado, é válida a iniciativa”, argumenta a foliã afro há cinco anos Ângela Guimarães, 26. 

Ângela lembra que o cenário soteropolitano era diferente quando o Ilê foi criado. “Era uma época que exigia aquela tomada de postura. Hoje, nossa cultura agrega as diversidades”, contemporiza. Mas, como tudo tem dois lados, ela adverte: “A gente tem o receio da descaracterização, de passar a ser um Carnaval mais pasteurizado do que já é”, argumenta.

Para o doutor em antropologia Vilson Caetano, o Ilê, já muito criticado pela mídia, está querendo mostrar que não é racista. “Isso pode servir de exemplo aos blocos de brancos, onde os negros estão ausentes. Inspirados nessa postura, eles podem começar a se abrir para os negros também”, aposta.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Articulação Nacional de Negras Jovens Feministas promove encontro em Salvador - BA

 Cerca de 120 jovens negras de diversas regiões reunidas em Salvador no mês da Consciência Negra para discutir propostas de enfrentamento ao racismo e ao sexismo, que ainda colocam as mulheres negras nos patamares mais inferiores da pirâmide social. É com esse intuito que acontece na cidade, de 27 a 29 de novembro, o 1º Encontro Nacional de Negras Jovens Feministas, no Hotel Vila Velha, iniciativa da Articulação de mesmo nome. O Encontro tem o intuito de reunir jovens negras, lésbicas, sindicalistas, rurais, candomblecistas, universitárias para discutir e tentar consolidar uma articulação de mulheres que abarque as diversas bandeiras políticas emancipatórias da condição de ser mulher negra.Nomes como Alzira Rufino, Jurema Werneck, Vilma Reis e Belinda Brito integram a programação.

 A mobilização é uma estratégia para avaliar a conjuntura e os desafios da realidade cotidiana das milhares de jovens feministas negras espalhadas pelo Brasil. Dentre as diretrizes do Encontro está a proposta objetiva de enfrentamento a qualquer tipo de discriminação, de gênero ou de raça, somada à necessidade de intervenção e participação das jovens no cenário sociopolítico. O evento contará ainda com a presença de autoridades governamentais, militantes dos movimentos Negro e Feminista Negro, além de intelectuais das temáticas.  Com o Encontro, será formatada uma Carta de Princípios que deverá ser encaminhada às Secretarias e Superintendências voltadas à criação de políticas públicas que atinjam este publico.  
 Histórico - A Articulação foi criada no 1º Encontro Feminista Latino-americano e do Caribe, que ocorreu no Brasil, em 2005. Além dos painéis, plenárias e reuniões, o evento contou com a oficina Diálogo entre Movimentos Feministas e Movimento Negro, cujo resultado direto foi a criação da Articulação de Negras Jovens Feministas. A partir desse momento, inicia-se o processo de atuação, socialização e diálogo sobre a história do feminismo negro e as implicações trazidas de ser jovem negra feminista na sociedade brasileira.

PROGRAMAÇÃO
Dia 27 de novembro
Credenciamento: 14h às 18h

19h - Mesa de abertura: Feminismo Negro e Movimento de Mulheres Negras no Brasil, com Luiza Bairros e Jurema Werneck
Dia 28 de novembro
Manhã
9h - Religião e cultura afro brasileira na visão negra jovem feministas, com Alzira Rufino
10h45 - Segurança Pública para as Negras Jovens, com Vilma Reis
Tarde
14h - Movimento Feminista Negro, Movimento de Mulheres Negras e Movimento de Lésbicas e Bissexuais Negras, aonde se convergem?, com Valdecir Nascimento
15h45 - Afetividades e Jovens Negras, com Benilda Brito

I Seminário "Percepções da diferença" - SP

Promoção:
  • Programa de Pós Graduação em Direito – Área de Direitos Humanos – da Faculdade de Direito da USP
  • NEINB – Núcleo de Pesquisas e Estudos Interdisciplinares sobre o Negro Brasileiro
Data: Dia 9 de dezembro de 2009 - quarta-feira
Local: Auditório XI de Agosto
           Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo
           Prédio Anexo  -  Térreo



Programação
9 horas
Mesa de Abertura
Professor João Grandino Rodas (Diretor da FDUSP)
Professora Monica Herman Caggiano (Presidente da Comissão de Pós Graduação da FDUSP)
Professor Calixto Salomão (Coordenador da Área Direitos Humanos dos Cursos de Pós Graduação  - FDUSP)
Professora Eunice Aparecida de Jesus Prudente (Coordenadora do Núcleo de Apoio à Pesquisa e Estudos interdisciplinares sobre o Negro Brasileiro -  NEINB)

10 horas
1º Tema
OS DIREITOS HUMANOS NO CONTEXTO DA DIVERSIDADE CULTURAL
Expositores
Professor Kabenguele Munanga (Coordenador do Centro de Estudos Africanos da FFLCH/USP)
Professora Gislene Aparecida Santos (EACH/USP e Neinb)
Professora Dilma  Melo Silva (ECA/USP e Neinb)
Debatedores
Professor Renato Gomes (Instituto Luiz Gama)
Pesquisadora Isis Aparecida Conceição ( NEINB/USP)
Pesquisadora Sandra Regina do Nascimento Santos (NEINB/USP)

14 horas
2º Tema
EXCLUSÃO SOCIAL E RACIAL E PERSPECTIVAS DE AÇÃO
Expositores
Professor Calixto Salomão (Coordenador Área Direitos Humanos CPG/FDUSP)
Professor Dennis de Oliveira (ECA/USP e Neinb)
Professor Aliysson Leandro Mascaro (Departamento de Filosofia eTeoria Geral do Direito FDUSP)
Debatedores
Professor  Ricardo Alexino (ECA/USP)
Professor  Silvio Almeida (Instituto Luiz Gama)

17:00 horas
Conferência de Encerramento
Tema: A ESCRAVIDÃO NO BRASIL
Professor Fabio Konder Comparato (FD/USP)

18:30 horas
Lançamento da Coletânea Percepções da Diferença – Negros e Brancos na Escola
Museu Visconde de São Leopoldo
1º andar
Apresentação
Professora Gislene Aparecida Santos
Professor Luiz Silva Cuti
Professora Antonia Quintão Cezerilo
Professora Rosângela Malachias

19:30 horas
Coquetel
Saguão do 1º andar

Apoio Cultural
Editora Terceira Margem
CELACC  - Centro de Estudos Latinoamericanos de Cultura e Comunicação
Instituto Abya Yala de Estudos de Cultura e Comunicação da América Latina

INSCRIÇÕES
Gratuitas pelo Fone: 30914327 / CELACC  com   Sr. Gerson ou pelo e-mail: seminarioneinb@gmail.com

(Somente terão direito a Certificado com oito horas os participantes devidamente
 inscritos)

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Seminário "Leituras Afro-Brasileiras: práticas e saberes na promoção da equidade social" - BA


Sábado, dia 05 de dezembro, a partir das 08h, no Terreiro Pilão de Prata, sitiado no Alto do Caxundé, Boca do Rio/Salvador, acontecerá o Seminário I Leituras Afro-Brasileiras: práticas e saberes na promoção da equidade social, organizado pelo Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social/UFBA, através de recurso do Fundo Nacional de Saúde.


O interesse primordial é a organização de um espaço no intuito de ampliar o fortalecimento dos conhecimentos e dos mecanismos de socialização sobre a promoção de saúde por parte das religiões de matrizes africanas no estado da Bahia, envolvendo diversas instituições e indivíduos envolvidos no campo da saúde e nos movimentos sociais.

As inscrições são gratuitas e podem ser feitas previamente pelo email semin.leituras.afrobrasileiras@gmail.com


Mais informações no PPG Antropologia Social/UFBA, 71 3283-6440.


Segue a programação.
Atenciosamente,
Profa. Dra Ana Cristina de Souza Mandarino
Coordenadora


Programação
I Seminário Leituras Afro-Brasileiras
05/12/2009


Programação
Horário
Participantes
Cadastramento
08.00/08.30


Palavras de Abertura
9.00/9.30
Pai Air José de Souza, Terreiro Pilão de Prata/BA e Mãe Beata de Iemanjá, Terreiro Ile Omi Ojuaro/RJ
Mesa Redonda I "Candomblé e Saúde: diálogos na promoção da equidade"
10.00/12.00
Dra. Ana Maria Costa, Ministério da Saúde; Dra. Débora do Carmo,Secretaria do Estado  de Saúde, Dra Maria Bernadete Azevedo, Ministério Público/PE;
Moderação .Prof. Dr. Estélio Gomberg, LIDES/UFBA;
Almoço
12.00/13.30




14.00/15.30


Mesa Redonda II Candomblé e Práticas e Saberes de Saúde
Panã: a tartufa ida ao mercado ou uma ritualização terapêutica eficaz.
Profa. Dra. Ana Cristina de Souza Mandarino, PPG Antropologia Social/UFBA


A Herança Africana do Auto-Cuidado: Saberes e Práticas Tradicionais dos Cuidados ao Corpo
Mauro Nunes, Médicos Sem Fronteiras


Mulheres Quilombolas e Práticas Terapêuticas
Profa. Msc.Edite Diniz, GEOGRAFAR- UFBA


Bori: prática terapêutica no Candomblé
Profa. Dra. Maria Lina Leão Teixeira, UERJ




Coord: Profa Dra Maria do Rosário Gonçalves, PPG Antropologia, UFBA


15.30/17.00


Mesa Redonda III Candomblé e Ações Sociais
Curadores, Clientes e Guias no Jarê: O processo de tratamento em um candomblé de caboclo
Profa. Dra. Miriam Cristina Rabelo, PPG Ciências Sociais/UFBA


Quando o voluntariado é axé: a importância das ações voluntárias para a caracterização de uma religião solidária e de resistência no Brasil
Prof. Dr. Ricardo Freitas, PPG Comunicação, UESC/BA


Promoção do Corpo Afro-Brasileiro
Prof. Dr. Dagoberto Fonseca, Dep. de Antropologia, UNESP


Papel da Rede Nacional de Religiões de Matrizes Africanas e o SUS
Adailton Moreira, Terreiro Ile Omi Ojuaro/RJ




Moderação: Prof. Dr. Wilson Caetano Jr, Escola de Nutrição, UFBA
Encerramento
17.00

Lançamento do Livro Leituras Afro-Brasileiras: territórios, religiosidades e saúdes, Editora UFBA
18.00/21.00


Desenvolvimento urbano e sustentabilidade - BA

No dia 03/12, às 17h, na FIEB-Stiep, o Instituto Iris promoverá um debate sobre Desenvolvimento Urbano e Sustentabilidade com Beatriz Lima, arquiteta e coordenadora do Escritório de Referência do Centro Antigo de Salvador; Ubiratan Fêlix, engenheiro e secretário de Infraestrutura de Vitória da Conquista e Isabel Portela, jornalista e diretora presidente do Instituto Iris. Em pauta: o crescimento urbano de Salvador, o boom imobiliário, o Centro Histórico, PDDU e outros temas atuais da nossa urbe.
O evento é a 10º Roda de Diálogos, série de encontros organizados pelo Instituto IRIS para debater com especialistas e interessados temas relevantes da atualidade.
Inscrições gratuitas.
 
Informações:
www.institutoiris.org.br
Tel.: 3350-5526 / 87835549
Eunice Ferreira
Coordenadora de Responsabilidade Social
IRIS - Instituto de Responsabilidade e Investimento Social

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Projeto Wá Jeun Imó Ki Nbó - BA

WÁ JEUN IMÓ KI NBÓ é o evento que chegou para ficar, agregando no mesmo espaço, arte, cultura, lazer, entretenimento. Venha comer cultura que alimenta, desfrutando de uma programação que faz junção entre arte culinária e atividade didático-cultural de bom gosto, fundamentada nas tradições afro-baiana-nordestina, tendo como atrações: pratos, sobremesas e bebidas da rica gastronomia popular e mostras de artesanato, artes plásticas, fotografia , literatura, poesia, exibição de vídeo e espetáculo cênico-musical. Tudo isso para evidenciar, resgatar e preservar símbolos da nossa cultura.


Projeto WÁ JEUN IMÓ KI NBÓ – Venha Comer cultura que Alimenta
Tema: “A Consciência está na Consciência”
Quando? 27 de novembro de 2009.
Local: Casa do Benin – Pelourinho


Programação
 
·        Mostra de vídeo documentário
·        Roda de Diálogo com Stael Machado (Educadora, Psicanalista e artista plástica)
·        Jantar regado a música de Moraes (Cavaquinho) e Josevaldo (Violão)
·        Recital poético com Iara Nascimento e Eddy N’Grão
·        Exposição de artesanato de Marinalva Pinheiro
·        Exposição de artes plásticas com Wal-Ba e Júlio
Opções de Cardápio da Noite
 
·        Efó, vatapá, arroz e moqueca de peixe
·        Galinha da terra, pirão e arroz
 
E pra bebericar?
Meladinha – Aruá – Jurema – Cerveja – água – suco
 
E para dar gosto?
 
Tira gosto de Aberé – Amendoim – pipoca
 
Entrada R$ 20,00 com direito a uma das opções do cardápio + 01 dose de bebericos + 02 unidades (cervejas ou água ou suco) + 01 poção de tira gosto + cultura e arte.
 
Adquira entrada antecipada nos pontos de venda:
 
Praça do reggae – Ana ou Mary
Shopping Liberdade 3º piso na Baby lanches
Casa do Benin
 
Realização e Contatos: Tulany 8748-4183 / 9162-3077